sábado, 8 de agosto de 2015

Treino da Seleção Brasileira - 1950


Alcino de Freitas

1950 – Ano em que a Seleção Brasileira de Futebol passou 32 dias hospedada no Grande Hotel do Barreiro de Araxá.

            O Brasil em 1950 e a Suíça em 1954 foram escolhidos como sedes das Copas do Mundo, por não terem sido atingidos pela guerra. O Brasil construiu o então, maior Estádio do mundo, o Maracanã. O artilheiro da Copa de 1950 foi Ademir Menezes (Brasil), que marcou 9 gols. Em março de 1950, 28 jogadores se fecharam no Grande Hotel do Barreiro, em Araxá (MG), conhecida por suas águas medicinais. Ficaram 32 dias se preparando para a Copa do Mundo. Os 28 jogadores pré-convocados vieram, principalmente, para fazer um trabalho de preparação física. O técnico Flávio Costa ficou muito pouco tempo em Araxá, pois viajou para a Europa, para ver jogos da Inglaterra e da Espanha. Quem acompanhou o time durante os 32 dias foi Vicente Feola, que comandava a Seleção Paulista e seria o primeiro técnico campeão mundial, do Brasil, em 1958, na Suécia. Os jogadores andavam a cavalo, nadavam, pescavam, mas, sentiam falta da família. Se em 2014 a Granja Comary tinha área de convivência e churrasqueira para os parentes serem recebidos, as cartas enviadas de Araxá, em 1950, não chegaram às famílias, como declararam alguns atletas após o Maracanazo, como ficou conhecida a derrota para os uruguaios no Maracanã, em 16 de julho de 1950.
            No dia 19 de abril de 1950, foi distribuído na cidade um programa que dizia assim: 
”’SEGUNDO TREINO DE CONJUNTO DO SELECIONADO BRASILEIRO’.
A escalação feita pelo técnico Vicente Feola, para os dois quadros do Selecionado, que usarão as camisas do Najá e Ipiranga, é a seguinte: IPIRANGA: Barbosa, Augusto e Mauro; Bauer, Rui e Bigode; Friaça, Zizinho, Baltazar, Jair e Rodrgues.
  NAJÁ: Castilho, Santos e Juvenal; Ely, Danilo e Noronha; Tesourinha, Maneca, Ademir, Pinga e Chico.
À disposição do técnico para substituições: Píndaro – Nena – Brandãozinho – Alfredo – Adãozinho e Ipojucan.”


Notas do blog:
Nota 1: Naquela época a comunicação de jogos, era feita por distribuição de “programa” (impresso).
Nota 2: Najá e Ipiranga, para quem não é de Araxá, trata-se dos nomes dos dois times de maior rivalidade,  que já existiu, assim tipo, Brasil e Argentina, Corinthians e Palmeiras...!
Nota 3: As fotos acima são de um primeiro treino e não do programa citado. Os goleiros, por exemplo, foram trocados de times. 
Nota 4: As fotos foram tiradas no Estádio Fausto Alvim de Araxá.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

