quinta-feira, 21 de junho de 2018

Futebol Arte x Futebol Força + Fortunas


                  José Geraldo Brito Filomeno                                                                                        
            Nunca fui muito ligado em futebol, nem mesmo a outros esportes. Sempre me frustrei na tentativa de praticar alguns como, por exemplo, tênis e tamboréu, mas sem qualquer sucesso. Durante o ginásio público era o último a ser escolhido pelos “capitães” apontados pelo professor de educação física nos 15 minutos finais da respectiva aula (geralmente para uma partida de futebol de salão ou basquete, e raramente vôlei). Sai-me razoavelmente bem em natação, graças a um professor, por coincidência, meu conterrâneo de São João da Boa Vista, que “aportou” em Mogi Mirim, onde residia minha família, no início dos anos ´60, para dar aulas à molecada do “Grêmio Mogimiriano”.
            Com relação ao futebol, embora são-paulino e torcedor cabisbaixo do outrora glorioso Mogi Mirim Esporte Clube, vulgo “sapão” ou “carrossel caipira”, nunca me empolguei com as partidas em nível estadual ou nacional, mas com especial atenção aos campeonatos mundiais.
            Em 1958 --- primeiro campeonato que ganhamos ---, contando eu então com 11 anos de idade, as partidas na Suécia eram transmitidas pelas rádios em ondas curtas, com grandes chiados obrigando a apuração dos ouvidos para entender o que é que estava acontecendo em campo. A prefeitura municipal mandou até mesmo instalar alto falantes na praça principal para que todos pudessem ouvir. Os filmes --- ainda não havia “vídeo tape” ---, só eram transmitidos pelas TV´s Tupi (Canal 3) e Paulista (Canal 5) dois ou três dias depois dos jogos, e assim mesmo parcialmente, só com os lances principais.
            Já em 1962 (nosso bicampeonato no Chile), embora ainda não houvesse transmissão via satélite, os vídeos tapes eram transmitidos pelos canais de televisão na própria noite do jogo ou no dia seguinte.
            Em 1966, não acompanhei os jogos, uma vez que, morando nos Estados Unidos como estudante bolsista, os americanos não davam a mínima para o “soccer”. Engraçado como são arrogantes dizendo que eles é que jogam o “real football”, embora somente toquem com os pés na bola --- que nem bola é, na verdade   --- para o “kick off” ou para uma tentativa de marcar por cima da trave em forma de um quase “H”. Tenho para mim que o “futebol americano” nada mais é do que um “rugby” mais sofisticado, com seus capacetes, ombreiras e uniforme característico de calça apertada. O “baseball”, então, não passa de um “cricket inglês”, também com uma maior sofisticação. Quando nossa turma de bolsistas estava em Washington, já no fim de nossa temporada por lá, em junho daquele ano, o Brasil foi eliminado por Portugal, em cuja seleção jogava o respeitável Eusébio.
            Em 1970 --- aí sim, maravilha --- as TV´s já haviam conquistado a tecnologia de transmissão direta via satélite, embora ainda em preto em branco. E o orgulho nacional vibrou com o tricampeonato no México. Depois disso mais alguns anos de frustração, até o tetra e o pentacampeonato, respectivamente, nos Estados Unidos (1994) e na Coréia do Sul/Japão (2002).
            E estamos diante de novas angústias, buscando teimosamente o hexacampeonato.
            Mas minhas ponderações não se referem a isso. Referem-se aos valores verdadeiros do “futebol arte” que foram perdidos ou pelo menos com lampejos raros como Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, por exemplo.
            Mas vejamos no passado como é que foi:  os espetaculares e estonteantes dribles do saudoso Garrincha; o aparecimento do gênio Pelé que dava “chapéus”, matava no peito e entrava quase que de bola e tudo no gol adversário; um elegante defensor como o capitão Bellini; a também quase inexplicável “folha seca” do Didi; a forte presença também defensiva de um Djalma Santos; um eficiente Zito, o goleiro “trancador” do gol, Gimar, e por aí vai.  O time tricampeão também contava com verdadeiros craques-artistas.  Além de Pelé, tivemos um Tostão, Jairzinho, o Rivelino, Zico e outros.
            Havia um ideal de “futebol arte”, Ou seja: proporcionar ao espectador um verdadeiro “show”, sem muita preocupação com os “bichos” ou salários, na verdade, modestos.
            Hoje, para além de transferências de passes biliardários, o que se vê é um “futebol força”, feio, trancado, cheio de trombadas, puxadas de calções e camisas, pisões em tornozelos sem falar das tradicionais caneladas, mais parecendo “rubgy” ou “futebol americano”, para mim horríveis pela própria natureza.  
            Lamento que assim seja, mesmo porque embora a presença da nossa seleção lá na Rússia desperte a atenção, não é a mesma coisa de anos atrás.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Apresentação da Copa de 2018


Guilherme de Freitas Saraiva

            Irá começar a Copa do Mundo de 2018 em 24 dias. Rússia é um país muito extenso e é onde a Copa do Mundo acontecerá. Os estádios serão estes:

