terça-feira, 29 de setembro de 2015

Capitalismo e Domocracia

"A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram."
Adam Smith
Capitalismo exige democracia, ética, moral e verdade!
Nicanor de Freitas Filho

            Como sabem, sou Economista e muito me orgulho, por ter aprendido o que é o mundo de verdade, estudando Economia. Quando entrei na Faculdade de Economia São Luis, em 1965, logo após a “Revolução” ou Golpe de 1964 eu entendia perfeitamente que o objetivo do Governo Jango, que se deu em decorrência da renúncia de Jânio Quadros em 1961, era implantar o Comunismo no Brasil, como o fora em Cuba na famosa Revolução Popular de Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos em 1959, que surpreendeu a todos, pois não se esperava a implantação do Comunismo Soviético como o foi. Foi uma virada espetacular de Fidel, que privatizou os Bancos e as Indústrias – mormente as americanas – e se aliou aos soviéticos, permitindo a instalação de mísseis no território cubano, na porta da cozinha dos Estados Unidos.
            Em 1963 eu estudava na Escola Agrotécnica de Pinhal, e incentivados pelos movimentos “revolucionários” que afligiam o Brasil, fomos instados a fazer uma greve, que durou de 27 de março de 1963 até 18 de agosto de 1963. Perdi um ano na minha vida por causa desta greve e até hoje, não sei bem porque a greve foi feita. Entrei e fiz parte, entendendo que estávamos lutando por melhores condições para estudar, melhores currículos, afinal melhoria na Educação. Mas não foi bem isto o que ocorreu. Descambou-se para “fora Inspetor”, “fora Diretoria” etc., sem clareza de objetivos, pelo menos na minha humilde opinião.
            Cheguei a São Paulo com a cabeça meio que dividida, pois era muito pobre, fui morar numa pensão no Butantã, onde convivia com pessoas trabalhadoras e humildes, que passavam dificuldades. Então eu achava que tinha que ser feita alguma coisa, pois desde a renúncia de Jânio, tudo no Brasil parecia muito difícil e duvidoso. Ninguém acreditava em ninguém! Todos criticavam a todos! Lembro-me que nas vésperas de vir para São Paulo, o Jango passou o salário mínimo de Cr$ 21.000,00 para Cr$ 42.000,00. Eu achei muito bom, pois sabia que iria ganhar o salário mínimo ou pouco mais. Gostei da atitude dele, pois me beneficiava. Mas quase todas as outras medidas que ele tomava eu não entendia o porquê. Nem fazia ideia que os Cr$ 42.000,00 não dariam para quase nada.
            Na Faculdade, pela minha timidez e concordância, com quase tudo, sempre era assediado por pessoas de esquerda e de direita, convidado a participar de “reuniões” e outros eventos. A primeira que aceitei foi na TFP, sociedade de ultra direita, e embora tenha sido muito bem tratado e instruído, não gostei muito não. Depois de algum tempo, nosso colega Cosmo, que se tornou presidente do nosso Diretório Acadêmico, me levou para algumas reuniões, principalmente no prédio da Faculdade de Filosofia da USP, que ficava na Rua Dr. Vila Nova. Eu não tenho certeza absoluta, mas acredito que assisti a uma palestra de José Serra, então presidente da UNE e uma de José Dirceu, que também viria ser presidente da UNE. Fiquei muito assustado, pois embora me parecessem lógicos, os argumentos, sempre falavam em “luta armada”. “pegar em armas”... Aquilo me assustava um pouco.
            Depois de ter escutado muito, eu achava que o comunismo não era bom e que o Golpe de 1964 iria resolver os problemas do Brasil, pois afinal estavam “limpando” o país daquela bagunça que o Jango, Brizola, Arraes, Francisco Julião, Riani e tantos outros comunistas tinham nos metido. Mas no meio estudantil continuava a ser “elevado” o conceito de comunismo, pois a União Soviética vinha “batendo” nos Estados Unidos e parecia que seria mesmo uma unanimidade mundial. Além disso, os Generais brasileiros, depois de Castelo Branco, não agiam com a mesma clareza. A decretação do AI-5 mexeu muito conosco, os estudantes. Era uma vida difícil. Se por um lado os Generais se tornavam cada dia mais ditadores, com o que eu não concordava, os comunistas se tornavam mais violentos, e, começaram a matar empresários e assaltar bancos e fazer atentados violentíssimos, que também não podia aceitar. Aí apareceram Marighela e Lamarca, que além de cruéis, eram muito bem treinados para a guerrilha urbana.
            Quem não viveu nessa época, nunca vai entender o que era a tal da “Guerra Fria”, entre Comunismo e Capitalismo, bem representados por União Soviética e Estados Unidos, respectivamente. Cada um mais armado que o outro e o Comunismo se expandindo com muita rapidez. Eu, na verdade, nunca cheguei a tomar uma posição certa e líquida sobre o problema político. Eu trabalhava e estudava e cumpria todos os meus deveres, como minha Mãe havia me ensinado.
            Em 1968, o país pegando fogo, por causa dos atentados terroristas e prisões que se davam cotidianamente, comecei a ter aulas de Economia Política, com o Professor José Paschoal Rossetti, um grande Economista, conhecedor da História do Pensamento Econômico e de excelente didática. Pra começar, ele geralmente dava suas aulas, sentado sobre a mesa – acho que era para ficar mais visível – e escrevia muito pouco, o que era comum naquela época. Naquele dia ele entrou de jaleco branco, como sempre, sentou-se na mesa – não é à mesa, mas em cima da mesa – e começou a falar de “comunismo”, mostrando todas as vantagens do sistema econômico comunista, centralizado de “administrar” uma nação. Como tudo era quase perfeito no comunismo e seria realmente o sistema política do futuro. Ele falava com tanta ênfase e dando tanta importância ao comunismo, principalmente comparando com o capitalismo. Lembro-me quando ele mostrou que, por exemplo, os preços no sistema comunista era o que o “povo” podia pagar, enquanto no capitalismo era o mercado – isto é, a oferta e a procura – que definiam os preços. No comunismo os bens eram de todos, enquanto no capitalismo os mais ricos sempre podiam ter mais. No comunismo as indústrias e empresas em geral eram escolhidas pela importância para o povo, enquanto no capitalismo havia liberdade para empreender, e, o empreendedor só pensa no lucro. É muito mais fácil criar Leis que beneficiem os mais pobres no comunismo do que no capitalismo, que geralmente está ligado à democracia, onde tudo é mais difícil de votar e estabelecer. Portanto, desde a Segunda Guerra, o mundo estava se transformando no mundo comunista, perfeito de Marx. Curioso é que quando ele falava do comunismo levantava a mão esquerda e quando falava do capitalismo levantava a mão direita.
            Quando já estávamos convencidos de que o comunismo era mesmo melhor que o capitalismo, que o mundo seria mesmo comunista, ele levantou a mão direita, com muita ênfase e disse num tom triunfal: “Eis que surge Keynes”. Nós, alunos, levantamos e aplaudimos! Daí para frente mudou tudo! Começou a mostrar que, a liberdade de empreender, a liberdade de mercado, a discussão das Leis e sua devida observância, o direito à propriedade não tinha nada de errado. Errado mesmo era impor tudo o que o comunismo fazia e começou a mostrar o que o grande Economista John Maynard Keynes apresentou para “consertar” o mundo econômico, depois da Segunda Guerra. Não vou aqui descrever toda a teoria de Keynes, mas posso indicar livros excelentes a quem quiser compreender um pouco da História do Pensamento Econômico: “A Imaginação Econômica” de Sylvia Nasar ou ainda “Capitalismo: modo de usar” de Fábio Giambiagi.
            A partir dessa aula do Professor Rossetti, eu passei a ser “capitalista”, não só pelas suas propostas como principalmente, aprendi com Sir Winston Churchill: “a democracia é a pior forma de governo imaginável, excetuando-se as demais. Da mesma forma, considero o capitalismo o pior sistema econômico imaginável, excetuando-se todos os outros já experimentados.” Ou com o Dr. Roberto Campos: O Comunismo é bom para sair da miséria, mas incompetente para nos levar à riqueza”(1985), ou então a que é bem atual: “A verdade é que o socialismo é mais eficaz como doutrina política de captura e manutenção de poder do que como técnica de desenvolvimento equilibrado” (1973).
            Hoje, acompanhando o governo do PT com seu sistema econômico que chamam de “nova matriz”, que ainda não descobri o que é, mas sei que é contra a democracia, o “capitalismo”, a “burguesia”, os “reacionários”, os “eles”, que somos nós que produzimos, geramos riquezas, cumprimos as Leis, pagamos impostos, temos ética e moral e pensamos no Brasil, concluí que na verdade “nova matriz” deve ser a aplicação, na íntegra, do comunismo Gramscista, imoral, mentiroso e sem ética!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Lembranças...