domingo, 2 de agosto de 2015

São Paulo e sua sina III

Nicanor de Freitas Filho

            Seguindo os conselhos do amigo Trasmontano, não desperdiçarei mais sorvete, mesmo porque, segundo ele, posso fazer um calombo na testa, mas continuarei indignado, isto sim! Principalmente quando esses políticos incompetentes vêm aqui para estragar a cidade que eu adotei como minha cidade (dupla cidadania) há mais de 50 anos. Fico indignado mesmo!
            Veja o que o poste 2 conseguiu agora: ajuda do poste 1, provavelmente a mandado do inventor dos postes. Porque ele é que manda em tudo!
            No meio da aprovação e “vetação” das alterações do Código de Trânsito Brasileiro, o poste 2 conseguiu incluir lá um artigo que só interessa a ele e a mais ninguém! E o poste 1 não quis vetar! Vetou um montão de outras coisas, inclusive que não deveria vetar. Refiro-me ao artigo que considera como falta gravíssima, transitar nas faixas de ônibus, que como se viu agora, o TCM diz que estão superfaturadas em cerca de 49 milhões. Comeram mais de 450 km de pista de rodagem dos carros e até agora, como sabemos, só ajuda na arrecadação de multas. A multa, até agora, era de cerca 53 reais e já proporcionava uma grande arrecadação ao poste 2. Passando a gravíssima, com perda de 7 pontos na carteira e apreensão do veículo etc.. Só para vocês entenderem, com essa classificação ela só não é mais grave do que “fazer racha”. Então, além de aumentar para 191,54 reais, ela ainda é multiplicada por 3, pela gravidade.  Ou seja, ela passa de pouco mais de 53 reais para mais de 570 reais e com direito a apreensão do veículo. Ano passado foram emitidas mais de um milhão e duzentas mil multas dessas. Ora, se aumentou agora cerca de 500 reais por multa, vai proporcionar ao poste 2, a arrecadação de mais de 600 milhões de reais, só neste item!
            Eu não sou contra fiscalizar e multar motoristas que não cumpram a lei. Eu faço o possível para cumpri-las, faz parte da minha moral e da minha ética. O que estou questionando é a forma que este artigo foi incluído lá, exclusivamente para atender ao senhor prefeito de São Paulo, um incapacitado para administrar esta cidade, principalmente juntado lá na assessoria dele, pessoas totalmente sem tato e ex políticos perdedores, tipo assim Suplicy, Padilha, etc.. Acho que a lei é para ser cumprida. Eu vou procurar não transitar nas fixas de ônibus, mas como eu disse em artigo anterior, por exemplo, ser vendedor em São Paulo, daqueles que precisam carregar amostras e ter reuniões constantes com os clientes, vão ser multados, com certeza. Vejam só: (peço perdão para quem não conhece São Paulo, mas acredito que vão entender o meu relato) Outro dia fui à Vila Clementino e tinha que voltar para Cerqueira Cesar. Vim pela Rua Tutóia, que desemboca na Av. Brigadeiro Luis Antonio – que tem faixa de ônibus nas duas direções. Fiquei um tempo enorme parado no último quarteirão da Rua Tutóia, porque havia um acidente na esquina da Av. Brig. Luis Antonio com Alameda Santos. O trânsito estava quase parado. Para entrar na Av. Brig. Luis Antonio, tive que entrar na hora que deu. Ali é uma faixa de ônibus. Nos 10 primeiros metros, a partir da esquina, a faixa é tracejada e portanto pode-se transitar. Acontece que nenhum motorista quis me dar passagem, para eu sair da faixa dos ônibus. Acabou a parte tracejada. Então eu não poderia mais ficar naquele faixa. Parei. O ônibus que estava atrás, começou a acelerar violentamente como que pedindo passagem. O que fazer? Ficar parado ou continuar na faixa dos ônibus? Subi quase dois quarteirões com o ônibus atrás de mim acelerando, pedindo caminho e eu sem conseguir sair para esquerda. Acredito que não fui multado, pois até hoje não recebi nenhuma notificação, mas segundo a nova legislação – eu, não só deveria ser multado em mais de 570 reais e poderia ter meu carro apreendido. Pergunto: -Como agir numa situação como esta? É uma situação corriqueira em São Paulo, acontece todos os dias.
            Só para entenderem melhor, o poste 1 vetou um artigo que proibia transporte de cargas ilegais e pessoas. Assim, facilitou a tráfego de drogas e cargas roubadas, por exemplo.  Lembrando que a proibição de tráfego nas faixas exclusivas, já existia, como grave – se fosse no corredor (lado esquerdo) -  e leve – se fosse na faixa (do lado direito), porque que será que ela não vetou o uso da faixa, como falta gravíssima, com perda de 7 pontos e apreensão do veículo?
            Segundo explicação de um especialista em trânsito, Dr. Flaminio Fichmann, são consideradas faltas gravíssimas somente as faltas que implicam em SEGURANÇA que não se pode confundir com faltas leves ou graves as de FLUIDEZ de trânsito.
            Prometo não falar mais de trânsito, porque se formos entrar nas faixas para ciclistas... aí vou levar muita porrada e não quero perder amigos...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

