sábado, 29 de abril de 2017

Autoridade e Comando!

Nicanor de Freitas Filho

            No Estadão de domingo, 23 de abril, o Fernando Veríssimo, escreveu uma crônica onde ele falava de momentos marcantes. É claro que tenho, seguramente, mais de 50 momentos inesquecíveis, bons e ruins. Por exemplo: aos 8 anos, minha mudança de volta do Veríssimo para Araxá, meu casamento, nascimento de minha filha, de meus netos, formatura, volta da parada cardiovascular e infarto, e, também inesquecíveis perdas, de meus Pais, de meu irmão, de sobrinha e sobrinha neta. Mas isto é, digamos assim, muito íntimo!
            Então, resolvi “lembrar” de um fato, para mim marcante, embora possa parecer para muitos, uma coisa normal. Vamos lá.
            Primeiro tenho que lembrá-los, que com 12 anos fui estudar na Escola Agrotécnica de Muzambinho, onde tomei uma bomba, em Francês, e por isso fiquei lá 5 anos, até me formar em “Mestre Agrícola”. Uma vez que por motivos políticos, tinha sido tirado daquela Escola, o Curso de Técnico Agrícola, tive que procurar outra Escola Agrotécnica, para fazer meu curso de Técnico Agrícola. Fui para a Escola Agrotécnica Augusto Ribas, em Ponta Grossa, no Paraná.
            Na Escola de Muzambinho, no primeiro ano, com idade de 12 anos, era um dos menores alunos da Escola. No desfile de 7 de Setembro de 1956, como era a regra, os pelotões eram formados por um “Chefe do pelotão”, três “Serra filas” (que iam um pouco à frente do pelotão) e o “Pelotão” composto, geralmente, de 30 alunos, alocados em ordem de tamanho, em três fileiras. Os maiores à frente. Nesse primeiro ano fui o último do último pelotão da Escola. Posição de destaque não é? Eu ficava na fila da direita e o Zangão (Paulo Castro) no meio. Não me lembro quem era o terceiro.
            Em 1957, progredi para “serra fila” do terceiro pelotão. No ano de 1958, como estava repetindo o segundo ano, tive muita facilidade e tirei muitos 10 (exceto em Francês), porque as matérias todas  já eram conhecidas. Com isso, tornei-me um ótimo aluno e, por causa disto, fui escolhido para ser o Porta Bandeira. Era um posto que tinha pertencido aos melhores alunos da Escola como Cuiabano e Cotegipe.
            No meu quarto ano de escola, 1959, consegui meu sonho de entrar na Fanfarra. Minha vontade era tocar um surdo bijuzeiro, mas tinha muita concorrência e fiquei mesmo com uma Caixa de Guerra, que toquei nos dois últimos anos que lá estive. Mas eu aprendi quase tudo de Fanfarra. Sabia 23 cadências diferentes. Tocava qualquer um dos instrumentos da bateria, porque antes dos ensaios, pegávamos todos o instrumentos. E eu amava a Fanfarra. Gostava muito e me sentia um “astro” no setor da  bateria da Fanfarra. Nunca consegui tocar corneta. Não tinha embocadura!
            Aliás, sempre gostei muito de Fanfarra! Lembro-me, muito pequeno, vendo os alunos do Colégio Don Bosco, de Araxá, descendo a Av. Imbiara e Av. Antonio Carlos. Eu admirava nesta época o tarol. Eu o escutava com a seguinte onomatopeia: “toma limonada, prá cagá de madrugada... toma limonada, prá cagá de madrugada...”
            Em 1961 tive, então, que ir para Ponta Grossa. A Escola de lá estava no seu segundo ano de funcionamento como Escola Agrotécnica e era mais conhecida como “Abrigo”, pois foi construída para ser um abrigo de menores. Tinha poucos alunos, talvez o número não chegasse 60. Era somente o 1º e o 2º anos de Técnico Agrícola. 
         Ao chegar, já fui perguntando pela Fanfarra. Mesmo porque tínhamos ido em quatro colegas, de Muzambinho para Ponta Grossa e todos os quatro tocavam na Fanfarra. Infelizmente não tinha nada! Mas o Diretor, Dr. Marcelo, me indicou um Capitão amigo dele e autorizou-me dirigir ao Quartel do Exército, que ficava a cerca de pouco mais de 1 Km da Escola e pedir emprestado alguns instrumentos para começarmos a montar a Fanfarra. O Capitão que me atendeu, não só nos emprestou cerca de 15 instrumentos usados que tinham lá, sem uso, como disponibilizou um Sargento para nos coordenar numa “Ordem Unida”, como eles chamavam. Uma semana depois recebemos os instrumentos e o Sargento – que não me lembro o nome – para nos instruir. Dentre os instrumentos tinha um surdo grande, um menor e quatro surdinhos, dois taróis, seis caixas de guerra e duas cornetas.
         Só o Ratinho tocava corneta. O Ivo era cobra no tarol e o Robel tocava muito bem caixa de guerra. Assim, para fazermos do nosso jeito, peguei logo o surdo grande, que apesar de não ser um “bijuzeiro” era com ele que tinha que me virar. Procuramos entre os outros colegas quem queria aprender e formamos uma Fanfarra com 13 instrumentos de bateria e uma corneta. Ninguém conseguiu aprender a tocar corneta. O Ratinho ficou sozinho... Os outros instrumentos, tinham alguns que já conheciam e se adaptaram logo às nossas cadências e assim em menos de um mês, já estávamos tocando umas 12 cadências diferentes. O Sargento conduzia as “Ordens Unidas”, ensinava o pessoal a marchar, movimentar os braços e as pernas na cadência e no passo. Mas na Fanfarra não precisou ensinar nada. Sabíamos mais que ele. A Fanfarra era eu quem a conduzia.
         Veio para a Fanfarra um colega chamado Pichetti, que ficou com o outro surdo médio. E num determinado dia que o Sargento estava lá (treinávamos muitas vezes, sem a presença dele) o Pichetti pegou o meu surdo, antes que eu chegasse na salinha dos instrumentos. Eu disse para ele, que o surdo era meu. Ele, muito maior e mais forte, disse que os instrumentos não tinham dono. Ele ia tocar aquele surdo e ponto final!  Não discuti. Apenas fui formar com o pelotão, para marchar. O Alceu, que tocava sempre um surdinho, pegou o surdo médio e fomos para o pátio. Tudo formado, percebi que o Sargento não me encontrou e disse para o Pichetti iniciar. A Fanfarra começou a tocar, nós fomos marchando atrás, mas ficou só na primeira cadência. O nosso forte era a sequência de cadências, que quem as determinava, era eu. Notei que o Sargento conversou com o Pichetti e teve uma hora que o Ivo e o Robel participaram da conversa. Via que ele fazia sinal com a mão para trocar de cadência, mas nada acontecia. Eu fiquei na minha.
         O Sargento, que já estava acostumado a ouvir aquele som harmônico e variado, parece que percebeu o que estava acontecendo e deu um “auto” bem em frente à escadaria do prédio principal.  Parou a Fanfarra e perguntou: “Cadê aquele surdeiro que ficava aqui na frente?” Eu continuei na minha. Como ele estava no segundo degrau da escada, ele podia ver a todos. Reconheceu-me e me chamou. Perguntou: “Por que você não está tocando hoje?” Eu disse que quando cheguei não tinha mais surdo e que não ia tocar mais na Fanfarra. Ele então disse: “Isto aqui tem que ter ordem! Como assim, que não tinha um surdo para você?”. Eu simplesmente abri as mãos, com dizendo: “não sei”. Ele então me perguntou qual era o surdo que eu vinha tocando. Eu apontei para o Pichetti.  E então aconteceu o momento marcante, inesquecível...
         Ele fez sinal para eu ficar ali, no primeiro degrau, junto dele, e disse que “Ordem Unida” é como se estivéssemos no Exército. Tinha hierarquia e comando, e, tudo se resolveria por meritocracia – foi a primeira vez que ouvi tal palavra – e naquele momento ele estava me nomeando “Chefe da Fanfarra”. Eu teria poder para escolher e determinar quem ia tocar o quê, e em que formação. Ele falou com tanta ênfase e autoridade, que imediatamente o Pichetti veio me trazer o meu surdo – que eu queria que fosse um bijuzeiro, mas não era – e foi pegar o que ele sempre vinha tocando. Reiniciamos a “Ordem Unida” a Fanfarra tocou muito bem e, aliás, correu tudo muito bem. Nunca, ninguém tocou no assunto, tal a força de autoridade e de comando, que o Sargento me passou naquele momento.
         Fizemos, naquele ano, pelo menos quatro excelentes desfiles, com evoluções muito boas, que contarei mais a frente: no aniversário da cidade vizinha de Palmeira, 7 de abril, no 7 de Setembro, nos jogos da Primavera e no 15 de Novembro (aniversário de Ponta Grossa).
            Concluindo: falta ao Brasil, neste momento, autoridade e comando!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Caráter