         
Nicanor de Freitas Filho

            Vim para São Paulo em meados de março de 1964, recém-formado em Técnico Agrícola, na Escola Agrotécnica de Pinhal. Vim para fazer cursinho e me preparar para prestar vestibular em Viçosa (UFV) ou Piracicaba (ESALQ). Já vim com o emprego “meio” garantido, na Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), cujo Diretor de RH tinha ido à Escola, convidar os Técnicos Agrícolas para vir trabalhar na CAC.
            Dentre as opções de cursinho para vestibular, acabei escolhendo pelo preço, que era o do Grêmio da Faculdade de Filosofia, que ficava na Rua Dr. Albuquerque Lins, em Higienópolis. Era longe da pensão que fui morar, na Rua Butantã, em Pinheiros, mas fazer o que? Era o que dava para pagar. Fui com muita alegria, conhecer o tal Cursinho e no primeiro dia, encontrei um rapaz muito solícito e simpático, o José Augusto Ferraiol, que muito me ajudou, principalmente me deixando usar sua biblioteca, pois eu não tinha dinheiro para comprar livros. Mas ia à casa dele para estudar. O pai dele era o dono das Casas Fausto, uma boa loja de roupas para homens.
            Mas surpresa maior foi no primeiro dia de aula de Matemática. Eis que entra na sala um araxaense, o Professor Ernesto Rosa Neto! Ele não me reconheceu, mas terminada a aula fui falar com ele e disse que era de Araxá, filho da Edith e sobrinho da Tia Alayde, que por sinal era tia dele também, pois era casada com o Tio João Rosa, irmão do Avô do Ernesto. Foi uma das pessoas mais importantes, para mim, aqui em São Paulo. Ajudou-me muito, me orientou e me ajudou, me encaminhou nos estudos, levando-me a fazer o curso de Ciências Econômicas e não o de Agronomia. Para isso, ele me conseguiu um emprego de meio período, no Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais.
            Ele foi o único professor que tive, que nunca dava os resultados dos problemas. Simplesmente dizia “certo” ou “errado”, mas se errado não dizia a resposta certa! Nós ficávamos loucos da vida, porque quase todos os dias de aulas de Matemática, ele sempre deixava um ou dois “probleminhas” para nós resolvermos e levar as respostas na próxima aula. Só ficávamos sabendo a resposta se alguém acertasse, pois então ele dizia “certo” e aí podíamos ver o que era certo. E o dia que ele dizia “errado” para todos? Todos ficavam encabulados!
            Teve um dia que ele chegou com um problema “mimeografado” (quem não souber o que é isso, procure “mimeógrafo” na Internet) que era um desses que tem desenho. Tinha uma ilha com sete pontes e mandava passar somente uma vez em cada ponte e entrar e sair da tal ilha, não sei quantas vezes. Quebramos a cabeça, sozinhos, em conjunto, ninguém conseguiu um “certo”. Ele olhava e dizia “errado”...”errado”...”errado”... Ninguém nunca conseguiu saber qual era o resultado daquele problema. E ele não dizia!
            Sempre fiquei com aquele problema na cabeça e às vezes tentava ainda fazer uns rabiscos. Passaram quase cinquenta anos, perdi o contato com ele, quando fui morar em Cuiabá. Voltei e ele tinha se mudado do Jardim Bonfiglioli e não o encontrei mais. Quando foi em maio de 2011, minha filha, que ficou morando no meu endereço antigo, me ligou dizendo que tinha um Sr. Ernesto me procurando e encontrou o telefone dela, pelo endereço. Liguei para ele, e ele queria meu endereço para me enviar um exemplar do livro Sertão da Farinha Podre. Eu, imediatamente disse que lhe passava meu endereço, mas preferia ir buscar pessoalmente o livro. Peguei o novo endereço dele e marcamos num domingo à tarde e fui lá buscar meu exemplar do Sertão da Farinha Podre (quem não leu ainda, é um romance que conta a história do nascimento do arraial que deu origem a cidade de Araxá).
            Para não ir de “mãos abanando” levei para ele, um exemplar de um livro sobre a Arte Barroca no Brasil, com lindas fotos. Livro de capa dura, muito bonito! Como cheguei na casa dele, entreguei logo o presente para ele, que o abriu e ao ver o livro disse: “Vais levar uma manta!” Referia-se ao tamanho do livro que eu ia ganhar, comparado com o que lhe levei. Conversamos muito tempo, fiquei conhecendo dois filhos dele e ele conheceu minha esposa. Relembramos de alguns detalhes das aulas  de quarenta e tantos anos atrás, principalmente o fato que ele nunca nos dava as respostas dos problemas, etc.. Quase na hora de sair, disse a ele que queria lhe fazer uma pergunta, no que ele prontamente disse que poderia fazê-la. Perguntei então qual era a resposta correta para aquele problema das sete pontes. Ele logo brincou, dizendo que não dava respostas dos problemas. Finalmente ele me olhou rindo e disse: “Não sabe mesmo qual a resposta? Não tem resposta! Ou melhor, não tem solução o problema...”
            Cáspita! E eu que fiquei com aquilo quase cinquenta anos na cabeça...

