No
dia que postei “Vestibular para Economia” recebi, por e-mail, o seguinte causo
do Dr. José Geraldo Filomeno, Promotor aposentado, que tive o prazer de
conhecer durante uma viagem em 2014, contando algo parecido. Aliás, nós que
nascemos nos anos 40/50, praticamente passamos por tudo isto, de modo muito
parecido.
Curiosamente, vocês vão ver que nos
meus causos, já contei muito sobre minha vinda para São Paulo, em março de
1964, para fazer cursinho – no caso para Agronomia – mas acabei fazendo mesmo
Economia. Curiosamente, consegui tirar minha primeira Carteira Profissional no
dia 19 de março de 1964, que foi o dia da maior manifestação contra o Governo
de Jango Goulart, aqui em São Paulo, que chamaram de “Marcha da Família com
Deus pela Liberdade” e dizem que participaram cerca de um milhão de pessoas,
que foram da Praça da República à Praça da Sé. No dia 31 de março houve a
“revolução”, o que atrasou meu registro na Carteira Profissional, que só
aconteceu com data de 1º de maio de 1964 (acreditem, o primeiro registro na
minha CP é do Dia do Trabalho).
Mas leiam o causo dele que é
realmente muito curioso:
Meu Curso
Clássico
José Geraldo Filomeno
“Minha história é parecida. Como
odiava matemática, recusei-me a fazer o Curso Científico lá na minha terra,
Mogi Mirim. Isto porque o Colégio Estadual somente disponibilizava esse curso
médio, além do Normal. Curso Normal, naquela época era praticamente destinado
às moças que queriam ser Professoras.
Meu pai, então, foi falar com o
diretor que exigiu, no mínimo, 15 pretendentes para criar o Curso Clássico.
Mas, além de mim, somente conseguiu mais 4 pretendentes. Resultado: fomos nós
--- três rapazes e duas moças ---, estudar em Itapira, distante 16 quilômetros, mas naquela época as estradas não eram muito boas!
Saíamos de madrugada (1962) num velho “carro de praça” (táxi era para cidade
grande!) um Ford 1946, e voltávamos de ônibus depois das aulas, também num
Colégio Público. As moças não aguentaram nem dois meses e voltaram para Mogi
Mirim para o Curso Normal. Um dos meus amigos faleceu durante as férias de
janeiro/fevereiro, em 1963, num acidente de carro, o outro repetiu de ano, e
então fiquei sozinho para o 2º ano, viajando diariamente.
No 3º ano, já em 1964, foi que meus
pais me mandaram para S. Paulo para fazer o Cursinho Castelões também em
conjunto (na R. São Bento). Nessa época fui morar no apartamento de uma tia,
irmã de meu pai, professora primária, no bairro da Aclimação. No dia 31 de
março, à noite, meu pai ligou mandando que eu voltasse imediatamente para Mogi
Mirim, porque ele fora informado de que havia uma “revolução” em curso, e ele e
minha mãe ficaram muito preocupados. Peguei o “Cometão” (linha São Paulo/Poços
de Caldas) no dia seguinte, 1º de abril, aliás, véspera do meu aniversário, e
no pedágio, perto de Jundiaí nosso ônibus foi parado por um destacamento do
exército que pediu documentos para todos os passageiros. “Molecão” então com 16
para 17 anos, não tinha atinado com a situação, e cheguei em Mogi Mirim na hora
do almoço, para alívio dos meus pais. Por “ordem” paterna, somente retornei a
São Paulo 15 dias depois, quando, segundo o velho, as coisas estavam “mais
calmas”.
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Nicanor de Freitas Filho