Nicanor de Freitas Filho

            Assim que terminou o jogo São Paulo 0 X 2 Corinthians, no último dia 15, que não assisti ao vivo, pois não tenho PPV, fui para Internet e vi os principais momentos. Quando assisti a cena do Cartão Amarelo para o Jô e em seguida a postura do Rodrigo Caio, informando que foi ele quem pisou na perna do goleiro Renan e não o Jô, fiquei abismado, pois há poucas semanas atrás, num jogo contra o Palmeiras, todos os jogadores do Palmeiras viram que quem deu o puxão no Keno, não foi o Gabriel, mas sim o Maycon, mas nenhum jogador do Palmeiras “ajudou” o árbitro. E, embora os auxiliares o avisassem do “equívoco”, ele, mesmo assim, expulsou o jogador do Corinthians. E ainda o Dudu, do Palmeiras, quase agrediu o Gabriel, por estar “retardando o jogo”, segundo explicou depois.
            Bem, isto agora pouco importa. Foi só para mostrar qual é o padrão brasileiro do caráter no esporte. É a Lei do Gerson! Ou como disse o Maicon (SPFC)  em entrevista após o jogo: “...prefiro que a mãe dele chore e que a minha fique alegre. Não falaria nada...” Ou a própria entrevista do Rogério Ceni, que disse que ele fez o que achou melhor, deixando claro que não gostou da atitude de seu jogador!
            Rodrigo Caio, você é um homem de caráter! Isto hoje no Brasil, e, principalmente no futebol, é muito difícil de encontrar. Quero, não só parabenizá-lo, pela sua atitude honesta, ética, que mostra todo seu caráter, como lhe dizer que você deu uma aula de moral e ética, uma aula de fair play, a todos os que assistiram o jogo. E foram muitos... Tanto que logo à saída o próprio Jô, confessou que, a partir daquele momento, vai mudar muito suas atitudes e sua maneira de agir, dentro de campo, pois sentiu a “mais-valia” de uma postura como o sua. Parabéns por sua atitude! Parabéns pelo seu gesto! Parabéns pela sua educação! Parabéns por sua postura! Parabéns pela sua “aula”! São atitudes assim que vão mudar o caráter e a forma de agir de outros jogadores, treinadores e dirigentes esportivos, e, quiçá, um dia, também dos políticos!
            Levou-se muito tempo para se instituir o fair play de colocar a bola para fora quando um jogador se machuca, mas se conseguiu. Porque você não pode conseguir, com este belo gesto, mudar o fair play em todo o jogo? Eu estou começando, hoje, a campanha para que isto ocorra. CAMPANHA FAIR PLAY RODRIGO CAIO! Parabéns!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Estou Indignado!

Nicanor de Freitas Filho

            Não sou eu que estou indignado. São todas as pessoas, com um mínimo de caráter, que vivem neste nosso país! Nós já estávamos “indignados” há algum tempo, mais precisamente desde a CPI dos Correios, que se tornou no “Mensalão”. Três pessoas, naquela época, cometeram falhas imperdoáveis. O Deputado Roberto Jefferson, que delatou e batizou de “Mensalão” mas isentou o Lula, pois o inimigo dele, naquele momento era só o Zé Dirceu, que foi quem ele atacou e conseguiu a cassação do mesmo. Se ele tivesse contado tudo o que sabia teria denunciado a pessoa certa também! Depois, quando o Duda Mendonça confessou o recebimento de 10 milhões de dólares no exterior, ACM, Sérgio Guerra e FHC, disseram que não pediriam o impeachment do Lula, para vê-lo “sangrar” até o final do mandato. Ele, não só se reelegeu, como elegeu e reelegeu a Dilma!
            Agora, em 2014, quando o Dallagnol denunciou e o Juiz Moro acatou e mandou prender um monte de bandidos, com a Operação Lava-Jato, começamos a tomar conhecimento de várias falcatruas, perpetradas pelo PT, que nos deu muita esperança de ver os bandidos presos. Políticos com mandato, somente um foi preso e solto logo em seguida. Têm Foro Privilegiado! Já na Primeira Instância, o Juiz Sérgio Moro, já condenou e prendeu uma grande quantidade de ex-políticos e lobistas, cambistas, ex-diretores de estatais e empresários desonestos. A partir daí, tivemos conhecimento de muitas e muitas falcatruas, coisas assim, quase inimagináveis, como nomear o Lula Chefe da Casa Civil, para proporcionar-lhe o Foro Privilegiado. Não deu certo, porque, espertamente, o Juiz Moro vazou uma gravação, que comprovava o que estava ocorrendo. Veio o impeachment da Dilma, a cassação e prisão do Eduardo Cunha. Mas tivemos a decepção de não ver o Lula preso.
            Depois de muito tumulto e muita mentira e muitas tentativas de “matar” a Operação Lava Jato, finalmente a Odebrecht resolveu fazer a tal da leniência e delação premiada, para mais de 70 executivos, incluindo o Presidente Marcelo Odebrecht (preso há três anos) e o pai dele Emílio Odebrecht.
            Após esperarmos por vários meses, foi feita a tal delação. Quando estava pronta para ser homologada, faleceu o Ministro Teori. Foi sorteado um novo Ministro – o Fachin – para substituí-lo que finalmente acatou e deu publicidade às gravações e vídeos das tais delações. Foi o que mais me indignou! O primeiro vídeo que vi foi do Marcelo, que relata tudo com uma naturalidade que nos causa nojo! A grande Odebrecht, nunca passou de uma “contratadora” de políticos terceirizados, para aprovar Leis e MPs que lhes dariam lucro, de índios para não atrapalhar seus negócios, de fiscais para não lhes fiscalizar, para políticos se enriquecerem, para filhos dos políticos, amigos dos políticos e construíam tudo com material de terceira categoria, gastando muito pouco nas obras e obtendo muito lucro e roubando para dar, principalmente, aos políticos. É lamentável que uma empresa, adquira nome roubando e corrompendo, no Brasil e no Mundo, e, segundo o Emílio, há três décadas.
            Foi aí que me veio a indignação. A maneira como ele relatou isso aos Promotores, com uma naturalidade impressionante, dizendo que tudo que ocorreu foi normal e já ocorria no tempo do pai dele (Norberto Odebrecht). Ele foi tão acintoso, que o Promotor chegou a pedir para ele “parar com historinhas”. Ele falava como se estivesse brincando ou fazendo piadas, rindo o tempo todo... Até o Lula se indignou, pois num vídeo que foi feito de uma entrevista, que ele deu a uma rádio, ele disse algo assim: “se quiseram dar dinheiro para meu filho, para meu irmão, eu não tenho nada com isso, deram porque quiseram”... Meu Deus! Onde estamos?
            Daí para frente, todos os relatos que tive oportunidade de assistir, só me deu nojo! Como pode “altos executivos” se portarem dessa forma. Não demonstraram vergonha, não mostraram arrependimento e trataram tudo como uma “brincadeira”, uma coisa de somenos importância, coisa corriqueira, fazia parte das funções deles... Que vergonha!
            Por outro lado, devidamente orientados pelos “grandes” advogados, colocaram no bolo todo mundo, das três décadas, porque assim são todos iguais. O Lula deixou de ser o comandante máximo da corrupção. Todos são iguais a ele. Pelo menos no modo de ver dos petistas e dos delatores.
            Já indignado, na sexta-feira da paixão, no Jornal da Manhã da Jovem Pan, foi entrevistado o "grande advogado" dos políticos, o Kakay, que disse um monte de m... Por exemplo: 1 – “...o impeachment se deu por incapacidade política da presidente, não por crime...” 2 – “...o Vice Presidente assumiu a Presidência sem muita legitimidade...” 3 –“...não podemos tirar a política dos políticos, porque senão vai aparecer algum impostor, dizendo-se salvador...” (Nesta hora lembrei-me do Lula, que assim apareceu) 4 – “...todo o processo da Lava Jato, nas mãos de um só Juiz é inconstitucional...” 5 –“...não se pode nem fotografar depoentes, quanto mais filmar e divulgar...” (Nessa hora eu pensei, o povo só reagiu porque tomou conhecimento dos depoimentos, inclusive pela forma como foram divulgados. Sem isso não haveria  Lava Jato, o Juiz Moro não teria o apoio que tem).
            Outro grande motivo para a minha indignação é o fato da Receita Federal nunca ter “percebido” nada! Só da Odebrecht saíram 10 bilhões de reais para os políticos... Meu Deus! Será que não tem nenhum “Auditor Fiscal” capaz de ver algo nisso? Por que da minha indignação com a Receita Federal? Porque no ano que fiz dez implantes dentários tive que efetuar o pagamento de 30 mil reais no mesmo ano. Caí na malha fina, porque “a despesa é exagerada”, segundo me explicou o Auditor que me fez levar, extratos bancários, declarações, cópias de cheques, de TED e como um dos cheques, meu dentista tinha repassado, no pagamento de salário do funcionário do consultório, e este o recebeu na boca do caixa, tive que levar cópia da Carteira Profissional com a declaração do dentista da veracidade do registro. Olha que foram 30 mil reais...mas foi notado o “exagero” do valor do meu pagamento!
            Vamos ver se minha indignação passa, depois do dia 3 de maio...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Rá-tim-bum