            SOCHI: Cabem 48.000 pessoas e será utilizado nas fases de grupos, oitavas e quartas de finais.
            KAZAN: Tem lotação para 45.000 torcedores. Será utilizado também nas fases de grupos, oitavas e quartas de finais.
            MOSCOW – LUZHNIKI STADIUMJ: Capacidade para 80.000 espectadores. Este será o Estádio da Copa, pois servirá para as fases de grupos, oitavas, quartas, semi finais e final.
            NIZHNY NOVGOROD:  Tem lugares para 45.764 pessoas. Receberá jogos  das fases de grupo, oitavas e quartas de finais.
            SAMARA: com capacidade para 45.482 torcedores também será utilizado para jogos  das fases de grupo, oitavas e quartas de finais.
            ROSTOW-ON-DON:  com lotação de 45.415 pessoas, será usado somente nas fases de grupos e oitavas de finais.
            SAINT PETERSBURG: segundo maior da Copa, tem sua capacidade para 67.000 espectadores e servirá para as fases de grupos, oitavas, semi final e disputa do 3º lugar.
            MOSCOW – SPARTK STADIUM:  também com capacidade para 45.000 pessoas, somente serão disputadas as fases de grupos e oitavas de final.
            Os demais estádios: EKATERINBURG, KALININGRAD, SORAMK e VOLGOGRAD, somente serão usados para jogos da fase de grupos.
            Bola da Copa: A bola é muito bonita. Ela é branca com píxeis cinzas e pretos.
            Taça: A taça também é muito linda. É dourada, parece uma mão, não muito normal, segurando uma bola que parece um globo.

            A SELEÇÃO RUSSA
            Confederação: UEFA (Europa)
            Material: Adidas
            Treinador: Stanislav Tchertchesov
            Capitão: Igor Akinfeev
   Uniformes da Rússia:

Cores do TimeCores do TimeCores do Time
Cores do Time
Cores do Time

Cores do TimeCores do TimeCores do Time
Cores do Time
Cores do Time

            FIFA:  Ranking atual 23º lugar
                       Melhor colocação: 3º lugar (abril de 1996)
                       Pior colocação: 40º lugar (dezembro de 1998)    
            JOGOS:  Melhores resultados:
                         San Marino 0 x 7 Rússia (7 de junho de 1995)
                         Liechtenstein 0 x 7 Rússia (8 de julho de 2015)
                         Piores resultados:
                         Alemanha 16 x 0 Rússia (2 de julho de 1912)
                         Portugal 7 x 1 Rússia (23 de outubro 2004)

            A Seleção Russa participou somente de três Copas do Mundo (1994, 2002 e 2014), mas nestas três Copas eles foram eliminados na fase de grupos.
            Também foram eliminados na primeira fase em três das quatro Eurocopas que disputaram, mas se classificaram em quarto lugar, perdendo nas semi finais para a Espanha em 2008.
            Sob o comando do Técnico holandês Guus Hiddink, criou-se um otimismo entre a torcida russa para a classificação dramática em 2008.

CONVOCAÇÃO:  Goleiros:  Igor Akinfeev,  Vladimir Gabulov e Andrey Lunyov.
            Defesa: Roman Neustädter ,Ilya Kutepov, Andrei Semyonov, Fyodor Kudryashov,  Vladimir Granat, Yuri Zhirkov, Konstantin Rausch, Dmitri Kombarov e Igor Smolnikov.
            Meio Campo:        Anton Shvets, Denis Glushakov            , Alan Dzagoev, Anton Miranchuk,  Aleksandr Golovin,          
            Aleksandr Samedov,  Aleksandr Yerokhin e Denis Cheryshev.
            Atacantes:  Fyodor Smolov,  Aleksei Miranchuk e  Anton Zabolotny

Fontes de consultas: Álbum de figurinhas da Panini 2018 – Site da Wikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Seleção_Russa_de_Futebol

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Copa do Mundo de 2018 – Rússia


Como sabem, ando sem tempo de escrever para o Blog. Então meu neto Guilherme de 10 anos – aquele que em outubro do ano passado publiquei o vídeo com o “galaço” dele, quando tratei do futebol no Brasil - disse que vai assumir uma parte e vai escrever sobre esporte. Aí vai o primeiro artigo dele. Boa leitura!

A Copa do Mundo de 2018 – Rússia
Guilherme de Freitas Saraiva – 31/03/2018

            Essa Copa vai ser muito legal de assistir, pois vai estar cheia de times grandes e favoritos: Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha, Bélgica e Portugal – pena que faltou a Itália. Mas eu estou torcendo para três: BRASIL, onde eu moro e que tem o Philippe Coutinho, que é meu jogador preferido; Alemanha, pois tem o Khedira que é o meu segundo jogador preferido e a Argentina que tem o Dybala, que eu gosto muito de ver jogar.
            Eu acho que a Rússia vai ser eliminada pelo Uruguai e, surpreendentemente, pelo Egito, pois o Mohamed Salah está jogando muito pelo Liverpool e pode ser um dos maiores artilheiros do século! No Grupo B, espero que a Espanha e Portugal passarão com facilidade! No Grupo C, França passa em primeiro lugar e acho que a Dinamarca ficará em segundo, disputando com Peru, pois o Eriksen (meia direita do Tottenham Hotspur) está jogando muito! No Grupo D, creio que a Argentina passará em primeiro e a Islândia em segundo lugar. No Grupo E, tenho 99,9% de certeza que o Brasil passará em primeiro lugar e Suíça em segundo. No Grupo F, acredito que a Alemanha ficará em primeiro e México ficará em segundo, disputando com a Suécia. No Grupo G, penso que a Bélgica ganhará da Inglaterra, que ficará em segundo lugar. Finalmente no Grupo H, estimo que a Colômbia passará em primeiro lugar e vai deixar a Polônia em segundo.
            No mata-mata, acho que se classificarão Portugal, Espanha, Islândia, Argentina, Brasil, Alemanha, Bélgica e Colômbia, que vão para as quartas-de-final. Depois, se minhas previsões estiverem certas, acho que classificará Espanha, Alemanha, Bélgica e Brasil, para as semifinais e na final Brasil ganhará da Espanha nos pênaltis!