domingo, 13 de setembro de 2015

Fábula


Nicanor de Freitas Filho
            Eu tenho comigo, e, aprendi isto na escola da vida, que cuidar de uma família, de um departamento, de uma empresa, de um município, de um estado ou de um país é apenas questão do tamanho da responsabilidade, mas esta tem que ser a mesma para qualquer das instituições. E a principal é GASTAR MENOS DO QUE RECEBER E GUARDAR NA BONANÇA PARA GASTAR NAS HORAS DE CRISES! Isto posto, vamos à fábula...
            João e José, profissionais do mesmo ramo, ambos casados e com dois filhos cada, trabalhavam na mesma indústria se conheciam muito bem e ambos resolveram deixar a empresa e abrirem seus próprios negócios. Isto foi lá pelo começo dos anos noventa, tendo começado seus negócios, João prestava serviço para José, já que eram do mesmo ramo. Até que iam bem, mas após o impeachment do Collor, as coisas começaram a complicar e cada um mudou-se para outro estado.
            João foi para o Paraná e continuou no mesmo ramo, após vender sua parte para o outro sócio, e trabalhavam ele e a esposa, enquanto os filhos estudavam. Administrando com cuidado, mesmo com dificuldade, remontou sua indústria, um pouco menor do que era antes, mas aos poucos, com bom planejamento, muita organização e muito, mas muito mesmo controle. Gastar só depois de ter o dinheiro na mão. Não era bem assim, pois quando precisava comprar uma máquina nova, financiava, mas tudo dentro dos limites e possibilidades, com o devido planejamento e controle.
            Aos poucos os filhos, ainda estudando, foram “entrando” no negócio, começando na produção e ajudando aos pais. Passado algum tempo, eles já cuidavam de muitas coisas. Primeiro a mãe voltou para os serviços caseiros e só ajudava quando solicitada. João continuou administrando tudo, com a experiência que tinha, até ter confiança nos filhos. A empresa prosperou e ganharam muito dinheiro, que o João aplicava tudo de maneira até conservadora, principalmente na própria empresa (investimentos). Dizia para os filhos que nunca se sabe o dia de amanhã. Teve uma época em que a conta bancária estava gorda e os filhos queriam cada um o seu carro. O João foi logo explicando, que não tinham necessidade de dois carros, pois estudavam na mesma Faculdade, embora um fizesse engenharia mecânica e outro engenharia química, sempre saíam juntos para passear e era assim que ele queria. Os filhos até que reclamavam, mas sabiam obedecer e respeitar as decisões do pai. Guardaram o suficiente para qualquer eventualidade e tudo estava bem aplicado, diversificado e protegido.             João continuou supervisionando até, ter certeza e confiança total, de que ambos haviam entendido o que significava a empresa para eles.
            Hoje, a empresa está totalmente nas mãos dos filhos, os pais apenas ajudam quando são chamados, principalmente para ajudarem na tomada de alguma decisão e vivem uma vida simples, mas muito tranquila. Têm dinheiro no banco, tem as propriedades que quiseram ter, como casa de praia, um sítio para finais de semana e divertimento, além dos carros e das residências, pois os filhos já casaram e têm suas próprias casas. Tudo conforme João, neto de alemães, tinha aprendido quando jovem!
            O José ficou famoso pela coragem de abrir novos negócios, entrou no ramo de importação, já que o Brasil tinha aberto mais para a globalização. Nesse ramo descobriu que um “pixuleco” resolvia muitos problemas burocráticos e mesmo de “barateamento” dos impostos de importação. Importava para o Rio de Janeiro, mas suas mercadorias eram desembarcadas no Espírito Santo, porque tinha incentivos de impostos. Isto o fez criar um grande caixa 2, pois era necessário!
            Nessa de gostar de novos negócios, se metia em ramos que não conhecia, como num dos casos, no ramo da diversão; comprou uma casa de shows, transformando-a, digamos, numa espécie de “Canecão”, para não ter que explicar muito o que era. Para isso teve que pagar por fora – caixa 2 – uma parte, porque além dos proprietários que não queriam pagar imposto de renda, para ele também era conveniente, porque ele não tinha como comprovar todo aquele valor. Ele tinha o caixa 2.
            Pouco antes desse negócio, divorciou-se e para manter a admiração dos filhos, dava de tudo para eles. O mais velho, estava completando 18 anos, queria uma caminhonete dessas incrementadas, 4W, e ganhou logo uma importada. Como já tinha 18 anos, José colocou a nova empresa, casa de shows, no nome do dele, que sem nenhuma experiência, foi “dirigir” o negócio.
            Enquanto isto, José continuava ali por perto para “ensinar” o filho. Gostou de uma das dançarinas da casa de shows e levou-a para casa. É lógico que o romance só durou o tempo que ela precisou para conquistar tudo que queria ter. Depois acabou!
            Ele depois que se mudou para o Rio de Janeiro “casou-se” com uma nova parceira. Teve mais duas filhas. Ficou mais difícil para sustentar toda esta “família”, que queria de tudo, do bom e do melhor, incluindo a primeira esposa, que mesmo estando bem de vida, queria receber a parte dela, já que ele tinha fama de Midas. Para todos, inclusive familiares, ele era rico. A artista também queria a parte dela. E agora o filho mais novo também completou 18 anos e queria a sua Land Rover.  E esse, logo engravidou uma menina 2 anos mais velha que ele e trouxe-a para casa. Não tinha ainda como sustentar seu lar. Estava estudando História na USP. O pai cobria tudo, muitas vezes não tinha todo o dinheiro, mas não deixava ninguém saber, pois o orgulho não permitia.
            A nova esposa era muito vaidosa e não se preocupava em economizar não! As filhas tinham tudo que queriam e até o que não sabiam, mas a mãe lhes comprava.
            Nesse ínterim, a casa de shows, mal administrada, quebrou e as demandas trabalhistas foram para um volume impressionante, que eles não faziam ideia! Era muito além do que pensavam! Na Justiça Trabalhista, embora com bons advogados, perdiam quase todas as causas. O filho não tinha patrimônio, então era José quem bancava tudo. O mais novo, formou-se, fez uma festa, mas fazer o que? Professor ele não queria ser. Que fazer com o diploma de Bacharel em História, formado pela USP? Nada, enquanto o pai continuava a se endividar para cobrir os gastos trifamiliares, pois a primeira esposa recebia pensão, a artista recebia uma “pensão”, por fora, e a nova família tinha despesas elevadas, pois a nova esposa sabia como gastar com ela e com as filhas. Os dois filhos sempre tentando novos e mirabolantes negócios. Todos viviam muito bem, mas ele... coitado! Sabia que seu patrimônio não cobriria nem um terço das dívidas! Começaram as dificuldades...
            Amigos? Sumiram todos, mesmo aqueles que frequentavam semanalmente sua casa. Aproveitavam da piscina, com os filhos, assistiam aos jogos de futebol, porque tinha sempre muita comida e bebida e era tudo de primeira! José continuava “esnobando”, pois tinha crédito, tinha fama, pagava um “pixuleco” aqui, outro ali e ia rolando as dívidas. Cada vez maiores! Até que um dia explodiu!
            Sabem o que ele fez? Disse que estava muito surpreso, pois não esperava por isso. Nunca previra que pudesse chegar nesse ponto! Todos deviam acreditar nele e continuar a lhe dar crédito. Podia ter cometido algum errinho, mas não tinham motivos para lhe tomarem tudo assim...
            Qualquer semelhança não é mera coincidência...

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eclipse de 1.947


Nicanor de Freitas Filho

Motivado por uma postagem no Facebook, do Professor Ernesto Rosa, sobre o eclipse de 1947, tendo Araxá, como uma das cidades escolhidas pelas Expedições Científicas Estrangeiras, para observação do fenômeno, fui consultar minhas anotações – escritos sobre minha vida – que chamo de “Memórias”, e encontrei algumas notas a respeito. Primeiro, o fato que vou descrever, eu o tenho na minha memória, como um filme. Não tenho dúvidas sobre o que vi. Segundo, o que mais me surpreendeu, é que eu tinha então, três anos e três meses de idade, já que ocorreu no dia 20 de maio de 1947. Eu nasci em 15 de fevereiro de 1944. Terceiro, nunca conversei com ninguém de Araxá sobre esse eclipse, para que me lembrassem alguma coisa que marcasse essa minha lembrança.  Quarto, conversei sim, em Portugal, quando fui, a trabalho em 1993, numa Feira de Cadernos Escolares, conheci lá um cientista americano – que não me lembro o nome – que quando eu disse que era brasileiro, ele perguntou de onde, e eu respondei Araxá, ele me informou que “foi a cidade que deu toda cobertura aos russos, que foram para Araxá, espionar sobre a existência e a qualidade do urânio que tem lá.” Eu que nunca tinha ouvido falar nisto, fiquei um pouco surpreso, mas o Sr. Américo Barbosa, proprietário da melhor fábrica de cadernos de Portugal, na época, e amigo do cientista, estava conosco e confirmou este fato sobre os russos. Quando estava escrevendo minhas memórias em 2011, fui procurar isto na Internet e encontrei esta informação como verdadeira. Descobri que os russos foram para Araxá e os americanos foram para Bocaiuva, ambos queriam também, comprovar que se podia medir distâncias, pela velocidade da luz, uma teoria finlandesa, para ajustar a mira de mísseis, que na época ainda era incipiente. Assim, tinham equipes aqui em Minas e também na África, a uma distância pré determinada, onde o eclipse seria também total, para comprovar tal teoria.
Mas o que importa é de que eu me lembro. Lembro que alguns dias antes do eclipse, a Alayde Rosa – minha prima, que eu chamo de Dedete – arranjou uns vidros e ia lá para casa, na Rua Costa Sena, para enfumaçar com a fuligem da lamparina de querosene, para podermos olhar para o eclipse, no dia, porque não se podia olhar a olho nu. Preparamos muitos vidros para todos olharmos. Não me lembro de ter olhado, mas lembro-me, muito bem, da preparação dos vidros e do falatório e da expectativa a respeito do esperado fenômeno.
No dia, lembro-me que minha família ficou toda ansiosa para a hora do eclipse. A Rua Costa Sena era de terra, onde jogávamos bola, pião, bolinha de gude e tudo mais. Na esquina da Costa Sena com a Carvalho Lopes, em decorrência da erosão da enxurrada, havia um grande buraco, bem perto do muro do Colégio São Domingos, que nós chamávamos de Colégio das Freiras. Na frente da nossa casa, tinha um jardim, que foi onde a família se reuniu, para “olhar o eclipse”. Começou a escurecer em pleno dia, acredito que antes do almoço, e num determinado momento, ficou realmente noite e muito escuro. Também me lembro que não durou muito tempo, talvez uns dez minutos, no máximo, e voltou a clarear. 
Nesse ínterim, ia descendo pela rua, uma pobre senhora, provavelmente analfabeta – o que era muito comum na época – com um saco meio cheio nas costas, e, desandou a chorar, dizendo que “O MUNDO ESTAVA ACABANDO, QUE ERA CASTIGO DE DEUS...” Então a Dinha (minha Avó) e a Tia Suça (Cicinha), tentaram falar com ela, que era apenas um eclipse, fenômeno já esperado, que ia passar logo... Mas a mulher não parava de chorar e dizer mil impropérios, até que chegou na esquina da Rua Carvalho Lopes, e no escuro, caiu no buraco da enxurrada... Aí sim, ela chorou e berrou e blasfemou. E é disso que não esqueço, porque, com meus três anos, fiquei muito assustado com os gritos dela, até que alguém que estava na Venda (ou seria Bar?), que ficava do outro lado, na Rua Costa Sena mesmo, foi lá para ajudá-la a sair do buraco. Quando a tiraram já estava clareando, por isso que me lembro que não foi por muito tempo. Lembro-me também de terem me vestido um agasalho, porque esfriou, mas não acredito que tenha chegado a zero grau, como se disse.
O que não descobri, foi o que os russos espionaram por lá, porque, pelo que sei o nosso urânio foi quase todo para outros lugares...