Nicanor de Freitas Filho

            Recebi uma mensagem (sonora), via WhatsApp, e prefiro não citar nomes, nem de quem a enviou, nem de quem a gravou, mas fala que a palavra “rá-tim-bum” é de origem persa e quer dizer: “Eu te amaldiçoo”. Ou seja, cada vez que cantamos os parabéns para um amigo – e principalmente para crianças – e no final fazemos o “é pique...” “é hora...” “rá-tim-bum...” estamos dizendo: “Eu te amaldiçoo!”
            Aí eu fiquei pensando, como tem gente que gosta de inventar as coisas e sempre com muita maldade e, geralmente, de forma errada e na maioria das vezes mentirosa, invencionista e tola.
            Há algum tempo, recebi, no dia do meu aniversário, um texto enviado pelo site “Migalhas” (trata de assuntos jurídicos), do qual sou assinante, cumprimentando-me e contando uma das origens de se fazer a brincadeira no final do “Parabéns pra você” dizer: “é pique, é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá-tim-bum...”e fala o nome da pessoa homenageada.
            "Rá-tim-bum", é a onomatopeia dos sons de 3 instrumentos de Banda Marcial ou Fanfarra: “Tá-rá-rá tim bum”, que se usa para encerrar uma pauta. Na verdade seriam: "Tá-rá-rá" onomatopeia do tambor ou tarol, "Tim" onomatopeia dos pratos e "Bum" onomatopeia do surdo ou bumbo. Que para dar o ritmo, à brincadeira, ficou "Rá-tim-bum". O camarada que divulgou isso aí, não sabe nem o que se fala. Ele inventou que, quando finalizamos, na verdade – misturando inglês com português e com persa, dizemos: “É grande, é hora, eu te amaldiçoo!” Pra começo de conversa não se diz "é big" mas sim "é pique", não tem nada a ver com grande em inglês.  Se na língua persa existe um som parecido com "Rá-tim-bum" não tem nada a ver com a nossa onomatopeia .
            Reproduzo aqui o texto recebido de Migalhas, pois acho que não tem nada de mais reproduzi-lo, citando a fonte e a autoria:
“E assim nasceu o "pique-pique"...
Adriano Marrey*

As gerações de bacharéis veteranos concorreram para a formação do mais rico folclore acadêmico, ou melhor, para o que se chama de suas "tradições".
Foram os estudantes de uma turma próxima de 1930 os que criaram, um dia, o popular "pique-pique", que atualmente todos cantam nos dias festivos.
Poucos conhecem a sua singular origem. Escreveu Guilherme de Almeida, a que se reportava o querido amigo Lauro Malheiros, em seu comovente livro de memórias intitulado "Rosas no Inverno", que três estudantes, da turma que colaria grau em 1927, eram então amigos inseparáveis nas horas de boemia. Um deles – Ubirajara Martins de Souza – usava um extraordinário bigode de pontas finas e retorcidas para cima e por isso era apelidado de "pique-pique". Outro, era Mário Ribeiro da Silva, "inteligência viva e afinado senso de humor" e que apreciava desconsertar os interlocutores mais austeros, interdizendo no meio das conversas frases desconexas, como esta : "Veja você, heim? Meia hora...". O terceiro era Aru Medeiros; e juntos constituíam o grupo do "Pudim"...
Numa noite em que bebericavam o seu "chope", no bar Pérola do Douro, sendo aniversário de Ubirajara, Mário o brindava, gritando: "Pique-pique, pique-pique, pique-pique". Retrucou, então, Ubirajara: "Meia hora, meia hora, meia hora". Daí, para emendar com "Rá-rá-tchin-bum", foi um relâmpago. Estava criado o hino do "Pudim", o grito de guerra de toda a estudantada.
Recordou Guilherme de Almeida que "no dia seguinte visitava a Faculdade de Direito o Marajá de Kapurtala. Entre outras manifestações, recebeu nas bochechas ilustres, berrado de perto, o primeiro ‘pique-pique’ oficial. Gostou e manifestou alto interesse pela harmonia e sugestiva língua falada no Brasil"...
Concluiu Lauro Malheiros – "foi assim que nasceu o 'pique-pique’ em São Paulo. Entre estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco".
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* Extraído da oração proferida na solenidade realizada na Faculdade de Direito de São Paulo, pela OAB/SP, em homenagem aos bacharéis em Direito com mais de 50 anos de exercício. O discurso foi depois impresso com o título de "Saudade das Arcadas".


            Isso nos mostra o quão invencionista e maldoso, quem inventou e difundiu essa “lorota” de que “rá-tim-bum” é de origem persa e quer dizer “Eu te amaldiçoo”. Ora, se as palavras, até numa mesma língua, tem significados diferentes em outro pais, o que dirá de línguas tão díspares. Por exemplo, em Portugal chamar as crianças de “putos”, as moças de “raparigas”, não tem nenhum problema, pois lá tem o seu significado correto. Imagina se o espanhol, quando comer uma saborosa comida, não vai poder dizer que estava “exquisita” (deliciosa), porque aqui no Brasil tem outro significado.  Nada a ver, como diz meu neto...
            Vamos continuar cantando os parabéns, emendando com “é pique... é hora...rá-tim-bum” e viva o aniversariante!

domingo, 19 de junho de 2016

Futebol Brasileiro atual...novamente...

Nicanor de Freitas Filho

            Há um ano, mais precisamente no dia 11/07/2015, escrevi aqui no Blog, sobre o Futebol Brasileiro, logo após a vergonhosa – que eu achava que era vergonhosa – participação na Copa América, no Chile. O que dizer hoje? Se aquela participação foi vergonhosa a participação na Copa América Centenário, nos USA, foi o quê? Não tem como definir! Desculpem-me, mas não tem como definir. Ver o Dunga, com aquela “cara de bunda sem lavar”, com substituições para fazer e preferir não fazer nada!
            Está acontecendo o que previ no ano passado. Continuam lá o Del Nero, o Gilmar Rinaldi e o “Cara de bunda”, desculpe é Dunga... Sabe o que estamos fazendo? Sim, andando para trás. Quando puseram lá o Dunga em 2010, ele era um ex-jogador razoável, que tinha sido o Capitão da Seleção de 1994. Mais nada. É claro que não ia dar certo, pois lhe faltava experiência e liderança. Ele se baseava muito nos conhecimentos de Jorginho, que também não eram mais que um ex-jogador razoável. Ou seja, experiência zero.
            Pergunto: se você vai procurar um cirurgião para uma cirurgia difícil, você vai atrás de um recém-formado ou procura um cirurgião de renome e experiente? Se você precisar de contratar um piloto para um voo particular, você vai contratar um experiente piloto com mais de quinze mil horas de voo, ou vai contratar um que tirou o brevê a 6 meses?  Se uma empresa precisar de um CEO, ela vai preferir promover um experiente funcionário, que conhece a empresa há mais de vinte anos ou vai promover um que começou há menos de um ano? Se for ao mercado, vai contratar um que já tenha sido CEO em empresa correlata com bastante experiência, ou vai contratar um desconhecido, que nunca exerceu função similar? Será que é fácil de decidir, quando tem no mercado pessoas que estudaram e se preparam para aquela função que você está procurando? Fácil de decidir não é? Ainda mais tendo grana suficiente para pagar o melhor salário do mercado? É facílimo de decidir! Quer dizer, não para qualquer um. Quem não pode viajar com a Seleção, para o exterior, por problemas... deixa prá lá. Vamos voltar ao nosso assunto.
            Aí quando deu tudo errado em 2010 –  por pura falta de experiência do Líder da Equipe, o mesmo “Cara de bunda”, perdão o Dunga – a vetusta direção da CBF voltou no tempo e contratou um Técnico de dez anos atrás. Que já estava, notoriamente, fora do seu melhor. Já não conseguia mais um bom resultado desde que treinou a Seleção de Portugal, que aliás tinha tudo para ganhar a Eurocopa de 2004 e perdeu a final para a Grécia! Lembram? Gol do Charisteas (não sei se é assim que se escreve). Aliás perdeu o jogo de abertura e a final para a mesma Grécia. Então para a gente não achar mais que o maior vexame, do futebol brasileiro, foi o de “Maracanazzo” de 1950, levamos os 7 a 1 do “Mineiraço”, com o grande técnico, prepotente, invencionista e já desatualizado. Hoje está ganhando dinheiro na a China!
            Tá bem. Vamos renovar disse a CBF. Contrataram o “agenciador” de jogadores, Gilmar Rinaldi, para direção do futebol da CBF, que imediatamente retroagiu novamente, só que de forma muito pior. Mandou chamar de novo o “Cara de bunda”, desculpe, o Dunga, pelo belo trabalho apresentado na África do Sul em 2010. Ou seja, só andamos para trás! Lembram que o Pepe Guardiola (atual técnico campeão alemão)deu uma declaração que teria a maior honra e o prazer de dirigir a Seleção Brasileira, que era sua grande inspiração? Por que não?