Previsões:

URU 1 ]                                                                                      [EGI 2       X      ]                                                                                      [   X
POR 3 ]             POR 1]                                          [ESP 3            [ESP 5
                             X  ]                                          [    X
BRA 3 ]             BRA 2]                                          [COL 0       [COL 1 (3)
     X   ]                                                                                  [    X
MEX 0 ]                                  BRA 2 ]      [ESP 3                      [ENG 1 (4)
                                                  X   ]      [    X       
FRA 1 ]                                  ALE 1  ]      [BEL 2                        [BEL 3
     X  ]                                                                                       [    X
ISL 2  ]             ISL   1]                                          [BEL 3           [POL 1
                             X   ]                                         [    X
ALE 2 ]             ALE  2 ]                 FINAL               [ARG 1           [ARG 2
     X  ]                                        BRA 2 (4)                                [    X
SUI 0 ]                                                                                    [DEN 1
                                                  ESP 2  (3)                              


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Chupa "seus" Anti!!!!!

Esperei o Corinthians receber a Taça para publicar este chamado aos "anti" que só sabem "secar" o Grande Corinthians. Vejam como são as coisas, arquivei estes comentários e agora pergunto:  Devemos acreditar nos comentaristas e outros agregados ao futebol, no Brasil? Ou será mesmo falta de respeito? Ou ainda, são ferrenhos torcedores e, não podendo se declarar, aproveitam para meter o pau, menosprezando os adversários?

                                      VAI CORINTHIANS!!!!!!!!



Então vamos lá: CHUUUUUPA RENATO GAÚCHO!!!!



CHHUUUUUPAMMM ANDRÉ RIZEK E CERETTO!!!!




CHHHUUUUUPAAA FELIPE MELLO!!!!!




CHHUUUUPAAAA CASAGRANDE
Agora, Casagrande aposta que Palmeiras tira título do Corinthians:

http://veja.abril.com.br/placar/agora-casagrande-aposta-que-palmeiras-tira-titulo-do-corinthians/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=barra-compartilhamento VEJA.com



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Rios e Enchentes

Nicanor de Freitas Filho
           
            Rio, segundo o Dicionário Michaelis, “1 sm (lat rivu) Corrente contínua de água, mais ou menos caudalosa, que deságua noutra, no mar ou num lago... 3 Grande massa de líquido corrente... 5 Abundância...” Se você for ver do lado da Geografia, rio se forma quando um lençol freático se aflora e a água corre de um ponto mais alto para um ponto mais baixo do relevo. É de grande importância para a humanidade, pois a água é vital, para Agricultura, Pecuária e Pesca. Muitos rios chegam a secar nas estações de estiagem e a maioria dos rios transbordam nas estações chuvosas.  Isto é de grande importância para a Agricultura, pois é uma maneira de se fertilizar as margens dos rios, para serem plantadas com alimentos não perenes, de rápida evolução, como feijão, batata, arroz etc.. Lembro-me perfeitamente de um livro de Geografia da 1ª série ginasial (hoje creio que se chama 6ª série) que dizia que o “...Rio Nilo é o maior Rio do Mundo, cujas margens são fertilizadas anualmente pelos seus transbordamentos...”
            Então o transbordamento de rios é uma coisa natural, que queiramos nós ou não, vai sempre ocorrer. Aprendi isto no meu Curso de Técnico Agrícola. Aliás, tive um Professor, Cavagnolli, que lecionava várias matérias, embora a principal fosse Topografia. Com ele aprendi a usar a baliza, o teodolito, fazer as plantas de terrenos, sítios e outras áreas. E aí, tem um ensinamento que nunca esqueço: como medir as margens dos rios, que normalmente são sinuosas, então tínhamos que fazer as medições das perpendiculares para traçar as curvas que o rio fazia. Achávamos difícil e  ele então dizia: “Pelo menos nas margens de rios não tem casas, pocilgas, galinheiros e outras construções, pois seriam todas inundadas...” Obvio, pois todos os rios inundam as suas margens.