domingo, 6 de setembro de 2015

Pizza à vista?


Nicanor de Freitas Filho

            Que falta faz um Joaquim Barbosa! O Dr. Sérgio Moro faz muito, mas pelos privilégios autorregulamentados, ele não pode agir contra nenhum político. Aliás, não pode nem ouvir as confissões dos delatores contra os políticos, segundo quer o Deputado Eduardo Cunha. É uma pena porque o Dr. Moro é firme e forte, tanto quanto foi o Min. Joaquim Barbosa, mas só pode julgar e decidir sobre os suspeitos “não políticos”. E ele tem feito, e, bem feito, o que pode! Mas está limitado.
            Já o Procurador Geral, Sr. Rodrigo Janot, para quem tanto torcemos, para ser reconduzido ao cargo, pelo que parece, perdeu a vontade de mostrar serviço, já que ganhou mais dois anos na importante função. Depois de ouvir a “falta de decoro” do Senador Collor, deu-nos a entender que, não quer mais este tipo de enfrentamento. Pelo menos é isto que estamos entendendo. Passou a mandar arquivar tudo que possa “ofender” seus indicadores e aprovadores... ou não? Será que estou sendo injusto?
            Por outro lado, assistindo uma parte do interrogatório da CPI ao Sr. Marcelo Odebrecht, parecia uma reunião de confraternização! Os deputados só não pediram desculpas a ele, ao vivo, mas no resto, fizeram todas as “mesuras” que se faz num encontro, aos convidados. Ele então se sentia à vontade! Estava no seu ambiente preferido, ou seja, no meio de políticos, que lhe devem muitos favores e coisas tais...  Alguns Deputados, inclusive de oposição, levantaram a bola para ele cortar! Já deu para ver que com os bons advogados, amigos dos “lá de cima”, não terão dificuldades em levar os julgamentos finais até ao STF, através de chicanas e favorecimentos.
            Enquanto isso, a oposição não toma nenhuma medida prática para ajudar a resolver de vez o problema. Agora, que foi um fundador do PT, Dr. Hélio Bicudo, quem entrou com pedido de impeachment, era hora da oposição agir com consciência e tranquilidade, para tocar em frente esse assunto e resolver o problema. É bom para o Brasil o impeachment? Não, não é bom! Definitivamente não é bom. Assuma quem assumir depois dela, vai ter mais dificuldades que qualquer outro, que não seja do PT, para consertar qualquer coisa, pois a CUT já avisou que pega nas armas e vai para rua, além de, nestes 12 anos o PT “ter aparelhado” todas as atividades – não vou nem dizer órgãos ou instituições – mas são as atividades sim, qualquer delas tem alguém do PT que manda, e, manda mesmo! Definitivamente o impeachment não é bom, mas devido a resistência da presidente em não renunciar, é menos pior o impeachment do que os próximos três anos dessa forma! Aliás o Temer confirmou isto. Acho até que ele já preparou quase tudo, para o caso de vir a assumir. Ele já fez mais que toda o oposição!
            Lembro-me perfeitamente no dia que o publicitário Duda Mendonça, sem ter sido convocado, apareceu lá na CPI do Mensalão, tomou o lugar de uma das sócias dele, e confessou ter recebido não sei quantos milhões de dólares, no exterior, por serviços prestados ao PT. (Engraçado né? Ele foi absolvido pelo STF). Logo após a cena incrível da confissão, o falecido Senador Antonio Carlos Magalhães foi entrevistado por uma emissora de TV, e o repórter foi muito claro em perguntar: “então, os senhores vão fazer o pedido de impeachment de Lula?” Ele respondeu com muito sarcasmo: “não, não é preciso, preferimos vê-lo sangrar até a eleição de 2006”... Ele foi reeleito, além de eleger e reeleger o seu poste!
            Como escrevi outro dia, falta à oposição liderança, coragem e criatividade para tomar as medidas que, seriam capazes de nos tirar desse buraco que estamos.

domingo, 30 de agosto de 2015

Capacitação Profissional = Educação

Nicanor de Freitas Filho

            Ouvindo ontem a CBN, o bom programa “50 mais” – apesar de ter 71, ainda assim gosto de ouvir, principalmente os convidados – que, no caso de ontem, foi o Dr. Jerson Larks, do Centro para Doenças de Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, que muito se emocionou quando do Dr. Alexandre Kalache fez uma homenagem ao pai dele falecido, segundo entendi, na Polônia, mas que muito contribuiu socialmente, aqui no Brasil.
            Dentre muitas coisas que ele ensinou, ficou confirmado para mim, que o principal problema do Brasil, sem dúvida, é a EDUCAÇÃO – ou a falta dela. Ainda que, possa nos parecer que hoje seja a corrupção, essa não existiria se todos fossem educados! Uma das primeiras coisas que se aprende numa boa escola é ÉTICA! (Não brigar com o coleguinha, não “pegar” as coisas dos outros, não mentir, dividir os brinquedos, obedecer às regras, etc.) Ele confirmou um dado, que eu já sabia, mas não tinha ideia de quanto, é a falta de capacitação da maioria dos médicos, de fazer um diagnóstico correto do Alzheimer. Ele disse que 80% dos portadores desta doença, não são diagnosticados corretamente, por pura falta de capacitação dos médicos. Principalmente agora, com a “importação” de muitos profissionais, que além de não terem a mínima noção da cultura local, não estão também, capacitados a atender a população mais pobre do Brasil, que muitas vezes nem sabe por que vai ao médico. Simplesmente porque “não estou bem...” Mas, pelo que entendi, os próprios médicos, formados no Brasil, não recebem a devida capacitação para enfrentar nossa realidade! As Faculdades não os preparam, nem os Hospitais, onde fazem residência.
            Trabalhei na área Gráfico-Editorial por 28 anos, fui Gerente do Depto. Comercial de uma tradicional editora brasileira. Vou omitir nomes para evitar constrangimentos. Essa Editora, sempre atenta ao grande mercado – compras governamentais – captou a necessidade que teria o mercado, após a aprovação, pelo MEC, dos novos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), aprovados na gestão do Ministro Paulo Renato, de livros que atendessem o novo aprendizado contextualizado e interdisciplinar, para o desenvolvimento das habilidades e competências exigidas nas grades curriculares. Num ato corajoso e correto, contratou duas professoras que, digamos assim, foram responsáveis por grande parte da redação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, no MEC, na gestão de Paulo Renato, para coordenarem a produção dos livros, de acordo com esses PCN, para todo o ensino médio. Essas duas professoras, se juntaram com cerca de 50 professores e profissionais da área, para produzirem os livros. Sem entrar muito em detalhes, foi criado um “volume”, que poderia ser composto de várias formas pelo professor que o utilizaria, já que era impresso em fascículos de 16 ou 32 páginas e poderiam ser “montados” numa pasta A-Z, da forma que lhes aprouvessem.
            Pois bem, pronto o material, saímos à rua para divulgação do mesmo. Somente duas Escolas se interessaram em adotá-los, nenhuma delas pública. Sabem por quê? Porque nenhum professor se sentia capacitado a usá-los, pois não estavam capacitados a dar aulas, de acordo com os PCN, que por sinal, já estavam em vigor, há pelo menos, cinco anos. Então partimos para capacitá-los, nós mesmos, uma vez que o investimento já tinha sido muito grande, então era melhor investir um pouco mais para atingir nossos objetivos. Qual o que! Não tivemos apoio, nem das Escolas, nem do Governo. Não faltou empenho do pessoal da Editora, principalmente das duas coordenadoras, em trabalhar, na tentativa de capacitar – ensinar mesmo – os professores, para que pudessem adotar os livros, mas os professores preferiam trabalhar com o “feijão-com-arroz”, que já estavam acostumados e lhes permitia dar aulas, sem o trabalho de prepará-las.
            Eu fiquei totalmente decepcionado com as atitudes dos Diretores, Orientadores Educacionais, Coordenadores e Professores, não só das Escolas Públicas como também das particulares. Fui estudar e saber por que não se interessavam por material tão bem elaborado e que ajudaria muito aos próprios professores. Descobri então, que a maioria, não tinha preparação profissional para o professorado, ou seja, tinha outras atividades, que não lhes permitia dar total atenção ao ensino. Não preparavam aulas, simplesmente repetiam o que todos faziam. Quando muito, trocavam algumas ideias entre si, e, tocavam as aulas como dava. Não tinha ninguém para fiscalizar, e para os alunos, quanto mais fácil melhor!
            Nos estudos que fiz, na época, obviamente me levaram à Finlândia, Japão e Coreia do Sul. Apesar do tamanho, o mais comparável ao Brasil é o caso da Coreia do Sul, que em 1963, tinha dados educacionais e econômicos similares aos do Brasil. Com um planejamento muito bem elaborado e principalmente, muito bem executado, e sério, dando total prioridade, no início, à capacitação dos professores e ao ensino fundamental (6 a 12 anos), até início dos anos 80, quando foi incrementado o ensino médio e posteriormente o superior. Eles aplicam cerca de 5% do PIB na Educação, mas o salário base de um professor lá, é por volta de quatro mil dólares. Ou seja, o dinheiro é muito bem aplicado e não tem corrupção! O Professor tem prestígio, mas também é muito exigido. As escolas lá funcionam das 7 às 17 horas. E pelos dados da época, Brasil e Coreia tinham na década de sessenta 35% de analfabetos e hoje o Brasil ainda tem 13% e a Coreia zero. A renda per capta lá, hoje é de 35 mil dólares, no Brasil anda por volta de 10 mil e em recessão. Isto em cinco décadas.
            O que eu quis mostrar é que EDUCAÇÃO é tudo que precisamos, pois ética, cidadania, desenvolvimento, riqueza e tudo mais, vêm depois dela, ou seja, é consequência! E o começo de tudo é a capacitação profissional!