São Paulo e sua sina II

Nicanor de Freitas Filho

            Ao abrir os jornais desta manhã, comprovei que minha última postagem, foi devidamente comprovada, na prática, na teoria e quanto fui feliz na minha posição. Senão vejamos.  O “ajudante de ordem” do poste 2, aquele que não tem tato (só no nome “Tatto”), deu uma entrevista, informando que entraria em vigor, ainda este ano, o fechamento das pistas expressas das Marginais dos Rios Tietê e Pinheiros, das 00:00 h às 05:00 h, para evitar mais acidentes, que são comuns neste horário (?). Então os jornalistas questionaram a medida e ele disse que já havia feito 3 testes e que funcionou bem, porque é a hora que os caminhoneiros mais correm naquelas vias.
            O senhor prefeito, que estava inaugurando um nada qualquer em São Miguel, foi questionado pelos repórteres e disse que não sabia de nada disso! Ãããhh!! De novo bati com o sorvete na testa! Como, se o seu secretário já divulgou? “–Eu não fui informado de nada, repetiu o senhor poste 2.  Ele (Tatto) falou que está em elaboração? Não chegou ao meu conhecimento. Estou sabendo por vocês.”
            Mais tarde a CET e a Secretaria de Transportes teriam soltado uma nota, informando que estão concentradas exclusivamente no monitoramento das novas velocidades e estariam descartados quaisquer outros fechamentos.
            Não bastasse isso, o totalmente sem tato, também soltou uma nota de “reconsideração de declaração” dizendo que não haverá nenhum tipo de operação com o intuito de fechar trechos das pistas expressas durante a madrugada.
            Como pode ser visto, tudo devidamente planejado, organizado, administrado e controlado, de acordo com as técnicas de Taylor e Fayol, como citei anteriormente. Que lambança! É muito desprezo à inteligência do Paulistano. Eles brincam com coisas muito sérias, principalmente a mobilidade na capital. Isto tem que ser feito por quem conhece e tenha capacidade de colocar em discussão pública, com um planejamento sério, depois de nos ouvir, pois afinal somos nós que vamos fazer uso e mais sério, somos nós que pagamos!
            Eles vivem mesmo de factoides! Qual será o próximo? Pergunta o Engenheiro e Mestre de Transportes da USP Dr. Sérgio Ejzenberg!