            Além de tudo, quando chove – que vai encher o rio e transbordar – também é certo que as terras vão ficar úmidas, as águas vão penetrar no solo, para formação dos lençóis aquáticos, que seguram por algum tempo as águas, antes de correr para os rios e as cabeceiras destes. A terra absorve muita água que cai da chuva.
            Sabedor disso, Padre José de Anchieta, quando chegou à terra de São Paulo, viu o Tamanduateí, o Ipiranga, o Tietê, o Anhangabaú e muitos outros rios. Por isso fez a Igreja e a sua moradia lá no Pátio do Colégio. Bem lá em cima, onde não haveria perigo de nenhum daqueles rios – que ganharam os nomes que citei acima – inundarem suas construções. Deu para entender o raciocínio do Padre Anchieta? Ele, como eu, não era Engenheiro, Geógrafo ou Geólogo, mas sabia dessas coisas de inundações dos rios.
            Lembro-me perfeitamente quando Olavo Setúbal, foi prefeito de São Paulo, que “exigiram” dele providências contra as enchentes, ele disse: “Além das enchentes serem naturais, portanto não devíamos ter invadido o espaço dos rios, ainda por cima asfaltaram e concretaram todo o solo da cidade, de forma que as águas não penetram mais na terra, vão direto para o leito dos rios. Portanto, a única solução é sairmos das margens dos rios. As enchentes vão existir sempre. Além de tudo a população não colabora, e continua jogando tudo que é entulho nos leitos dos rios.”
            Por que estou escrevendo isso? Porque ouvi hoje pela manhã, na Rádio Jovem Pan, uma senhora da Vila Aurora, reclamando que toda vez que chove a casa dela enche! Diz achar um absurdo que não “canalizaram” o rio até hoje! Tenho ouvido jornalistas – que considero inteligentes e sérios – cobrando do prefeito “medidas para solucionar as enchentes”. Ainda teve um que complementou o comentário dizendo que o que falta é gestão, pois dinheiro tem!
            Vamos começar analisando pelas palavras de Olavo Setúbal, quando disse que a população não colabora jogando tudo que é entulho nos bueiros e leitos dos rios. Isto tem um nome: EDUCAÇÃO. Como já escrevi em um comentário político aqui no Blog: https://freitasnet.blogspot.com.br/2015/08/capacitacao-profissional-educacao.html , a Educação é fundamental para que o País saia dessa situação, onde a maioria do povo não tem condições de estudar e aprender os princípios culturais, que levam um povo a agir com a devida educação coletiva, respeito, ética, honestidade, moral e convivência coletiva. Por isso elege gente da pior espécie para fazer as Leis e para executar as Leis mal feitas. E estes escolhem aqueles que vão julgá-los e interpretar as Leis por eles elaboradas. Ora, não podia mesmo acontecer outra coisa, que não o que vem acontecendo no Brasil. Um Caos! Um povo que não sabe “jogar um papel no lixo”. Preste atenção quando andar pelas ruas. Repito: tudo começa com a Educação e temos muitos exemplos, além da Coreia do Sul que citei no meu artigo.
            Outro ponto a ser considerado é ver que os últimos governantes não têm culpa dos erros dos governantes anteriores, que canalizaram rios embaixo de asfalto, asfaltaram toda a cidade e permitiram a construção de edificações de concreto, tornando o solo totalmente impermeável. Inclusive nas margens dos rios – fizeram até pistas marginais aos rios! Ou seja, não agiram como o Padre José de Anchieta.  Então vem a pergunta: “Não tem mais solução?” Ter solução tem! Veja o exemplo de Tókio, que no começo dos anos 90 pôs em execução um projeto de túneis e canais de escoamento de água, que começam a cinquenta metros abaixo da superfície, com altura de até 68 m, e segura a água das chuvas até que amenizem os temporais, para depois soltá-las aos poucos nos rios.
            Só que para este gasto, teríamos que convencer os nossos, Legislativo, Executivo e Judiciário, além de uma grande parte do funcionalismo, de acabar com as mordomias e roubalheiras. Será isso possível? Em sendo possível, aí sim, concordo que a “gestão” seria a solução real do problema, não só das enchentes, mas quase todos os outros problemas que exigem “gestão”!
                                 Aula do Professor Cavagnolli 1962