Nota: Não estou criticando nenhum professor – tenho irmãos e amigos professores – apenas informo o que constatei na época (2001/2002) Minha crítica é dirigida aos governantes.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Até quando??


Nicanor de Freitas Filho

            Ontem pela manhã, ouvindo a Rádio CBN, ouvi a notícia que o poste 2 e seu secretário sem “tatto” fizeram uma “patacoada”, excelente expressão usada pelo  Âncora da CBN Milton Jung. Patacoada, para quem não sabe, segundo o Michaelis é: “jactância ridícula, disparate, mentira, peta, basbaque...”, ou seja, uma burrice muito grande, dessas que não tem como negar depois!
            Como sempre eles, definitivamente demonstram que, não sabem os quatro estágios de qualquer atividade: Planejamento, Organização, Administração e Controle, conforme nos ensinou Taylor e Fayol. Então, como erraram muito nas marginais e nas avenidas, em regiões menos importantes, tendo regulado os radares para uma velocidade e as placas indicando outra, tiveram que reduzir a indústria de multas, porque estava tudo errado. A região do Pacaembu, como é muito importante, eles não queriam errar. Foram lá e trocaram todas as placas de velocidade para 50 km/h, mas como ainda não estava informado devidamente e não estava implantado, o que ocorreria somente na segunda-feira, colocaram adesivo em cima do 5, transformando-o em 6, ou seja, ainda valia a velocidade de 60 km/h. Aí, acertaram os radares para iniciar a indústria das multas e se esqueceram de retirar os adesivos. Pode?
            Quando o primeiro reclamante, reclamou, o poste 2 e o sem “tatto” mandaram dizer que foi “VANDALISMO” “deles” (devemos ser nós, que não somos do PT). Acontece que a Equipe do Bom Dia São Paulo, acompanhou tudo e não tinham como jogar a culpa em “nós”. Depois de muitos desajustes, que se tornaram uma patacoada, não tiveram outra alternativa, a não ser confessar o erro. Mas não pediram desculpas!
            E continuamos sem inspeção veicular – parece que ninguém lembra mais –  que funcionava muito bem, até 2013, mas o poste 2 achou que isto não renderia mais votos nas próximas eleições e acabou com a inspeção. Quantas pessoas ficam doentes ou morrem em São Paulo, por causa desta outra patacoada? Não sei dizer, mas tenho certeza que isto acontece!
            Ah! Por falar em mortes, o poste 2 e seu secretário sem “tatto” já têm duas mortes debitadas para as “lindas faixas vermelhas para ciclistas”, muito bem planejadas,  executadas e controladas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Liderança

Nicanor de Freitas Filho

            Recebi no domingo 16 p.p., de um amigo, cópia de texto que ele enviou para vários jornais, onde conta ter recebido um folder, durante as manifestações de 16 de agosto, na Avenida Paulista, muito bem feito, onde se lia em destaque “Fora Dilma”, “Fora Lula” e “Fora PT”. E no texto ele sugere aos autores do folder, que no próximo, acrescentem “Fora PSDB” e explica que já não podemos contar mais com as lideranças deste partido, uma vez que, na melhor das hipóteses, são políticos talvez honestos, mas covardes, pois não têm honrado os 51 milhões de votos recebidos, na última eleição! Declara ainda que os 51 milhões de eleitores, que votaram no PSDB, são cidadãos, não comprometidos com os esquemas do atual governo, nem “sócios” do bolsa-família. Ele se refere ainda a uma resposta dada pelo Sr. Sérgio Fausto (superintendente do Instituto FHC) em uma entrevista ao Estadão: "O partido fez um movimento de aproximação dos grupos anti-Dilma com receio de ficar para trás nesse processo e, em algum momento, de ser punido eleitoralmente por não emprestar apoio ao movimento. O partido não marcha unido em direção aos movimentos. São dois passos para frente, dois para trás. Em resumo, o PSDB percebe e intui que corre um risco de se manter afastado do movimento, mas tampouco tem estratégia clara de como lidar com ele".
            Lendo isto, lembrei-me imediatamente, de um curso de Administração por Objetivos (velho hein?), onde o instrutor afirmava categoricamente, que em qualquer órgão, privado, público, institucional, associações, sem fins lucrativos, ou qualquer outro tipo organização, não conseguirá atingir seus objetivos se não tiver uma Liderança, sim com letra maiúscula, firme, forte e verdadeira! Nunca me esqueci disto nos meus 38 anos seguintes, de trabalho. E, como não sou um líder nato, tive sempre que me esforçar muito, para conseguir liderar, meu setor, minha empresa, meu clube, meus ex-colegas, meus condomínios e ou qualquer grupo que me incluo. A menos que eu já entre como um “liderado”, e, tenha um bom líder! Não é Jayme? (ele sabe ao que me refiro).
            Essa é a grande diferença entre o PT e o PSDB: LIDERANÇA! O PT tem um líder, incontestável, que manda, desmanda, toma decisões, assume posições, faz, desfaz, briga pela causa, fala asneira, mas não perde a liderança. Quem manda é ele e todos sabem disso! E, principalmente, obedecem! Ninguém tem coragem de contestá-lo, mesmo quando ele não faz o que dele se espera. Já no PSDB... hummmm...
            Quem é o líder mesmo? Bem, o Aécio é o presidente, mas o Alckmin – apoiado pelo grupo Covas – manda muito mais! E o José Serra, tem alguma voz no partido? Ele é de reconhecida competência. Ah! Nenhum dos três? É o Fernando Henrique? Deveria ser e deixou de ser, exatamente, por não saber agir como Líder. No ano de 2000, era o Presidente da República, reeleito, vencendo o Lula em duas eleições, tinha “cacife” eleitoral, queria que o Mário Covas (que já estava doente) fosse o seu sucessor na Presidência da República. Mas, por falta de liderança, não soube conduzir as prévias, perdeu sua indicação e não aceitou a decisão do partido, que queria o José Serra como candidato à sucessão dele. O Serra tinha tudo para ser eleito. Tinha sido um bom Ministro, principalmente feito um bom trabalho no Ministério da Saúde e tinha potencial enorme para vencer as eleições. O Sr. Fernando Henrique, ficou “amuado”, por não ter convencido o partido de indicar o Mário Covas – que infelizmente faleceu em março de 2001 – resolveu que, como Presidente, não deveria apoiar um membro do seu partido! Ficou neutro... Deu no que deu.
            Será que hoje, vendo como o Lula escolheu seu “poste” e o elegeu e reelegeu, ele não se arrepende do que fez? Acredito que não, pois, não me esqueço da “cara de felicidade” dele, passando a faixa presidencial ao Lula, lembram-se? Depois ficou mais duas eleições sem liderar o partido, pelo menos visivelmente. E, de novo, seu partido perdeu para o Lula, com Alckmin em 2006, e para a Dilma em 2010. Em 2014, até que tentou ajudar, mas já não é mais líder e se amedrontou tanto com os ataques do PT, sobre seus mandatos, que sumiu na boca do povo. Ele comete algumas incoerências que são lamentáveis. Recentemente ele deu uma entrevista a uma Revista Alemã – Capital – e defendeu ardorosamente a “honestidade de Dilma” e ainda disse que “seria ir longe demais colocar Luiz Inácio Lula da Silva na cadeia, pois trata-se de uma figura pública”.  
            Curioso esse Sr. Cardoso, ou talvez, esquecido. Será que ele se lembra quando em fevereiro deste ano, a Sra. Dilma disse ao Brasil que, “se os escândalos de corrupção na Petrobras tivessem sido investigados durante a gestão de FHC, alguns dos funcionários corruptos não estariam mais praticando atos ilícitos”, o ex-presidente rebateu, emitindo uma nota: “A Excelentíssima Presidente da República deveria ter mais cuidado. Em vez de tentar encobrir suas responsabilidades, jogando-as sobre mim, que nada tenho a ver com o caso, ela deveria fazer um exame de consciência. Poderia começar reconhecendo que foi no mínimo descuidada ao aprovar a compra da refinaria de Pasadena e aguardar com maior serenidade que se apurem as acusações que pesam sobre o seu governo e de seu antecessor".
            Dá para entender uma liderança como esta?