            (Esse artigo foi escrito até aqui, no dia 13/06/2016. Não publiquei porque sempre gosto de rever o português, as concordâncias e as palavras que se adaptam melhor ao que quero expressar. Sei que tenho dificuldades na escrita. Tendo ocorrido novidades vou continuar escrevendo. Então entendam que a primeira parte tinha uma finalidade e agora repetindo as palavras do nosso Presidente Roberto de Andrade, estou “puto” da vida com a CBF).

            No dia 15 de junho, ficamos sabendo que a CBF despachou o Gilmar e o “Cara de bunda”, digo Dunga e contratou o Tite com toda a Equipe Técnica Corinthiana. Pela terceira vez a CBF “ferra” com o Corinthians e é por isso que estamos “putos” da vida! Primeiro foi com o Wanderley Luxemburgo, depois com o Mano Menezes e agora com o Sr. Adenor Bacchi – o grande Tite – que foi tirado do Corinthians, onde implantou uma filosofia de jogo há um bom tempo, e, que tem dado certo. Mesmo perdendo o time titular do ano passado, quase todo, o Tite conseguiu manter um time com um padrão de jogo! Agora, começar de novo...
            E ficamos com receio do que possa acontecer com o Tite – hoje o melhor treinador em atividade no Brasil – porque a CBF não é confiável. Pode ocorrer com o Tite o que aconteceu com Leão, Felipão (7 a 1), Luxemburgo e Mano, ou seja, não conseguir mais ser um competente Técnico de Futebol, pois parece uma “praga”, passar por essa CBF de Teixeira, Marin e Del Nero, corrupta e incompetente. Será uma pena, se isto acontecer!
            Como disse o presidente do Corinthians, O Tite merece a Seleção mas a Seleção não merece o Tite. Acredito que poderia ter agido como o Muricy, não aceitando o cargo, por ter contrato com o Clube, mas, também reconheço que ele – o Tite – se preparou para este momento, que dificilmente se repetirá.
            Ele fez bem em, pelo menos, não aceitar o comando da Seleção Olímpica, pois não terá tempo, visto que faltam menos de cinquenta dias para o início da competição. Ele prefere já começar o planejamento para as eliminatórias sul-americanas. Talvez ele venha a ajudar a “quebrar” minha profecia de que o Brasil não se classificaria para a Copa de 2018, se nada mudasse na CBF! (Brasil hoje é o sexto colocado, portanto fora do Mundial). O principal não mudou, mas o Tite é muito competente e pode resolver sozinho! Pior, se não conseguir classificar o Brasil, para Copa de 2018, a culpa será todinha só dele. Se classificar, o mérito será da CBF que o tirou do Corinthians para salvar a Seleção!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Eu sei que vou te amar...

Nicanor de Freitas Filho

            Em outubro do ano passado, eu tinha ouvido um CD de MPB, e no dia seguinte, fiquei cantarolando, o dia todo “Eu sei que vou te amar...” Sabe assim... quando a música não sai da cabeça da gente... Quando fui buscar os meus netos no Colégio, a minha netinha ouviu meu cantarolar e perguntou: “...que música é essa, vovô?” Então cantei um pouco mais para ela, que gostou muito da música. Mais tarde pediu para cantar de novo. Demonstrou ter, realmente, gostado.
            Já fazia mais de 6 anos que eu não tocava violão. Mas, à noite, peguei-o e o afinei e treinei cantar a música. No dia seguinte, com os dedos doloridos, pela falta dos calos, que só aparecem com o tempo e a prática, cantei a música inteira para ela. Ela prestou muita atenção e disse que gostou. É bom esclarecer que ela estava então com três anos e oito meses.
            Depois de cantar algumas vezes, ela me olhou assim de um jeito bastante interessada e me perguntou: “Vovô, o que é sofrer?” Eu fiquei em dúvida de como responder e tentei explicar que ele – o autor da música – “sabia que ia sofrer” porque ela – a namorada dele – ia embora. Ela então, de pronto disse assim: “Ah! Mas então é saudade?” Eu comecei a me enrolar para explicar para ela o que era “sofrer”. Fui dando exemplos, falei que, às vezes, é dolorido para gente, até que ela disse: “Entendi! Quando a gente cai e machuca a gente sofre?” É, acho que ela entendeu direitinho!
            Quando foi no mês de dezembro, perto do Natal, ela foi com o irmão, os Pais e os avós paternos, visitarem a Bisavó, que estava numa Clínica de Repouso, pois não andava muito bem de saúde. Lá, num dia festivo, estavam quase todos no pátio e para alegrar tinha um senhor, já de cabelos brancos, tocando violão. Ela foi se chegando para perto do cantor e ficou observando. Ela gosta de música! Quando ele terminou uma música, perguntou para ela se ela gostava de música e ela respondeu: “Muito!” Ele então perguntou para ela de qual música que ela gostava, para ele cantar para ela. Ela disse: “A música da Frozen”. Ãh? Ela repetiu: “A música da Frozen”. Ele então confessou que não conhecia a música. Ela, com muita simplicidade, olhou para aquele senhor de cabelos brancos, com um violão nas mãos e foi firme: “Então pode ser Eu sei que vou te amar...” O senhor, pegou o microfone e disse: “Atendendo o pedido da senhorita aqui presente, vou cantar Eu sei que vou te amar!”

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Espírito Santo do Pinhal


            Eu estudei na cidade de Espírito Santo do Pinhal, nos anos sessenta. Naquela época chamava apenas “Pinhal”. Lá me formei em Técnico Agrícola, namorei, fiquei noivo, mas não casei. Era muito novo! Lá iniciei minhas atividades políticas, tendo participado de uma greve, que foi do dia 27 de março ao dia 18 de agosto, quase cinco meses, que nos fez perder um ano na vida, pois naquela época, os vestibulares ocorriam, todos, no mês de dezembro e com a greve de cinco meses, só terminamos as aulas em janeiro do ano seguinte.
            Sempre mantive contato com os ex-colegas, amigos, professores de lá e ainda vou todos os anos participar dos Encontros de Ex-Alunos e lembro que a partir de meados dos anos setenta, a cidade voltou a se chamar “Espírito Santo do Pinhal”. Na verdade, nunca soube por que houve esta mudança.
            Agora, já com meus 72 anos de idade e mais de 50 de formado lá, recebo, do meu ex-colega da Faculdade de Economia São Luis, o amigo João Baptista Whitaker Assumpção, que nem sabia que eu tinha estudado lá, a devida explicação, que reproduzo abaixo:

Até parece história da Bíblia (do Gênesis)
 José Maria Whitaker

            Espírito Santo do Pinhal é uma cidade do Estado de São Paulo, onde meu avô, José Maria Whitaker, iniciou sua carreira profissional, uma banca de advocacia.
            E, em uma conversa no Facebook, do grupo da família, meu irmão mais velho, José Maria, que já está com 90 anos, contou essa pérola:

“A Cidade, um dia, num arroubo e valentia antirreligiosa, mudou o nome para Pinhal. Ocorreram, pouco tempo depois, enormes problemas de seca, de inundações, de safras perdidas e não sei o que mais. Talvez raios, incêndios, destruições... A população, revoltada e aterrorizada, exigiu a penitência de retomar o nome protetor... Voltou a se chamar Espírito Santo do Pinhal. Acalmaram-se os revertérios... Não lembro se foi Vovô ou Vovó quem me contou.”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O Sumiço dos Corinthianos

"Por estar na mídia, o desmanche do Corinthians pela China, o título deste conto cai muito bem ao momento, até porque se passa na China. Assim, aproveito para corrigir meu erro quando não citei o nome do Vitor, no causo "Os fofinhos do Zé Mané" e o apresento a vocês, meu colaborador, irmão do Pedro Aquino. Sinta a delícia da leitura de um corinthianinho de 9 anos. Nota: já faz um ano que ele escreveu este conto. Não tem, na verdade, nada a ver com o desmanche atual do Corinthians. Não corrigi nada, nem a pontuação, para ficar fiel, como ele escreveu, porque na forma que ele contou é que fica deliciosa a leitura.”

Vitor Bianco Aquino

            Em um ano no Campeonato Internacional de Clubes da FIFA, o time chamado Corinthians estava em busca de um técnico; os técnicos que estavam em busca de comandar o Corinthians eram: Vitor Bianco e o Horácio Bianco. O Horácio era avô do Vitor, e o escolhido foi o Horácio Bianco e o Vitor ficou muito bravo!
            O Corinthians depois foi direto para o aeroporto, onde eles pegaram o avião e foram direto para a China, aonde aconteceria o Mundial. Quando eles chegaram lá eles foram para o hotel onde iam ficar. Já era de noite quando chegaram lá e então foram dormir e quando acordaram foram tomar café da manhã e depois foram treinar e foi assim por cinco dias, e depois de todos esses dias eles foram jogar na semi-final do Campeonato Mundial de Clubes.
            No campo o Corinthians ganhou de 2 x 0 e assim avançou à final e mais 14 dias com a mesma rotina. E depois que chegaram no ônibus receberam uma carta falando:
            - Espere e veja o que vai acontecer se você não me quis.
            Quando entraram no vestiário, um homem bateu na porta e falou com voz de médico:
            - Eu posso levar o time titular inteiro para fazer um exame anti doping lá no laboratório?
            O Horácio falou:
            -Claro, mas vai rápido tá?
            Ele falou:
            - Sim.
            E eles chegaram num lugar escuro com uma cadeira e uma mesa. Depois de 4 horas eles não chegavam e o Horácio decidiu ligar para o detetive e falou:
            - Oi. É uma emergência. Os meus jogadores do time titular sumiram. Você precisa investigar isso.
            E desligou o telefone e o detetive era um gordinho com uma lupa, telefone celular e mais algumas coisas, e já no meio do caminho achou uma barba caída no chão e um botão. Ah! Esqueci de falar que o detetive levou a carta e ele também viu pegadas com cravo a uma sala com as portas trancadas. Mas ele pensou assim: se ele tinha barba falsa e um terno e quando ele foi examinar a carta e tinha um fio de barba igual à barba que ele estava na mão, e tinha uma placa na porta escrita VBA e o detetive ligou para o Horácio e falou:
            - Você conhece uma abreviação assim: VBA?
            Ele falou:
            - Huummm, eu acho que o B é Bianco...
            E o detetive falou interrompendo:
            - O mesmo que mandou a carta é o que pediu para levar os jogadores.
            O Horácio falou:
            - Já sei. É o Vitor Bianco Aquino.
            E o detetive falou:
            - E é lá que estão os jogadores.
            O Horácio falou:
            - Vou chamar a polícia para pegar nossos jogadores...
            E quando a polícia chegou lá, falou:
            - Abra a porta!
            E ninguém respondeu. Então arrombaram a porta e viram o Vitor e falaram:
            - Você está preso!
            E pegaram ele e levaram para a prisão e tiraram os jogadores para o vestiário.
            E o jogo foi adiado para o dia seguinte e o Corinthians foi Campeão Mundial ganhando de 3 x 0 e acabou.
            Fim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Atitudes Humanas

Publico hoje, com muito orgulho, a Crônica de Pedro Bianco Aquino, de 12 anos, estudante da 7ª série. Ele é filho de meus amigos Fernando Aquino e Ana Bianco e é irmão do Vitor Bianco Aquino. Este, autor da estória que publiquei aqui, com o título de “Os Fofinhos do Zé Mané”  (http://www.freitasnet.blogspot.com.br/2012/06/causo-50-fofinhos-do-ze-mane.html ), e como ele tinha apenas 6 anos não quis expor a identidade dele aqui. Hoje corrijo essa injustiça.
            Esses dois amiguinhos meus, são de inteligência e perspicácia acima do normal para a idade deles e isto se deve, principalmente, à maneira como os pais os educam.


Atitudes Humanas
Pedro Bianco Aquino

            Desde o começo eu estava lá, antes de todos, eu já estava de pé. Vi muitas coisas, todos os tipos de pessoas. Uns anos atrás, toda semana, via uma feira daqui de cima, mais especificamente, observava uma barraquinha de coco.
            Gostava de ver as reações, caras e bocas das pessoas, como todos eram diferentes... me divertia ouvindo conversas de clientes e vendedores, mas também percebia como todos falavam pelas costas uns dos outros. Porém, não era esse o principal problema, o que mais me incomodava era a ignorância das pessoas, como tratavam mal outras que nunca tinham visto na vida, estabeleciam um estereótipo e discriminação. Um exemplo disso é muitas vezes quando alguém mais rico ia falar ou pedir algo a alguém mais pobre, é impressionante o egoísmo de achar que só porque a pessoa tem menos dinheiro que você, ela tem que te servir como se fosse seu criado.
            A cada dia, ia ficando mais triste e angustiada por conta disso, porém sempre tinha alguém bondoso e gentil, que vinha para mostrar que o mundo não está uma completa caca.
            Sempre que esse tipo de pessoa aparecia, minhas raízes se fortaleciam e eu voltava a meu ânimo para viver cada vez mais.
            Hoje em dia, ainda estou aqui, mesmo com vários seres indo embora, eu continuo aqui, uma velha árvore, esperando mais surpresas e novidades na pequena rua das pitangas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dia do Golpe

Ainda bem que não sou só eu que penso assim, como escrevi recentemente. A qualidade do vídeo não é boa, mas o áudio está 100%.