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Futebol no Brasil

Registro do fato é fundamental!
Nicanor de Freitas Filho

            Domingo fui ao Colégio São Luis, ver um jogo de futebol do meu neto de 10 anos, que estuda lá. Não poderia deixar de ir, pois na semana passada, quando fui buscá-lo lá no Colégio, ele orgulhosamente me mostrou uma carta que tinha recebido do Setor de Esportes do Colégio. Era uma Carta de Convocação para os Jogos de Interamizade que fui ver.
            Durante o período que estava lá aguardando o início do jogo, fiquei lembrando do Livro que ele me trouxe em 2014, chamado: “Pontapé Inicial para o Futebol no Brasil” de Paulo Cezar A. Goulart. Também me veio à memória outro Livro: “Guia Politicamente Incorreto do Futebol” de Jones Rossi e Leonardo Mendes Junior. Ambos os livros tratam de futebol, obviamente!
            Todos sabemos, não só pelos livros, como por qualquer pesquisa que se fizer na Internet, que quem trouxe o futebol para o Brasil foi Charles Miller, que era filho de um funcionário da São Paulo Railway – empresa britânica que construiu e administrou as estradas de ferro no Brasil – e por isso foi mandado, com o irmão John Miller, para estudar na Inglaterra, em 1884 e lá conheceu, gostou e mostrou habilidades para o esporte que nascera há pouco, chamado de “football”. Na Europa era comum nas Escolas que além do ensino, também se ensinava e praticava esportes. Retornou ao Brasil no final do ano de 1894 – depois de dez anos estudando e jogando “football” – trazendo, segundo dizem, duas bolas de capotão e uma bomba para enchê-las, um par de chuteiras, bem como as regras escritas em 1863 pela Universidade de Cambridge, do referido “football”. Logo iniciou o processo de catequização dos britânicos, e outros amigos, que nos clubes de São Paulo, preferiam jogar críquete. Reunia os amigos ensinava e fazia sua peneira para formar o time da São Paulo Railway. E assim, no dia 14 de abril de 1895 foi realizado o primeiro jogo de futebol, devidamente registrado, com súmula e tudo, entre o time da São Paulo Railway que enfrentou o The Gas Works Team e venceu por 4 a 2. Este é o primeiro registro formal de uma partida de futebol no Brasil.
            No livro do Rossi e Mendes Junior, “Guia Politicamente Incorreto do Futebol”, nas páginas 28 a 31 eles tratam de um “outro precursor” do Futebol brasileiro, que seria o escocês Thomas Donohoe, que foi trabalhar na Fábrica de Tecidos Bangú, e ajudou a fundar o Bangú Athletic Club, já em 1903. Chegara ao Brasil em meados de 1894 e teria pedido para sua esposa e filhos trazerem material para jogar futebol. Ela e os filhos chegaram no Brasil em setembro de 1894, antes portanto de Charles Miller. Ele seria um centroavante de “espírito peladeiro” e logicamente não anotou nada. Portanto nada se tem registrado das “peladas” ocorridas no Rio de Janeiro. Eles falam também, nas páginas 23 e 24, sobre jogo, que seria futebol, jogado por marinheiros ingleses, franceses e holandeses nas praias do Rio onde hoje fica o Hotel Glória. Isto nos anos de 1875.
            Ainda no livro citado acima, eles tratam do futebol no Colégio São Luis, que ficava na cidade de Itú, São Paulo, mas não contam tudo que está no outro Livro que citei “Pontapé Inicial para o Futebol no Brasil” de Paulo Cezar Alves Goulart, que relata “O bate-bolão e os esportes no Colégio São Luis: 1880-2014”. Aqui neste livro, do Colégio São Luis, Editado pela A9 Editora, podemos observar muito mais coisas.
            Começa com a chegada do Padre italiano José Maria Mantero, em 1877, quando se tornou reitor do Colégio São Luis em Itú. Conhecedor dos métodos de ensino ligados à prática esportiva, trouxe para o São Luis várias melhorias, nos exercícios e jogos, como exercícios militares, ginástica alemã, lançamento de disco e de dardo, malha, salto em altura e distância, corrida de obstáculos, barra francesa, dentre estes a partir de 1880 o bate-bolão, com a bola então chamada de “ballon anglais”, ou bola de futebol! Seria o esporte precursor do futebol? Os alunos eram incentivados a chutar a bola contra as paredes e muros, mas como exercício e não tinha competição. Entre 1879 e 1891 o Padre Mantero teria feito várias viagens à Europa onde pode observar “a movimentação dos alunos nos pátios durante os recreios do Colégio de Vannes, na França, e da Harrow School, na Inglaterra. Era ali – juntamente com as informações obtidas com reitores , prefeitos e educadores desses colégios –, bem como em outros colégios, que estava a fonte para a renovação dos jogos e das atividades esportivas ao ar livre a serem implantadas no Colégio São Luis de Itu. E assim puderam presenciar, entre outras modalidades que ainda desconheciam, uma, denominada football, cuja instituição organizadora, a Football Association, havia sido fundada em 1863, na Inglaterra.” (Pág. 23) Mais adiante o livro traz: “Ainda não havia times (formação de equipes com 11 jogadores uniformizados), nem delimitação e demarcação de campo, traves e nem um conjunto de regras – conforme estabelecia a denominada Football Association. Assim, o bate-bolão, durante alguns anos, até 1887, foi praticado por alunos do Colégio São Luis – entre eles, o futuro presidente de São Paulo, Altino Arantes –, incentivados pela participação dos padres...” (Pág. 27)E finaliza: “Tratava-se de um 'futebol de caráter pedagógico', para o desenvolvimento físico, sem a preocupação da competição para as assistências, sob o controle de entidades dirigentes. Então, o que afinal eles estavam jogando?”(Pag. 27) Finalmente na página 29 conclui: “A brincadeira...,era uma forma de convívio inicial daqueles jovens com elementos imprescindíveis ao futebol, que os jesuítas viram ser praticado em colégios jesuítas europeus: uma bola feita especificamente para esse esporte, uso obrigatório dos pés para chutar a bola (não podia usar as mãos) a existência de um local para onde deveriam direcionar seus chutes – a parede ou as muretas da escola....prática absolutamente lincada com o futebol, e somente com o futebol, por meio de algumas regras e procedimentos... singulares e indissociados de um único esporte que então e assim se praticava: o FUTEBOL. E portanto: “...era um exercício destinado a constituir um treino para um fim bem definido: JOGAR FUTEBOL”.
             “Seria então o futebol...?” Pergunta feita no Livro...
            Bem, cada um tire as suas conclusões... Para quase todo mundo, vale o que está devidamente registrado. O Registro do fato é fundamental! Parabéns ao Charles Miller que soube organizar e registrar tudo!
            O fato é que fui ver o meu neto Guilherme jogar contra o Colégio Santo Agostinho e eles ganharam um dos jogos por 4 a 1 e perderam o segundo jogo para o Colégio Rosário. No jogo que venceram ele fez um dos gols – e eu vibrei – que o pai dele filmou e segue abaixo. Ele está com a camisa 8 vermelha.

          

domingo, 22 de outubro de 2017

Como tudo Começou...