Nota: Este texto foi escrito no dia 16 de agosto, à noite. Como sempre, gosto de fazer a revisão um ou dois dias depois, onde normalmente corrijo, acrescento, e retiro algumas coisas, que no dia que se escreve, não são observados. Na segunda, dia 17, li, nos jornais, algumas notas a respeito de declarações do Sr. FHC e achei que não devia publicar, mas hoje, quando ia apagar, achei que não tem nada de errado, mesmo com uma pequena mudança de atitude dele. Então vai...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Araxá venceu Galo no Mineirão e fez história em 1969


Alcino de Freitas


Todos conhecem a grandeza do Atlético. O que apenas alguns conhecem é a força que o Galo tinha no fim da década de 60 e início da década de 1970. Nas cobranças de escanteio, Dadá Maravilha subia, antecipava ao goleiro e marcava. 

No dia 22 de março de 1969, uma das vítimas do atacante foi o Araxá Esporte, pelo Campeonato Minero, no Mineirão. A diferença é que a jogada famosa por decidir jogos e até campeonatos a favor do Galo só diminuiu o prejuízo do time da capital. Antes disso, Esmeraldo e Aguinaldo tinham marcado para o Ganso.


Em pé: Esq. para direita: FRED ,ESMERALDO, CLAUDIO, SALTON, FRANKLIN, EDUARDO
Agachados: Esq. para direita:PAULINHO , AGUINALDO, NATO, SPENCER, GERALDINO

O primeiro tempo terminou com o Ganso à frente do Atlético Mineiro. Já na segunda etapa, o Galo voltou com Dadá Maravilha, no lugar de Lola. O atacante saiu do banco de reservas, para diminuir a vantagem do Araxá. Porém, o confronto terminou com a vitória do time do interior. 


Aguinaldo comemorando o gol com o ponta direita no Mineirão (Foto: José Aguinaldo/Arquivo Pessoal)

O ex-zagueiro Marco Antônio Silva, conhecido como Salton, também vestia a camisa do Araxá naquele dia e nos contou parte da história. “No fim do jogo, o Aguinaldo sofreu uma falta e saiu carregado do campo. O jogo terminou e a gente só pensava como ele estava, não dava para celebrar a vitória sem ele. Quando ficamos sabendo que Aguinaldo estava no hospital, trocamos de roupa correndo e fomos pra lá. Só depois que vimos que ele estava bem é que comemoramos o 2 a 1 em cima do Atlético, no Mineirão”, relembrou Salton.


Salton relembra que poderia ter evitado o gol de Dadá (Foto: Maritza Borges)

O companheirismo de 1969 reflete até hoje entre Aguinaldo e Salton. Os dois não se esquecem que, naquele ano, o Araxá ficou em 3º lugar, em arrecadação no Campeonato Mineiro, atrás somente do de Atlético Mineiro e Cruzeiro. Ano em que a torcida fez a diferença, dentro e fora de casa.

A vitória sobre o Atlético, por 2 a 1 representou um novo momento para o time do interior mineiro, que passou a ser reconhecido pela imprensa da capital.  “A imprensa da capital passou a reconhecer o Araxá Esporte como uma das forças do futebol mineiro. Em 1966, fomos campeões, permanecemos no acesso, ganhamos do Atlético, em 1969, e em 1970 o clube fecha as portas, encerrando um ciclo. Foi muito difícil, por que a equipe estava muito bem e de repente tudo se acabou“, relembrou, com triste saudade, Salton.

Confira as escalações do jogo em 1969:
Araxá Esporte Clube: Fred, Claudio, Esmeraldo, Salton, Eduardo, Franklin, Aguinaldo, Spencer, Paulinho,Nato e Geraldinho.
Atlético Mineiro: Mussula; Vânder, Grapete, Djalma Dias, Cincunegui; Vanderlei Paiva, Amauri Horta, Ronaldo; Vaguinho, Lola (Dadá Maravilha) e Tião.

Fonte: Alcino de Freitas e Globo.com

Notas do Blog:
Nota 1: Todas as equipes em Minas são representadas por um animal; O Araxá Esporte Clube é o Ganso.
Nota 2: Só para lembrar, o Galo no fim da década de 60 e início da década de 70 era muito bom mesmo, a ponto de ter sido, em 1971, o primeiro Campeão do verdadeiro Campeonato Brasileiro de Futebol.

sábado, 8 de agosto de 2015

Treino da Seleção Brasileira - 1950


Alcino de Freitas

1950 – Ano em que a Seleção Brasileira de Futebol passou 32 dias hospedada no Grande Hotel do Barreiro de Araxá.