domingo, 27 de dezembro de 2015

Brasil e sua sina

Nicanor de Freitas Filho

            Desde que eu era uma criança sempre ouvia, meus tios, primos e amigos dizerem que “...o Brasil é o país do futuro!”. Sempre acreditei nisto, pois sou otimista por natureza. Principalmente porque, sendo muito pobre, fui internado numa excelente Escola Agrotécnica em Muzambinho e descobri que realmente, o Brasil “era” o país do futuro! Lá descobri que existia uma tal de Agricultura, que era a vocação do Brasil, principalmente nos primeiros ensinamentos dos professores da área Técnica, como Dr. Antonio Cobra, Dr. Lessa, Prof. Romário. O livro que o Dr. Antonio adotava, de capa verde e branca, da Editora Melhoramentos, tinha na primeira página: “O solo é a Pátria, cultivá-lo é engrandecê-la!” E continuo acreditando nisto até hoje, pois é isto mesmo!
            Quando já era mais velho um pouco, ainda antes da Revolução de 1964, li que o Presidente da França, Charles De Gaulle, disse: “...le Brésil n'est pas un pays sérieux.” Note-se que o Embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964, Carlos Alves de Souza, escreveu que a frase é dele e não de De Gaulle, mas ficou na história como sendo dita por De Gaulle. Devo acreditar nisto? Será que é isto mesmo?
            Mais tarde estudei Economia, e, dentro do Curso tem uma matéria, entre outras de igual valor, que se chama “Economia Política”. Nestes anos de Faculdade aprendi que a intervenção do Governo na Economia, só deve ocorrer dentro das políticas essenciais ao convívio, como Educação, Saúde, Segurança, Relações Exteriores, Meio Ambiente e parcialmente em Transportes, Economia (Receitas e Despesas Públicas), Previdência Social e outros. Também aprendi um pouco de Direito e nesta área, por exemplo, que os três poderes da República, devem ser independentes e harmônicos entre si. O que sempre entendi é que um Poder da República tem que seguir a Constituição e, principalmente, ser independente, embora harmônico com os demais. Aprendi também que o Poder Legislativo é bicameral, ou seja, é composto por duas Câmaras, uma representando o povo – a dos Deputados – e outra representando os Estados – a dos Senadores – mas que também devem ser independentes e harmônicas. Às vezes se juntam e formam o Plenário do Congresso. E na Constituição este fato é bem claro. E continuo acreditando nisto até hoje, pois é isto mesmo!
            Será que é isto mesmo? Sei não! Acho que fui otimista demais! Estávamos quase chegando no “futuro”, quase sem inflação, com câmbio flutuante, com os poderes trabalhando conforme manda a Constituição, com independência e harmonia, numa política de “retirada” do Governo das áreas que devem ser da iniciativa privada (telefonia, bancos, energia, estradas, aviação etc.), quando, de repente, apareceu um populista apedeuta, que entendia muito e tinha muita experiência em fazer as coisas, tipo assim, como são feitas nas “centrais sindicais”, na base de negociatas, peleguismo, conchavos, enganação, bravatas e muita mentira, bem na hora que o Mundo estava todo à nossa disposição para fazermos as coisas corretas e nos preparar, definitivamente, para entrarmos no Primeiro Mundo e deixarmos de ser “O País do Futuro”; mostrar nossa seriedade e provar que De Gaulle (ou o Embaixador Carlos Souza) estava errado. A Agricultura, que ia muito bem obrigado, foi desprezada e só se pensou em Mineração, Pré-sal e alguns ramos empresariais e empresários premiados para serem os campeões, sem nenhuma análise técnica correta e científica.  Foi feito exatamente o que ele sabia fazer: negociatas (BNDES), conchavos, peleguismo e muita enganação, criando um tal de “Mensalão” e depois o “Petrolão” para comprar os políticos desonestos, que se instalaram no Congresso e colocar nos Tribunais Superiores “amigos” que decidem sempre de acordo com o interesse do Executivo e dos “amigos” do Legislativo, que os apoiam! Ou seja, perdemos o bonde da história!
            Depois das discussões ridículas, com o Joaquim Barbosa, no Mensalão, o STF com novos Ministros indicados pelo Executivo e aprovados pelos Senadores, especialmente para este fim, aceitaram a rever os julgamentos dos “mensaleiros”, perdoando-os no que puderam. E agora, depois de mais duas ou três indicações de novos Ministros, chegamos ao ponto de um Ministro do STF, durante o seu voto, ao citar um artigo da Constituição, deixou de ler uma parte do mesmo, porque, exatamente esta parte, “desdizia” o que ele estava dizendo! É uma vergonha! E os outros Ministros foram com ele! Aliás, teve uma Ministra, que é tão “prolixa” – e a mentira é mesmo difícil de dizer – que não conseguia esclarecer se votava de acordo com o relator ou com o dissidente do voto do relator. Ela falava e ninguém entendia o que ela estava votando. Até que o próprio Ministro – que leu o artigo pela metade – lhe perguntou, claramente, se ela votava com ele...
            Meu artigo já estava escrito, hoje pela manhã, quando li, no Estadão o artigo do ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que vou reproduzir abaixo a parte que me interessa. Referindo-se às decisões do STF: “...mas errou, data vênia, em acumular no Senado Federal as competências para processar e julgar o presidente da República e ainda negar trâmite a juízo formal de admissibilidade da acusação eventualmente feito pela Câmara dos Deputados e sem a desobediência a formalidades legais elementares. Esquecido do advérbio de modo ‘privativamente’ que se lê tanto no artigo constitucional definidor das competências da Câmara quanto do Senado (cabeça dos artigos 51 e 52, respectivamente). A revelar que, na matéria, cada qual das Casas Legislativas atua em faixa própria. O que é privativo de uma Casa Legislativa é somente dessa Casa mesma. Não admite compartilhamento. Pré-exclui a competência de outra para deliberar sobre o mesmo assunto, em suma. Pouco importando que uma delas seja coloquialmente (não positiva ou normativamente) etiquetada como Câmara Baixa e a outra como Câmara Alta. Cada qual no seu quadrado, então, eis a decisão correta que deixou de ser tomada e com todo o respeito é que assim me pronuncio.”
            Então, “O solo não é mais a Pátria”, o “Brasil não é mais um país do futuro” – tem gente que já me enviou mensagem de Feliz 2019, porque 16, 17 e 18 já eram – definitivamente “...le Brésil n'est pas un pays sérieux.”

sábado, 5 de dezembro de 2015

Cativar

“É uma coisa esquecida. Significa ‘criar laços’...”
Antoine de Saint-Exupéry

Nicanor de Freitas Filho

            Dia destes, estava levando meu neto ao Clube, onde ele faz alguns esportes. Nesse dia, estávamos só nós dois no carro. Ele se queixou de dois colegas do Clube. Um deles é muito bonzinho, embora meio “gozador”.  Então eu tentava explicar para ele que, para se ter amigos de verdade, é preciso de cativá-los. Ele, dos seus 8 anos perguntou: “O que é cativá-los?”
            Comecei dizendo que cativar é respeitar e se fazer respeitar, é saber dividir as coisas boas de forma que todos saiam ganhando, é fazer o que os outros gostam mas fazer com que eles façam o que a gente também gosta... Ele me interrompeu: “Vovô, vamos falar de futebol? Isto está muito difícil!” Na hora eu me calei e naqueles minutos que ficamos pensando sobre o que conversar, eu fiquei decepcionado, por não saber explicar ao meu neto o que é cativar. Veio então uma vaga lembrança de uns 55 ou 60 anos atrás, quando li “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, que muito me marcou. Refiro-me à conversa do Pequeno Príncipe com a Raposa, que explicou claramente para ele o que era “cativar”. Mas não consegui, naquele momento, me lembrar exatamente da explicação da Raposa. Então passamos a falar de futebol e como ele tem boa memória, sabe a classificação, saldo de gols, número de vitórias e muitas outros dados importantes sobre os times, a conversa sempre flui. Então, de repente, ele disse: “Você viu quem é o novo Técnico do São Paulo? É o Doriva. Ficou na Ponte Preta só uns dois meses...Vovô, já foram mais de 25 Técnicos trocados e só tem 20 times no Brasileirão! Não é engraçado?”
            Aí, então eu disse para ele: “Os Técnicos não sabem cativar, os Diretores dos Clubes também não sabem... Todos deveriam saber cativar os jogadores, a torcida, os Diretores e os Técnicos... Deu para entender o que é ‘cativar’?” Ele respondeu: “Não Vovô, o que os Técnicos fazem é o normal, perde tem que sair...” Pensei, meu Deus, como essa Imprensa trata o assunto tão vulgarmente e naturalmente, que na cabecinha dele é normal trocar de Técnico, quando perde! Que pena! Poderia entender tudo isto de outra forma, mas infelizmente foi assim que ele aprendeu.
            Chegando em casa, fui procurar na estante “O Pequeno Príncipe” e fui direto para o encontro do Príncipe com a Raposa. Curiosamente ele faz a mesma pergunta várias vezes à Raposa: “Que quer dizer ‘cativar’?”Como o meu neto a fez. A Raposa, muito mais esperta que eu, depois de várias pequenas explicações finaliza dizendo que “É uma coisa esquecida. Significa ‘criar laços...’...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música...Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz...” E finalmente, depois de cativada, conta-lhe o segredo: “...só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos... Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante... Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
            Então eu li o capítulo, de onde tirei os trechos acima, para ele, no dia seguinte, que curiosamente ele aquietou-se para ouvir. Quando terminei, perguntei se queria ler o resto, claro que ele disse que não, pois já estava cansado de ouvir-me. Ele então se aconchegou, colocou o braço sobre o meu ombro e disse: “Agora eu sei. É só te fazer uns carinhos e obedecer direitinho, que a gente te cativa...” 
Falar o que?

sábado, 28 de novembro de 2015

Hino da Escola Agrotécnica de Muzambinho


Alguns colegas que não foram no encontro de Muzambinho no dia 21 pp, me questionaram sobre o que eu fui falar lá na frente. E os que foram, alguns me questionaram sobre a letra do Hino que cantei.
Para os que não foram, eu não fui falar e sim cantar o Hino da Escola, que resolvi então, postá-lo aqui para que todos se lembre da linda música, bem marcial, que é o nosso Hino. Para os que foram, concordo que eu também não tenho certeza da letra, principalmente em dois versos: “Já é o seu nome na história” eu acho que seria: “Brademos seu nome na história”,  e o outro verso é “Nesta escola uma grande oficina”, eu acho que seria: “Esta escola é uma grande oficina”, mas não tenho certeza, por isso cantei sobre a letra que foi divulgada no encontro do ano passado, corrigindo apenas o que eu tinha certeza absoluta.