Nicanor de Freitas Filho

            Tendo publicado o causo anterior do Yellow Legal Pad, fui questionado, por e-mail e WhatsApp sobre vários assuntos. Um deles eu já corrigi, que é o nome da rede de Lojas dos Estados Unidos, que é Woolworth e não Wentworth, como publiquei. Peço desculpas pelo lapso de memória! Na verdade Wentworth era o Hotel em que eu costumava ficar, na Rua 46, em Nova Iorque, por ser bem perto do Consulado do Brasil. Hoje esse hotel passou a se chamar The Hotel @ Times Square. Mas está lá do mesmo jeitão que era. A outra coisa que me questionaram foi a foto em que escrevi em baixo: “Como tudo começou Capas Artísticas da CMSP”. Querem saber o que vem a ser isso. Que se dê o nome, que explique o que começou! Então vamos lá. Se eu cometer outro “errinho” peço que o Oscar ou o Dr. Murilo me corrijam...
            Nos anos de 1976 e 1977 a Cia. Melhoramentos contratou vários artistas plásticos brasileiros para apresentar quadros que fossem exclusivos, inéditos e que pudessem ser reproduzidos nas capas de cadernos espirais, cuja coleção se chamou “Arte Aplicada”. E trazia, além das capas artísticas, uma minibiografia do autor e o método e material que ele utilizara para confecção da tela. Era realmente uma novidade e uma forma natural de divulgação da arte. Essas telas, depois de fotografadas foram emolduradas e colocadas numa “Galeria”, que era o corredor das salas dos Diretores da Melhoramentos. Não sei onde elas estão hoje, uma vez que o prédio está sendo reformado...
            Bem, o Dr. Murilo, que tinha muito conhecimento com vários artistas plásticos, e era amigo de um deles, o Sr. Nicola, que é autor de uma das capas, possivelmente através dele, fez contato com o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, que se interessou pelas obras e para a finalidade que foram feitas. Entenderam aquilo como uma manifestação cultural e divulgação de artes plásticas que era muito inteligente, pois os cadernos seriam utilizados por estudantes. Daí surgiu a ideia de se fazer uma Exposição dos quadros originais e das reproduções nas capas dos cadernos, lá na sede do Instituto Cultural em Washington. Para se ter uma “razão” de levar  as obras e convidar as pessoas para visitar a Exposição, foi feita uma atividade filantrópica. A Cia. Melhoramentos despachou cerca de duas mil unidades dos cadernos, que foram vendidos a por volta de US$ 5,00 cada, para ajudar ao Hospital Infantil de Washington. Ou seja, foi feita uma atividade cultural filantrópica e que teve muito sucesso.
            Logicamente a Melhoramentos não fez isto apenas para ajudar ao Hospital Infantil de Washington, mas foi também uma excelente maneira de introduzir e ao mesmo tempo testar a aceitação dos produtos nos Estados Unidos. Nesta operação descobriu-se muitas coisas e muitos interessados em importar “stationery” do Brasil por vários motivos. Um deles, obviamente era o bom preço, pois os produtos estavam enquadrados na lei que privilegiava certos produtos, de países em desenvolvimento, isentando-os do Imposto de Importação. Bem como o Brasil tinha uma Lei que não só isentava os produtos de todos os impostos, como ainda creditava o valor do IPI do produto exportado.
            Descobriu-se aí que os formatos dos nossos cadernos, bem como a pautação, a gramatura do papel, forma de comercialização eram bastante diferentes do Brasil, ou seja, teríamos que nos adaptar às exigências do mercado de lá. Foi assim que começamos a participar das feiras de produtos, principalmente em Nova Iorque, sendo a principal delas a “Back-to-School”, que era realizada sempre em meados de fevereiro, sempre com muita neve e frio, e, nos três primeiros anos acontecia no Colliseum – no cruzamento da Broadway com Central Park e Rua 59 – e depois no Javits Center, na 11ª Avenida, esquina com a Rua 34.
            Numa dessas feiras conheci o Sr. Dick Crawford, comprador da rede de supermercados Meijer, de Grand Rapids, Michigan, que gostou dos nossos produtos e propôs fazermos as capas com o nome da Empresa. Ele passou a vir ao Brasil todos os anos e descobriu que existiam outras fábricas de cadernos, que também passaram a participar das feiras. Então ele vinha ao Brasil, fazia um orçamento comigo, depois ia à Propasa fazia o mesmo orçamento e dizia que tinha os preços da Melhoramentos melhores. Então a Propasa baixava os preços para ele. Ia na Salesianos e fazia a mesma coisa. Ia na Tilibra e fazia a mesma coisa. A Tilibra, para pegar o cliente, baixava o preço para ele. Então voltava na Melhoramentos e me mostrava os preços da Tilibra e dizia que nem tinha negociado ainda. Poderia baixar mais. Então sentávamos, procurávamos acertar um preço para ele. Ele foi, por muito tempo, o melhor cliente que tivemos nos Estados Unidos.
            Até que chegou uma hora que tínhamos de resolver o problema e em conversa numa reunião na ABIGRAF, resolvemos formar um Consórcio para Exportação. Reunimos na sede da Melhoramentos, com Dr. Murilo, Sr. Anis Aidar e Anis Filho, da Propasa, Sr. Luiz Antonio da Tilibra e formamos o Consórcio, que se chamou PROTIME (PROpasa – TIlibra – Melhoramentos). E os nossos representantes nos Estados Unidos gostaram muito do nome. Lembro do Daniel Kendzie dizendo: “That sounds fine”.  Por motivos de antiguidade eu fui nomeado “Gerente do Consórcio Protime”.
            Na primeira visita que o Sr. Dick nos fez, após a criação do Protime, eu o atendi na Melhoramentos. Ele tinha marcado na Propasa à tarde. Quando chegou lá eu o atendi junto com o Sr. Sérgio. Na Tilibra, o dia seguinte eu o atendi juntamente com o Sr. Machado. Ele começou a rir e disse: “Vocês foram inteligentes, mas eu sei os preços que negociamos e vamos mantê-los. E, para mim é melhor! Vou ter menos trabalho...” Nota: melhoramos muito as margens de lucro dos produtos para nós, é claro!
            Não posso deixar de contar que logo depois de formar o Consórcio, fui apresentado ao Sr. Friedrich Dworak, da Trading austríaca Wipco, pelo Sr. Ocean que era Exportador da Cia. Suzano, e me foi pedido um orçamento muito grande. Não me lembro o número de cadernos, mas enchiam 88 containers de 20 pés e somava mais de um milhão de dólares. Era para um Príncipe Árabe abastecer seu território. E assim, pela primeira vez fui para Europa – embora já exportasse para lá, mas nunca tinha ido, sempre recebia as visitas aqui – fechamos um grande pedido de cadernos e as três fábricas trabalharam durante 60 dias e não conseguimos embarcar os 88 containers, pois a Carta de Crédito venceu e tínhamos embarcado somente 82 containers. Mas foi o maior pedido individual que consegui na Exportação de cadernos. Sei que no ano seguinte – e eu já não estava mais na Melhoramentos – foi feito um pedido ainda maior, pelo mesmo Príncipe, via Wipco. No dia que veio nos visitar, depois do pedido fechado o Sr. Dworack me trouxe um litro de whisky  Dimple Especial, que o tenho guardado até hoje, ou seja, há mais de 30 anos... Deve estar bom hein?       