sábado, 25 de julho de 2015

São Paulo e sua sina


Nicanor de Freitas Filho

            Dia 22 pela manhã ouvi uma pequena entrevista do nosso prefeito Haddad (aquele que tem 16% de aprovação), que estava em Roma, dizendo que a redução de velocidade das marginais é uma tendência mundial, e, em São Paulo é experimental e provisória... Ãããhh? Quase bati com o sorvete na testa. Em seguida um ouvinte mandou o recado: “Experimentar na marginal dos outros é colírio para seus experimentos...”
            Antes de tudo, quero deixar claro que, sem dúvida nenhuma, a estatística de acidentes e vítimas de trânsito em São Paulo, pede mesmo providências sérias. Não sou contra tomar medidas, mas no afã de acabar com os carros em São Paulo o Poste 2, e seu ajudante de ordem, têm nos agredido com uma violência que não se justifica. Eles já atrapalharam o trânsito de norte a sul, leste a oeste, centro e tudo mais, com suas pinturas de asfalto, às vezes vermelhas – para os ciclistas – e às vezes brancas para os ônibus, com quem eles querem fazer um contrato de 20 anos e se dane quem vier depois deles. Deslocar-se em São Paulo está se tornando um desafio, principalmente profissionais que dependem de visitas aos seus clientes, incluindo entregas.
            Eles – como diria o Lula, porque se são adversários são “eles” – dizem que fazem estudos técnicos, mas não são divulgados. Já procurei em todos os sites que possam ter tais estudos, desde o da Prefeitura até o do Instituto Lula, passando por DET, CET, Detran, Denatran, FGV e tudo mais. Eles acham que somos bobos, que acreditamos em tudo que eles dizem. O que estão fazendo são experiências populistas e nada mais. E eu não gosto de servir de cobaia não!!
            Será que o Poste 2 acha mesmo que pode comparar as coisas de São Paulo, com as coisas de Nova Iorque, por exemplo, que ele citou? Vamos ver...
            Nova Iorque, que ele citou, deve se referir a Manhattan, onde estão concentrados os problemas de trânsito. Trata-se, como sabemos de um tabuleiro comprido de cerca de 60 km², com 16 avenidas de sentido norte-sul e mais de 200 ruas no sentido leste-oeste. Tudo planejado, as avenidas longas e com largura que permitem velocidade de até 40 mph (64 km/h) e ruas estreitas, mas que geralmente você dirige por apenas um quarteirão, pois para se deslocar em distância utiliza-se as avenidas até o ponto onde você vai. Tem três ruas que são mais largas (leste-oeste), para você atingir a avenida que você vai utilizar. O que eu quero dizer é que foi tudo resultado de um  planejamento, para funcionar assim, e, funciona!
            Depois desse planejamento tem toda uma organização, e fiscalização de trânsito, um respeito pelas normas, uma conservação das pistas, com largas calçadas, principalmente nas avenidas. Um sistema de ônibus, metrô, trens e helicópteros, que causa inveja a qualquer um. Então o Metrô é bonito? Não, não é bonito, é velho e com muitas pichações, mas funciona! E funciona bem!
            Tudo lá é previsto e tem autoridade para fazer cumprir. Estava lá em fevereiro de 1983, para uma feira de material escolar, e caiu uma nevasca que acumulou cerca de 70 cm. de neve nas avenidas. Cada proprietário retirando a neve de sua calçada e as máquinas da Prefeitura limpando e espalhando sal para derreter a neve.  Tudo num gerenciamento perfeito, tudo funcionando, inclusive a feira que participei, que naquela época ainda era no Coliseum Center, encostado ao Central Park.
            As linhas de metrô, que eram os principais meios de transportes nesses casos, tiveram sua capacidade aumentada, e tudo dentro de um perfeito controle, que fez tudo funcionar, inclusive fazer minhas amostras, que ainda estavam no Aeroporto, chegarem antes da abertura da feira! 
            Fiz questão de usar quatro palavras que as grifei, e a redação pode não ter ficado ideal, para dizer ao poste 2, daqui de São Paulo, que ainda que pareça, nada funciona sem planejamento, organização, gerenciamento (administração) e controle, como nos ensinou Taylor e Fayol (ele nunca deve ter ouvido falar nisso).
            Será que ele não percebe que a complexidade e a compleição da cidade de São Paulo não pode ser comparada com as cidades americanas e europeias? E portanto não se pode fazer “experiências” sem um estudo detalhado, feito por quem conhece e, principalmente, tenha “tato” e não “tatto”?
            Antes de partir para experimentos, só para experimentar, deveria analisar e implantar na cidade que “governa”:
            Primeiro: Cultura – A cultura do brasileiro se assemelha com a dos americanos e europeus? Acho que não! O brasileiro usa, em primeiro lugar, a lei de Gérson (coitado, ficou o nome dele, para quem quer levar vantagem em tudo), nunca pensa nos demais usuários, principalmente se estiver dirigindo um veículo grande!
            Segundo: Educação – a cultura é o resultado da educação que se recebe, portanto é fácil explicar. O que ele tem feito pela educação dos paulistanos? Quase nada!
            Terceiro: Segurança – não se tem segurança em São Paulo, portanto diminuir a velocidade é colaborar com os assaltantes, que terão suas vidas facilitadas, pois os carros estarão em velocidade compatível para abordagem armada.
            Quarto: Sinalização – a sinalização das marginais em São Paulo é péssima. Tem hora que é tão confusa que ficamos em dúvida se devemos ou não mudar de pista. Isto para mim, que vivo aqui em São Paulo há mais de 50 anos e dirijo há mais de 45 anos. Fui vendedor e andava por toda a cidade dirigindo, por cerca de 28 anos. Imagina um visitante ou turista que chega aqui pela primeira vez! Tenho dó dos vendedores, que como eu precisava de ir aos clientes, levar e discutir amostras e outras reuniões importantes.
            Quinto: Manutenção – Como sabemos, a manutenção de nossas vias públicas, em geral, são péssimas, além de terem sido mal construídas.
            Sexto: Fiscalização – o brasileiro em geral, se não for muito bem fiscalizado, não obedece mesmo! E a nossa fiscalização é muito deficiente.
            Sétimo: Opções – Quais as opções de transportes públicos que temos? Um sistema de ônibus que, se chamar de péssimo estarei elogiando. Um sistema de Metrô, que não atende nem 15% da cidade. Que outras rotas poderiam ser opções para as marginais? Ah! Já ia me esquecendo, temos as pinturas vermelhas (cor do PT) no chão, que ele chama de faixas para ciclistas, muitas esburacadas e totalmente sem uso. Temos também as faixas de ônibus, que ajudou muito, não a aumentar a velocidade dos ônibus, mas ajudou a atrapalhar mais o trânsito de São Paulo. As medidas que o Sr. Haddad e o tal do senhor Tatto (com 2 tes, porque tato com um só, ele não tem mesmo) tomam medidas, todas improvisadas, sem planejamento, sem pesquisas, e tão somente para agradar uma parte da população, pensando que  com isso, vão angariar votos na próxima eleição.
            Quem já visitou as cidades, que seguem a “tendência mundial”, como expressou o despreparado prefeito de São Paulo, sabe do que estou falando.
            Agora ele está falando em fechar a Paulista aos domingos... Vou rezar para que o meu próximo infarto (Deus queira que não o tenha) não seja no domingo, para eu não ter como atravessar a Paulista, até chegar ao Pronto Socorro em tempo! Do primeiro infarto cheguei 7 minutos antes da parada cardiovascular...