Assim peço aos colegas mais antigos, que aprenderam a cantar com o Coronel Santa Cecília, que nos informe o correto.  Talvez tenha arquivo nos anais da Escola. Neste caso acho que o Carlos Esaú, seria a pessoa certa para verificar. De qualquer forma, garanto que a música está certa e aí vai para quem não me ouviu na Escola.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

São Paulo e sua sina IV

"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." Martin Luther King
...então vamos fazer barulho...
Nicanor de Freitas Filho

            Eu não queria mais falar do poste 2, que a partir de agora, enquanto a lei do direito à resposta, do Senador Requião não entra em vigor, vou chamar pelo nome dele mesmo, mas vou colocar um substantivo antes: “energúmeno Haddad”. Depois você olha no dicionário e vê se não é mesmo energúmeno!
            Dentre os desatinos que ele vem praticando, a maioria inventada pelo outro energúmeno sem “tatto”, seu secretário de transportes, agora ele conseguiu fazer uma besteira que não tem tamanho.
            A Praça 14 Bis, que é cortada pela Av. 9 de Julho, tem mais seis ruas que saem dela. Era um “enrosco” passar por ali. Aí resolveram grande parte do problema, construindo um elevado, chamado Viaduto Dr. Plínio de Queiroz, que levou cerca de 70% dos carros que passam pela Av. 9 de Julho a não atrapalhar o trânsito na praça. Se não resolveu o problema 100%, foi uma excelente solução, pois tirou o tal “enrosco” que ficava na praça, pois 70% dos carros passaram a ir pelo viaduto, que tem duas pistas em cada mão de direção. Eu morei na Rua Paim antes da construção do Viaduto e sei como era vir pela Av. 9 de Julho e tentar subir a Rua Paim, principalmente vindo do bairro para a Praça da Bandeira.
            Pois é, agora o energúmeno Haddad, com certeza, aconselhado pelo energúmeno sem tatto, resolveu que sobre o viaduto só vão circular os ônibus. Ora, sobre o viaduto tem um ponto de ônibus que foi feito fora das pistas de rolamento e tem um ponto de cada lado (um ponto para cada mão de direção). Então fica assim: os ônibus têm que parar no ponto, pois são pontos movimentados, e como tem duas pistas, os ônibus vão poder usar só uma, pois só a pista da direita dá acesso ao ponto, onde ficam as pessoas. E a outra pista vai ficar vazia, ou talvez, os ônibus se enroscando para ver que consegue chegar ao ponto primeiro, para descer ou subir passageiros. Deu para entender? Não tem como os ônibus utilizarem as duas pistas, porque só uma das pistas tem acesso ao ponto!
            Agora sim, entendi melhor, parte de uma entrevista que o energúmeno sem tatto deu numa das vezes que foi explicar sobre as faixas de ônibus, em ruas que não deveriam ser implantadas, pela pequena largura, ele no final disse: “...eu quero é ajudar quem anda de ônibus, os carros que se ‘ferrem’...” Entendeu agora? Por isso que resolvi chamá-los de energúmenos, pois no Dicionário Michaelis diz:energúmeno sm... indivíduo desnorteado; pessoa que, dominada por uma paixão, pratica desatinos; imbecil...” Eles são dominados pela paixão de agredir a “burguesia” – como diz o chefão energúmeno – e para isso praticam desatinos como esse, de completa imbecilidade! Não dá para ficar em silêncio...


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Moral e Ética

"A autoridade da justiça é moral, e sustenta-se pela moralidade das suas decisões."
Rui Barbosa

Nicanor de Freitas Filho

            Aprendi com minha Mãe que a gente conhece as pessoas, muito pelas atitudes que elas tomam ou pelo que dizem a respeito de algum assunto. Assim, sempre avaliei as pessoas por suas atitudes, opiniões e como se portam sobre certos assuntos. Já errei, pensando que uma pessoa era boa e, de fato, não era. Mas nunca errei julgando uma pessoa ser imoral ou sem caráter!
            Eu nunca tinha me preocupado com o Lula metalúrgico, sindicalista, mesmo porque nunca gostei de nada que se refere a ele e ao PT. Digamos, que a primeira vez que parei para pensar sobre ele, foi o dia que li uma entrevista dele, sinceramente não me lembro a quem e nem em qual veículo de comunicação, que ele, querendo demonstrar as dificuldades que passou na vida, disse: “Em casa só comíamos carne, quando meu irmão mais velho, que trabalhava numa padaria, roubava presunto e trazia para casa...” A forma clara com ele aprovava aquela “única maneira” de comer carne, como digna e válida, me estremeceu! Eu também fui muito pobre e passamos muitas dificuldades, mas nunca aprovaria algo assim, para “comer minha carne”.
            Quando foi nas eleições de 1989, o Collor levantou aquele problema da Miriam Cordeiro, mãe da Lurian, que ele “papou” mandou que ela abortasse, não obedecendo, ele a abandonou na rua da amargura, com a filha. Excelente exemplo de moral e ética!
            Pouco tempo depois que foi eleito presidente da república, ocorreu o falecimento do Papa João Paulo II, e o funeral no dia 02 de abril de 2005, em Roma ele encheu o “Airlula” de ex-presidentes e foram todos para o Vaticano, “passear” com nosso dinheiro. Durante a cerimônia ele recebeu a comunhão. Um repórter questionou se ele havia se confessado. Para quem é católico sabe o porquê da pergunta. Ele com a maior “cara de pau” disse: "Não precisa, eu sou um homem sem pecados". Uma das maiores heresias que já presenciei na minha vida. Para os leigos entenderem: "Para receber a sagrada Comunhão é preciso estar plenamente incorporado à Igreja Católica e em estado de graça, isto é, sem pecado. Quem tem consciência de ter cometido pecado deve receber o sacramento da Reconciliação (Confissão) antes da Comunhão.” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica).
            Nesse dia eu fiz o meu julgamento definitivo sobre a moral e o caráter desse indivíduo! Não vale nada, foi minha conclusão. Talvez ele nem tenha consciência da heresia que cometeu, pois confessa que nunca lê nada. E, pelo que parece, educação familiar também não foi seu forte!
            Não bastasse isto, nos últimos dias de mandato, mandou o Itamaraty emitir passaporte diplomático para todos da família dele, para que pudessem viajar com todos os privilégios diplomáticos, enquanto valer tais passaportes, o que é totalmente ilegal e, principalmente imoral! O que dizer dos onze caminhões lotados, que ele levou do Palácio da Alvorada?
            Não é só pelo problema político, mas principalmente pelas atitudes sem ética e sem moral desse indivíduo, que faço o pior julgamento possível, percebendo que é uma pessoa totalmente sem caráter e sem princípios. Não é a toa que ele diz nunca saber de nada, nunca ter visto nada de errado e inventar mentiras e repeti-las tanto, que para os pobres coitados, semianalfabetos, eleitores dele, ficam parecendo verdades!
            A última dele foi dizer que as pedaladas da Dilma foram para poder pagar o Bolsa Família e o Minha casa minha vida. É ser muito cara de pau! Tudo isto, sem contar o lado político que não vou entrar, porque agora ele assumiu ser, de fato, o presidente e voltou a fazer negócios e conchavos escusos com os presidentes da Câmara e do Senado, além de, ao que tudo indica, voltar a dar ordens ao STF.
            Fechamos com outra de Rui Barbosa: "As leis penais não se prestam à dança macabra dos poetas, às variações caprichosas dos 'dilettanti', ou às misturas fraudulentas dos farmacopolas. As fórmulas do processo são inteiriças e rijas como a lâmina da espada. Não admitem analogias, amplificações, ou tropos."