 
            


                                                                                                           

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Yellow Legal Pad

Nicanor de Freitas Filho

            Eu trabalhei na Cia Melhoramentos de São Paulo, de 1977 a 1987, na área de Exportação, principalmente de Artefatos de Papel, que vem a ser cadernos, blocos, folhas pautadas para arquivos, ou os famosos “refills de 3 furos, para os americanos. É bom lembrar aos mais novos, que nessa época, usávamos blocos para escrever cartas, tomar nota de reuniões e os estudantes usavam escrever quase tudo que aprendiam nas aulas, em seus cadernos, que podiam ser “brochuras” para os menores, “espirais”, alguns mais sofisticados, ou folhas soltas para serem colocadas em arquivos. E o que eu vou contar aqui é muito mais antigo, pois começa no século XIX. Isto posto, na Melhoramentos foram dez anos de muita aprendizagem, principalmente com Oscar Destro Neves e Murilo Ribeiro de Araújo, além de outros excelentes e experientes colegas e muita diversão, porque não? Fiz nestes dez anos, quarenta e sete viagens para o exterior, sendo que os países que mais visitei foram os Estados Unidos, 16 vezes – se contar as vezes que fui só a Porto Rico – e 13 vezes ao Chile, o país onde fui mais bem recebido!
            No Chile além de ir para negociações, também ia para participar da FISA – Feira Internacional de Santiago. Nos Estados Unidos, também ia para negociações e teve anos que fui quatro vezes no mesmo ano, por causa das outras Feiras, embora a principal fosse a “Back-to-School”, participava de outras como “Gift Show” e “Stationery Show”, além de feiras que o Consulado nos pedia para participar, porque tinha alguma ligação com nossa área de papel.
            Na “Back-to-School” que era sempre em fevereiro e de curta duração – três dias – era a mais importante e no último dia, cujo expediente encerrava mais cedo, geralmente fazíamos troca das amostras que sobravam. Os americanos adoravam nossos cadernos espirais, com capas coloridas e artísticas, pois lá os cadernos eram todos de capas, geralmente de uma só cor, e somente com informações sobre o produto. Além dos cadernos outros produtos que gostavam muito eram dos pequenos bloquinhos de anotações, que geralmente eram denominados “mini pads”. Eu trazia muito papel de carta, tipo “Hallo Kitty”, Barbie, Disney etc. canetas, réguas e produtos como diários capa-dura com cadeados, e outros, pois sempre apresentavam novidades.
            Em 1979, no final da Back-to-School veio um dos participantes, que estava no estande da American Pad and Paper Company, que acredito ser uma das maiores no ramo, lá nos Estados Unidos, e me perguntou se eu produzia “Yellow Legal Pad”. O quê? Não sabia do que se tratava. Então ele me forneceu um pacote com 6 blocos, em papel amarelo, pautado em azul e com margem dupla em vermelho, num formato grande (8 ½’ x 14’) e me pediu para orçar cem mil unidades daquele bloco.
            Expliquei para ele que quanto à pautação, margens e formato, não via problemas, mas aquele papel amarelo não era comum no Brasil. Teria que ver com fabricantes. Perguntei se não poderia ser em papel branco apergaminhado, como chamamos o papel para cadernos e blocos. Ele então me explicou que aquele bloco era chamado de “Yellow Legal Pad” e que era muito utilizado nos Estados Unidos, principalmente porque ficou muito famoso, quando, em 1888, um Juiz de Direito, de Massachusetts, que despachava tudo em folhas de blocos chamados só Legal Pads – porque eram utilizados pelos Juízes – e que tinham aquele formato de 8 ½’ x 14’ e era realmente em papel branco. Mas que ele havia descoberto que alguns advogados (sempre eles) falsificavam principalmente prazos concedidos para defesa. Faziam isso passando um produto sanitário, que no Brasil chamamos de Cândida ou Qboa (hipoclorito de sódio), que apagava a letra dele e colocavam o prazo que queriam. Então, um senhor chamado Thomas Holley, que era conhecido fabricante de blocos de papel reciclado, resolveu o problema do Juiz, fabricando um papel amarelo, que se recebesse a Cândida apagava a letra, mas também ficava a mancha clara, quase branco. Ou seja, era praticamente, à prova das famosas falsificações. E me explicou ainda que o Juiz solicitou que se colocasse aquela margem dupla, vermelha, com distância de 1 ¼’, para que ele pudesse fazer anotações “à margem” do despacho dele.
            Achei muito curioso ele me dar aquela verdadeira aula de “Yellow Legal Pad” e me pedir um orçamento muito bom de cem mil unidades. Chegando ao Brasil, fui falar com o Oscar e o Dr. Murilo, este também diretor da Associação Brasileira de Fabricantes de Papel e Celulose. Falou com a Ripasa, grande fábrica naquela época, hoje pertencente à Cia Suzano, que se dispôs a fazer o papel amarelo, adicionando anilina amarela ao papel reciclado, para ficar mais barato. E aí começamos a produzir o famoso produto “Yellow Legal Pad” e nunca conseguimos exportar para a Amarican Pad and Paper Company, pois sempre queriam preço mais barato. Mas nosso cliente Agora International, de propriedade do Sr. Joseph Engel, não o maior, mas o melhor cliente que eu tive nos Estados Unidos, se interessou e fez uma primeira importação e conseguiu colocar na rede de lojas Woolworth, que é grande rede lá. Daí passou a pedir minipads também no papel amarelo e deslanchou de tal forma que as Papelarias brasileiras também se interessaram pelo produto, pois a Ripasa resolveu colocar o produto no mercado e outros fabricantes, principalmente Propasa e Tilibra também começaram a produzir inclusive para o mercado interno e o produto foi muito bem aceito, mas nos formatos brasileiros, principalmente o A4.  Depois descobrimos que nos Estados Unidos também se usava em outros formatos, como 8 ½’ x 11 ¾’, 8 ½’  x 11’ e 5’ x 8’e talvez foi o formato que mais conseguimos exportar para a Agora International do Sr. Engel. Esta é uma das contribuições de mercado que a Melhoramentos implantou e que pude participar. Esta era uma grande vantagem da Cia. Melhoramentos, a agilidade em desenvolver novos produtos.
Como tudo começou                                      Capa normal nos USA                Composition book
Capas Artísticas CMSP