            O Brasil em 1950 e a Suíça em 1954 foram escolhidos como sedes das Copas do Mundo, por não terem sido atingidos pela guerra. O Brasil construiu o então, maior Estádio do mundo, o Maracanã. O artilheiro da Copa de 1950 foi Ademir Menezes (Brasil), que marcou 9 gols. Em março de 1950, 28 jogadores se fecharam no Grande Hotel do Barreiro, em Araxá (MG), conhecida por suas águas medicinais. Ficaram 32 dias se preparando para a Copa do Mundo. Os 28 jogadores pré-convocados vieram, principalmente, para fazer um trabalho de preparação física. O técnico Flávio Costa ficou muito pouco tempo em Araxá, pois viajou para a Europa, para ver jogos da Inglaterra e da Espanha. Quem acompanhou o time durante os 32 dias foi Vicente Feola, que comandava a Seleção Paulista e seria o primeiro técnico campeão mundial, do Brasil, em 1958, na Suécia. Os jogadores andavam a cavalo, nadavam, pescavam, mas, sentiam falta da família. Se em 2014 a Granja Comary tinha área de convivência e churrasqueira para os parentes serem recebidos, as cartas enviadas de Araxá, em 1950, não chegaram às famílias, como declararam alguns atletas após o Maracanazo, como ficou conhecida a derrota para os uruguaios no Maracanã, em 16 de julho de 1950.
            No dia 19 de abril de 1950, foi distribuído na cidade um programa que dizia assim: 
”’SEGUNDO TREINO DE CONJUNTO DO SELECIONADO BRASILEIRO’.
A escalação feita pelo técnico Vicente Feola, para os dois quadros do Selecionado, que usarão as camisas do Najá e Ipiranga, é a seguinte: IPIRANGA: Barbosa, Augusto e Mauro; Bauer, Rui e Bigode; Friaça, Zizinho, Baltazar, Jair e Rodrgues.
  NAJÁ: Castilho, Santos e Juvenal; Ely, Danilo e Noronha; Tesourinha, Maneca, Ademir, Pinga e Chico.
À disposição do técnico para substituições: Píndaro – Nena – Brandãozinho – Alfredo – Adãozinho e Ipojucan.”


Notas do blog:
Nota 1: Naquela época a comunicação de jogos, era feita por distribuição de “programa” (impresso).
Nota 2: Najá e Ipiranga, para quem não é de Araxá, trata-se dos nomes dos dois times de maior rivalidade,  que já existiu, assim tipo, Brasil e Argentina, Corinthians e Palmeiras...!
Nota 3: As fotos acima são de um primeiro treino e não do programa citado. Os goleiros, por exemplo, foram trocados de times. 
Nota 4: As fotos foram tiradas no Estádio Fausto Alvim de Araxá.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

domingo, 2 de agosto de 2015

São Paulo e sua sina III

Nicanor de Freitas Filho

            Seguindo os conselhos do amigo Trasmontano, não desperdiçarei mais sorvete, mesmo porque, segundo ele, posso fazer um calombo na testa, mas continuarei indignado, isto sim! Principalmente quando esses políticos incompetentes vêm aqui para estragar a cidade que eu adotei como minha cidade (dupla cidadania) há mais de 50 anos. Fico indignado mesmo!
            Veja o que o poste 2 conseguiu agora: ajuda do poste 1, provavelmente a mandado do inventor dos postes. Porque ele é que manda em tudo!
            No meio da aprovação e “vetação” das alterações do Código de Trânsito Brasileiro, o poste 2 conseguiu incluir lá um artigo que só interessa a ele e a mais ninguém! E o poste 1 não quis vetar! Vetou um montão de outras coisas, inclusive que não deveria vetar. Refiro-me ao artigo que considera como falta gravíssima, transitar nas faixas de ônibus, que como se viu agora, o TCM diz que estão superfaturadas em cerca de 49 milhões. Comeram mais de 450 km de pista de rodagem dos carros e até agora, como sabemos, só ajuda na arrecadação de multas. A multa, até agora, era de cerca 53 reais e já proporcionava uma grande arrecadação ao poste 2. Passando a gravíssima, com perda de 7 pontos na carteira e apreensão do veículo etc.. Só para vocês entenderem, com essa classificação ela só não é mais grave do que “fazer racha”. Então, além de aumentar para 191,54 reais, ela ainda é multiplicada por 3, pela gravidade.  Ou seja, ela passa de pouco mais de 53 reais para mais de 570 reais e com direito a apreensão do veículo. Ano passado foram emitidas mais de um milhão e duzentas mil multas dessas. Ora, se aumentou agora cerca de 500 reais por multa, vai proporcionar ao poste 2, a arrecadação de mais de 600 milhões de reais, só neste item!
            Eu não sou contra fiscalizar e multar motoristas que não cumpram a lei. Eu faço o possível para cumpri-las, faz parte da minha moral e da minha ética. O que estou questionando é a forma que este artigo foi incluído lá, exclusivamente para atender ao senhor prefeito de São Paulo, um incapacitado para administrar esta cidade, principalmente juntado lá na assessoria dele, pessoas totalmente sem tato e ex políticos perdedores, tipo assim Suplicy, Padilha, etc.. Acho que a lei é para ser cumprida. Eu vou procurar não transitar nas fixas de ônibus, mas como eu disse em artigo anterior, por exemplo, ser vendedor em São Paulo, daqueles que precisam carregar amostras e ter reuniões constantes com os clientes, vão ser multados, com certeza. Vejam só: (peço perdão para quem não conhece São Paulo, mas acredito que vão entender o meu relato) Outro dia fui à Vila Clementino e tinha que voltar para Cerqueira Cesar. Vim pela Rua Tutóia, que desemboca na Av. Brigadeiro Luis Antonio – que tem faixa de ônibus nas duas direções. Fiquei um tempo enorme parado no último quarteirão da Rua Tutóia, porque havia um acidente na esquina da Av. Brig. Luis Antonio com Alameda Santos. O trânsito estava quase parado. Para entrar na Av. Brig. Luis Antonio, tive que entrar na hora que deu. Ali é uma faixa de ônibus. Nos 10 primeiros metros, a partir da esquina, a faixa é tracejada e portanto pode-se transitar. Acontece que nenhum motorista quis me dar passagem, para eu sair da faixa dos ônibus. Acabou a parte tracejada. Então eu não poderia mais ficar naquele faixa. Parei. O ônibus que estava atrás, começou a acelerar violentamente como que pedindo passagem. O que fazer? Ficar parado ou continuar na faixa dos ônibus? Subi quase dois quarteirões com o ônibus atrás de mim acelerando, pedindo caminho e eu sem conseguir sair para esquerda. Acredito que não fui multado, pois até hoje não recebi nenhuma notificação, mas segundo a nova legislação – eu, não só deveria ser multado em mais de 570 reais e poderia ter meu carro apreendido. Pergunto: -Como agir numa situação como esta? É uma situação corriqueira em São Paulo, acontece todos os dias.
            Só para entenderem melhor, o poste 1 vetou um artigo que proibia transporte de cargas ilegais e pessoas. Assim, facilitou a tráfego de drogas e cargas roubadas, por exemplo.  Lembrando que a proibição de tráfego nas faixas exclusivas, já existia, como grave – se fosse no corredor (lado esquerdo) -  e leve – se fosse na faixa (do lado direito), porque que será que ela não vetou o uso da faixa, como falta gravíssima, com perda de 7 pontos e apreensão do veículo?
            Segundo explicação de um especialista em trânsito, Dr. Flaminio Fichmann, são consideradas faltas gravíssimas somente as faltas que implicam em SEGURANÇA que não se pode confundir com faltas leves ou graves as de FLUIDEZ de trânsito.
            Prometo não falar mais de trânsito, porque se formos entrar nas faixas para ciclistas... aí vou levar muita porrada e não quero perder amigos...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

São Paulo e sua sina II

Nicanor de Freitas Filho

            Ao abrir os jornais desta manhã, comprovei que minha última postagem, foi devidamente comprovada, na prática, na teoria e quanto fui feliz na minha posição. Senão vejamos.  O “ajudante de ordem” do poste 2, aquele que não tem tato (só no nome “Tatto”), deu uma entrevista, informando que entraria em vigor, ainda este ano, o fechamento das pistas expressas das Marginais dos Rios Tietê e Pinheiros, das 00:00 h às 05:00 h, para evitar mais acidentes, que são comuns neste horário (?). Então os jornalistas questionaram a medida e ele disse que já havia feito 3 testes e que funcionou bem, porque é a hora que os caminhoneiros mais correm naquelas vias.
            O senhor prefeito, que estava inaugurando um nada qualquer em São Miguel, foi questionado pelos repórteres e disse que não sabia de nada disso! Ãããhh!! De novo bati com o sorvete na testa! Como, se o seu secretário já divulgou? “–Eu não fui informado de nada, repetiu o senhor poste 2.  Ele (Tatto) falou que está em elaboração? Não chegou ao meu conhecimento. Estou sabendo por vocês.”
            Mais tarde a CET e a Secretaria de Transportes teriam soltado uma nota, informando que estão concentradas exclusivamente no monitoramento das novas velocidades e estariam descartados quaisquer outros fechamentos.
            Não bastasse isso, o totalmente sem tato, também soltou uma nota de “reconsideração de declaração” dizendo que não haverá nenhum tipo de operação com o intuito de fechar trechos das pistas expressas durante a madrugada.
            Como pode ser visto, tudo devidamente planejado, organizado, administrado e controlado, de acordo com as técnicas de Taylor e Fayol, como citei anteriormente. Que lambança! É muito desprezo à inteligência do Paulistano. Eles brincam com coisas muito sérias, principalmente a mobilidade na capital. Isto tem que ser feito por quem conhece e tenha capacidade de colocar em discussão pública, com um planejamento sério, depois de nos ouvir, pois afinal somos nós que vamos fazer uso e mais sério, somos nós que pagamos!
            Eles vivem mesmo de factoides! Qual será o próximo? Pergunta o Engenheiro e Mestre de Transportes da USP Dr. Sérgio Ejzenberg!