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Capitalismo e Domocracia

"A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram."
Adam Smith
Capitalismo exige democracia, ética, moral e verdade!
Nicanor de Freitas Filho

            Como sabem, sou Economista e muito me orgulho, por ter aprendido o que é o mundo de verdade, estudando Economia. Quando entrei na Faculdade de Economia São Luis, em 1965, logo após a “Revolução” ou Golpe de 1964 eu entendia perfeitamente que o objetivo do Governo Jango, que se deu em decorrência da renúncia de Jânio Quadros em 1961, era implantar o Comunismo no Brasil, como o fora em Cuba na famosa Revolução Popular de Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos em 1959, que surpreendeu a todos, pois não se esperava a implantação do Comunismo Soviético como o foi. Foi uma virada espetacular de Fidel, que privatizou os Bancos e as Indústrias – mormente as americanas – e se aliou aos soviéticos, permitindo a instalação de mísseis no território cubano, na porta da cozinha dos Estados Unidos.
            Em 1963 eu estudava na Escola Agrotécnica de Pinhal, e incentivados pelos movimentos “revolucionários” que afligiam o Brasil, fomos instados a fazer uma greve, que durou de 27 de março de 1963 até 18 de agosto de 1963. Perdi um ano na minha vida por causa desta greve e até hoje, não sei bem porque a greve foi feita. Entrei e fiz parte, entendendo que estávamos lutando por melhores condições para estudar, melhores currículos, afinal melhoria na Educação. Mas não foi bem isto o que ocorreu. Descambou-se para “fora Inspetor”, “fora Diretoria” etc., sem clareza de objetivos, pelo menos na minha humilde opinião.
            Cheguei a São Paulo com a cabeça meio que dividida, pois era muito pobre, fui morar numa pensão no Butantã, onde convivia com pessoas trabalhadoras e humildes, que passavam dificuldades. Então eu achava que tinha que ser feita alguma coisa, pois desde a renúncia de Jânio, tudo no Brasil parecia muito difícil e duvidoso. Ninguém acreditava em ninguém! Todos criticavam a todos! Lembro-me que nas vésperas de vir para São Paulo, o Jango passou o salário mínimo de Cr$ 21.000,00 para Cr$ 42.000,00. Eu achei muito bom, pois sabia que iria ganhar o salário mínimo ou pouco mais. Gostei da atitude dele, pois me beneficiava. Mas quase todas as outras medidas que ele tomava eu não entendia o porquê. Nem fazia ideia que os Cr$ 42.000,00 não dariam para quase nada.
            Na Faculdade, pela minha timidez e concordância, com quase tudo, sempre era assediado por pessoas de esquerda e de direita, convidado a participar de “reuniões” e outros eventos. A primeira que aceitei foi na TFP, sociedade de ultra direita, e embora tenha sido muito bem tratado e instruído, não gostei muito não. Depois de algum tempo, nosso colega Cosmo, que se tornou presidente do nosso Diretório Acadêmico, me levou para algumas reuniões, principalmente no prédio da Faculdade de Filosofia da USP, que ficava na Rua Dr. Vila Nova. Eu não tenho certeza absoluta, mas acredito que assisti a uma palestra de José Serra, então presidente da UNE e uma de José Dirceu, que também viria ser presidente da UNE. Fiquei muito assustado, pois embora me parecessem lógicos, os argumentos, sempre falavam em “luta armada”. “pegar em armas”... Aquilo me assustava um pouco.
            Depois de ter escutado muito, eu achava que o comunismo não era bom e que o Golpe de 1964 iria resolver os problemas do Brasil, pois afinal estavam “limpando” o país daquela bagunça que o Jango, Brizola, Arraes, Francisco Julião, Riani e tantos outros comunistas tinham nos metido. Mas no meio estudantil continuava a ser “elevado” o conceito de comunismo, pois a União Soviética vinha “batendo” nos Estados Unidos e parecia que seria mesmo uma unanimidade mundial. Além disso, os Generais brasileiros, depois de Castelo Branco, não agiam com a mesma clareza. A decretação do AI-5 mexeu muito conosco, os estudantes. Era uma vida difícil. Se por um lado os Generais se tornavam cada dia mais ditadores, com o que eu não concordava, os comunistas se tornavam mais violentos, e, começaram a matar empresários e assaltar bancos e fazer atentados violentíssimos, que também não podia aceitar. Aí apareceram Marighela e Lamarca, que além de cruéis, eram muito bem treinados para a guerrilha urbana.
            Quem não viveu nessa época, nunca vai entender o que era a tal da “Guerra Fria”, entre Comunismo e Capitalismo, bem representados por União Soviética e Estados Unidos, respectivamente. Cada um mais armado que o outro e o Comunismo se expandindo com muita rapidez. Eu, na verdade, nunca cheguei a tomar uma posição certa e líquida sobre o problema político. Eu trabalhava e estudava e cumpria todos os meus deveres, como minha Mãe havia me ensinado.
            Em 1968, o país pegando fogo, por causa dos atentados terroristas e prisões que se davam cotidianamente, comecei a ter aulas de Economia Política, com o Professor José Paschoal Rossetti, um grande Economista, conhecedor da História do Pensamento Econômico e de excelente didática. Pra começar, ele geralmente dava suas aulas, sentado sobre a mesa – acho que era para ficar mais visível – e escrevia muito pouco, o que era comum naquela época. Naquele dia ele entrou de jaleco branco, como sempre, sentou-se na mesa – não é à mesa, mas em cima da mesa – e começou a falar de “comunismo”, mostrando todas as vantagens do sistema econômico comunista, centralizado de “administrar” uma nação. Como tudo era quase perfeito no comunismo e seria realmente o sistema política do futuro. Ele falava com tanta ênfase e dando tanta importância ao comunismo, principalmente comparando com o capitalismo. Lembro-me quando ele mostrou que, por exemplo, os preços no sistema comunista era o que o “povo” podia pagar, enquanto no capitalismo era o mercado – isto é, a oferta e a procura – que definiam os preços. No comunismo os bens eram de todos, enquanto no capitalismo os mais ricos sempre podiam ter mais. No comunismo as indústrias e empresas em geral eram escolhidas pela importância para o povo, enquanto no capitalismo havia liberdade para empreender, e, o empreendedor só pensa no lucro. É muito mais fácil criar Leis que beneficiem os mais pobres no comunismo do que no capitalismo, que geralmente está ligado à democracia, onde tudo é mais difícil de votar e estabelecer. Portanto, desde a Segunda Guerra, o mundo estava se transformando no mundo comunista, perfeito de Marx. Curioso é que quando ele falava do comunismo levantava a mão esquerda e quando falava do capitalismo levantava a mão direita.
            Quando já estávamos convencidos de que o comunismo era mesmo melhor que o capitalismo, que o mundo seria mesmo comunista, ele levantou a mão direita, com muita ênfase e disse num tom triunfal: “Eis que surge Keynes”. Nós, alunos, levantamos e aplaudimos! Daí para frente mudou tudo! Começou a mostrar que, a liberdade de empreender, a liberdade de mercado, a discussão das Leis e sua devida observância, o direito à propriedade não tinha nada de errado. Errado mesmo era impor tudo o que o comunismo fazia e começou a mostrar o que o grande Economista John Maynard Keynes apresentou para “consertar” o mundo econômico, depois da Segunda Guerra. Não vou aqui descrever toda a teoria de Keynes, mas posso indicar livros excelentes a quem quiser compreender um pouco da História do Pensamento Econômico: “A Imaginação Econômica” de Sylvia Nasar ou ainda “Capitalismo: modo de usar” de Fábio Giambiagi.
            A partir dessa aula do Professor Rossetti, eu passei a ser “capitalista”, não só pelas suas propostas como principalmente, aprendi com Sir Winston Churchill: “a democracia é a pior forma de governo imaginável, excetuando-se as demais. Da mesma forma, considero o capitalismo o pior sistema econômico imaginável, excetuando-se todos os outros já experimentados.” Ou com o Dr. Roberto Campos: O Comunismo é bom para sair da miséria, mas incompetente para nos levar à riqueza”(1985), ou então a que é bem atual: “A verdade é que o socialismo é mais eficaz como doutrina política de captura e manutenção de poder do que como técnica de desenvolvimento equilibrado” (1973).
            Hoje, acompanhando o governo do PT com seu sistema econômico que chamam de “nova matriz”, que ainda não descobri o que é, mas sei que é contra a democracia, o “capitalismo”, a “burguesia”, os “reacionários”, os “eles”, que somos nós que produzimos, geramos riquezas, cumprimos as Leis, pagamos impostos, temos ética e moral e pensamos no Brasil, concluí que na verdade “nova matriz” deve ser a aplicação, na íntegra, do comunismo Gramscista, imoral, mentiroso e sem ética!