                  Legal Pad - Mini Pad - Refills          Visita ao Sr. Joseph Engel em 1989 a passeio.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Amigo Secreto

Nicanor de Freitas Filho

            Nos quarenta e três anos que trabalhei, sempre houve nos finais de ano, as festas do “amigo secreto” ou “amigo oculto” como dizem no Rio de Janeiro. Sempre super- divertidas e muitas vezes difíceis de resolver dependendo do nome que você tirava... Nos últimos anos que participei, sempre era estabelecida uma faixa de preços para evitar “constrangimentos”. Lembro-me perfeitamente de um ano que, curiosamente um participante tirou o nome de quem tirou também o seu nome. Então na hora da entrega, um deles deu uma garrafa de cachaça ruim, com a curiosidade que a garrafa era toda amassada e segundo ele nem dava nem para guardar. Entretanto ele havia comprado para o seu “amigo” uma caneta Cross, que na época era cara para os padrões de amigo secreto. Naquele tempo – anos 70 – usava-se muito a caneta.
            Pois bem, tínhamos um colega na empresa, cujo apelido era “Bolinha” – lembra bem o Rodrigo Maia – e sempre muito “nervosinho” e vivia levando gozações. No jogo do amigo secreto, tirou o nome dele a chefe dos Serviços de Secretaria, que era muito divertida e criativa. Ela comprou de presente para Bolinha uma linda camisa social branca, pois era obrigatório o uso da gravata naquela época. Mas antes de entregar a camisa ela lhe entregou uma enorme caixa, provavelmente de um fogão, muito bem embrulhada com papel de presente, laço de fita e tudo mais. O Bolinha viu que não era um fogão, pois ela estava carregando a caixa. Ao desembrulhar encontrou uma caixa menor, também embalada para presente com laço de fita. Ao abri-la encontrou outra caixa menor e assim foram umas oito ou dez caixas, sempre bem embaladas até  chegar numa caixa menor que uma caixa de sapatos que parecia vazia, pois ele sacudiu e não fez barulho e estava muito leve. Ele pensou em jogá-la fora, mas não deixaram. Quando ele levantou a tampa, tinha uma “bolinha” de ping-pong, presa com fita adesiva. O “Bolinha” jogou-a no chão e sapateou sobre a caixa todo nervosinho... Depois de reclamar muito, no meio daquela papelada toda, a Secretária lhe entregou a linda camisa. Foi uma brincadeira muito bem bolada e executada, que nos fez rir muito. Inesquecível! 
            Anos depois, numa outra empresa, que ficava na Rua Quintino Bocaiuva, foi feita a festa do amigo secreto e foi estipulado o valor mínimo de Cr$ 30,00. Bem em frente a empresa, constantemente ficava um “Camelô-Ambulante”, que vendia um mundo de bugigangas, entre elas, uma Pantera-cor-de-rosa, de plástico que custava Cr$ 5,00. Essa empresa é a mesma em que ocorreu, um ano antes, a troca da garrafa de cachaça pela Caneta Cross. Então, lembrando-se do fato, o Contador da empresa disse, que pelo menos, não poderia ganhar a Pantera-cor-de-rosa, pois só custava Cr$5,00. Adivinha quem tirou o nome dele? A Secretária dele, que estava ao seu lado, quando disse sobre a Pantera-cor-de-rosa.  Ela comprou um par de sapatos que ele tinha visto e manifestado o desejo de adquiri-lo. Só que comprou também a Pantera-cor-de-rosa, e colocou-a junto com um saquinho de areia – para ficar pesado – na caixa do desejado sapato. Fez um lindo pacote de presente, com cartão e tudo mais. A tradição era que os presentes ficavam todos em cima da mesa de reunião e era sorteado o nome da pessoa que iria entregar o presente. Ele pegava o presente e dava algumas dicas sobre a pessoa que ia ganhá-lo. E só fazia a entrega quando o ganhador se descobria, com as dicas e se apresentava.
            Pois bem, a Secretária pegou a caixa de sapatos, falou alguma coisa sobre o Contador, ele por duas vezes chegou a se movimentar para se apresentar, mas ainda não tinha se convencido de que era ele mesmo. Até que ela deu a dica do sapato ele se apresentou, pegou o pacote todo feliz, estava pesadinho por causa do saquinho de areia e abriu o pacote. Quando deu de cara com a Pantera-cor-de-rosa, deitadinha em cima do saco de areia, a reação dele foi exatamente igual à do Bolinha – que ele nem conhecia – jogou no chão e sapateou sobre o brinquedo de plástico, destroçando-o... Não dava nem para levar de presente para alguma criança... Aí então, a Secretária pegou um saquinho, desses de cordão e entregou para ele o sapato desejado, antes que ele sofresse um infarto!
            Ambos, os presenteados – Bolinha e o Contador – ficaram muitos bravos, mas para nós que assistimos as brincadeiras, foi tudo muito divertido, tanto que não esqueço!