sábado, 25 de julho de 2015

São Paulo e sua sina


Nicanor de Freitas Filho

            Dia 22 pela manhã ouvi uma pequena entrevista do nosso prefeito Haddad (aquele que tem 16% de aprovação), que estava em Roma, dizendo que a redução de velocidade das marginais é uma tendência mundial, e, em São Paulo é experimental e provisória... Ãããhh? Quase bati com o sorvete na testa. Em seguida um ouvinte mandou o recado: “Experimentar na marginal dos outros é colírio para seus experimentos...”
            Antes de tudo, quero deixar claro que, sem dúvida nenhuma, a estatística de acidentes e vítimas de trânsito em São Paulo, pede mesmo providências sérias. Não sou contra tomar medidas, mas no afã de acabar com os carros em São Paulo o Poste 2, e seu ajudante de ordem, têm nos agredido com uma violência que não se justifica. Eles já atrapalharam o trânsito de norte a sul, leste a oeste, centro e tudo mais, com suas pinturas de asfalto, às vezes vermelhas – para os ciclistas – e às vezes brancas para os ônibus, com quem eles querem fazer um contrato de 20 anos e se dane quem vier depois deles. Deslocar-se em São Paulo está se tornando um desafio, principalmente profissionais que dependem de visitas aos seus clientes, incluindo entregas.
            Eles – como diria o Lula, porque se são adversários são “eles” – dizem que fazem estudos técnicos, mas não são divulgados. Já procurei em todos os sites que possam ter tais estudos, desde o da Prefeitura até o do Instituto Lula, passando por DET, CET, Detran, Denatran, FGV e tudo mais. Eles acham que somos bobos, que acreditamos em tudo que eles dizem. O que estão fazendo são experiências populistas e nada mais. E eu não gosto de servir de cobaia não!!
            Será que o Poste 2 acha mesmo que pode comparar as coisas de São Paulo, com as coisas de Nova Iorque, por exemplo, que ele citou? Vamos ver...
            Nova Iorque, que ele citou, deve se referir a Manhattan, onde estão concentrados os problemas de trânsito. Trata-se, como sabemos de um tabuleiro comprido de cerca de 60 km², com 16 avenidas de sentido norte-sul e mais de 200 ruas no sentido leste-oeste. Tudo planejado, as avenidas longas e com largura que permitem velocidade de até 40 mph (64 km/h) e ruas estreitas, mas que geralmente você dirige por apenas um quarteirão, pois para se deslocar em distância utiliza-se as avenidas até o ponto onde você vai. Tem três ruas que são mais largas (leste-oeste), para você atingir a avenida que você vai utilizar. O que eu quero dizer é que foi tudo resultado de um  planejamento, para funcionar assim, e, funciona!
            Depois desse planejamento tem toda uma organização, e fiscalização de trânsito, um respeito pelas normas, uma conservação das pistas, com largas calçadas, principalmente nas avenidas. Um sistema de ônibus, metrô, trens e helicópteros, que causa inveja a qualquer um. Então o Metrô é bonito? Não, não é bonito, é velho e com muitas pichações, mas funciona! E funciona bem!
            Tudo lá é previsto e tem autoridade para fazer cumprir. Estava lá em fevereiro de 1983, para uma feira de material escolar, e caiu uma nevasca que acumulou cerca de 70 cm. de neve nas avenidas. Cada proprietário retirando a neve de sua calçada e as máquinas da Prefeitura limpando e espalhando sal para derreter a neve.  Tudo num gerenciamento perfeito, tudo funcionando, inclusive a feira que participei, que naquela época ainda era no Coliseum Center, encostado ao Central Park.
            As linhas de metrô, que eram os principais meios de transportes nesses casos, tiveram sua capacidade aumentada, e tudo dentro de um perfeito controle, que fez tudo funcionar, inclusive fazer minhas amostras, que ainda estavam no Aeroporto, chegarem antes da abertura da feira! 
            Fiz questão de usar quatro palavras que as grifei, e a redação pode não ter ficado ideal, para dizer ao poste 2, daqui de São Paulo, que ainda que pareça, nada funciona sem planejamento, organização, gerenciamento (administração) e controle, como nos ensinou Taylor e Fayol (ele nunca deve ter ouvido falar nisso).
            Será que ele não percebe que a complexidade e a compleição da cidade de São Paulo não pode ser comparada com as cidades americanas e europeias? E portanto não se pode fazer “experiências” sem um estudo detalhado, feito por quem conhece e, principalmente, tenha “tato” e não “tatto”?
            Antes de partir para experimentos, só para experimentar, deveria analisar e implantar na cidade que “governa”:
            Primeiro: Cultura – A cultura do brasileiro se assemelha com a dos americanos e europeus? Acho que não! O brasileiro usa, em primeiro lugar, a lei de Gérson (coitado, ficou o nome dele, para quem quer levar vantagem em tudo), nunca pensa nos demais usuários, principalmente se estiver dirigindo um veículo grande!
            Segundo: Educação – a cultura é o resultado da educação que se recebe, portanto é fácil explicar. O que ele tem feito pela educação dos paulistanos? Quase nada!
            Terceiro: Segurança – não se tem segurança em São Paulo, portanto diminuir a velocidade é colaborar com os assaltantes, que terão suas vidas facilitadas, pois os carros estarão em velocidade compatível para abordagem armada.
            Quarto: Sinalização – a sinalização das marginais em São Paulo é péssima. Tem hora que é tão confusa que ficamos em dúvida se devemos ou não mudar de pista. Isto para mim, que vivo aqui em São Paulo há mais de 50 anos e dirijo há mais de 45 anos. Fui vendedor e andava por toda a cidade dirigindo, por cerca de 28 anos. Imagina um visitante ou turista que chega aqui pela primeira vez! Tenho dó dos vendedores, que como eu precisava de ir aos clientes, levar e discutir amostras e outras reuniões importantes.
            Quinto: Manutenção – Como sabemos, a manutenção de nossas vias públicas, em geral, são péssimas, além de terem sido mal construídas.
            Sexto: Fiscalização – o brasileiro em geral, se não for muito bem fiscalizado, não obedece mesmo! E a nossa fiscalização é muito deficiente.
            Sétimo: Opções – Quais as opções de transportes públicos que temos? Um sistema de ônibus que, se chamar de péssimo estarei elogiando. Um sistema de Metrô, que não atende nem 15% da cidade. Que outras rotas poderiam ser opções para as marginais? Ah! Já ia me esquecendo, temos as pinturas vermelhas (cor do PT) no chão, que ele chama de faixas para ciclistas, muitas esburacadas e totalmente sem uso. Temos também as faixas de ônibus, que ajudou muito, não a aumentar a velocidade dos ônibus, mas ajudou a atrapalhar mais o trânsito de São Paulo. As medidas que o Sr. Haddad e o tal do senhor Tatto (com 2 tes, porque tato com um só, ele não tem mesmo) tomam medidas, todas improvisadas, sem planejamento, sem pesquisas, e tão somente para agradar uma parte da população, pensando que  com isso, vão angariar votos na próxima eleição.
            Quem já visitou as cidades, que seguem a “tendência mundial”, como expressou o despreparado prefeito de São Paulo, sabe do que estou falando.
            Agora ele está falando em fechar a Paulista aos domingos... Vou rezar para que o meu próximo infarto (Deus queira que não o tenha) não seja no domingo, para eu não ter como atravessar a Paulista, até chegar ao Pronto Socorro em tempo! Do primeiro infarto cheguei 7 minutos antes da parada cardiovascular...