terça-feira, 21 de julho de 2015

Santos Dumont


Nicanor de Freitas Filho

            Ano passado estive em Paris e fui informado pelo Dr. Filomeno, que na Avenue des  Champs Elysées, 114 ficava o prédio onde morou Santos Dumont. Por curiosidade fui lá para ver e fotografar a placa que ele disse que tinha na frente do prédio (foto anexa). Fui ler um pouco sobre nosso inventor do avião, principalmente porque na maioria das enciclopédias que consultei, ele não consta como o inventor do avião.  As controvérsias são muitas e em muitos países consideram que os Irmãos Wright são os inventores do avião, pois teriam voado 3 anos antes de Santos Dumont. Na própria França – principalmente no meio militar – consideram que o inventor do avião é o francês Clèment Ader, que teria voado em 1890. Ocorre que nem ele, nem os Irmãos Wright divulgaram o fato.  O primeiro que voou em público, inclusive ganhando prêmios – Prêmio Deutsch e Archdeacon – que seriam dados ao primeiro homem que fizesse uma máquina mais pesada que o ar voar, foi o brasileiro Alberto Santos Dumont, com o testemunho do Aero Clube de França e de uma multidão de pessoas interessadas, idôneas e que eram jornalistas e cientistas, ele deu a volta na Torre Eiffel, no dia 23 outubro de 1906, com o seu 14 Bis e foi tudo documentado por fotos e filmes.
            No site santos-dumont.net, explica-se que a invenção do avião foi, digamos, coletiva. Como diz lá, de passo a passo, de salto a salto, de voo a voo, avançou-se no conhecimento coletivo da aviação.
            Não é isso que quero discutir, pois para nós ele é o Pai da Aviação e ponto final. A curiosidade que mais me chamou a atenção foi o fato de o homem ter chegado na Lua, no dia que Santos Dumont faria 96 anos. Sim ele nasceu no dia 20 de julho de 1873 e Neil Armstrong pisou na Lua no dia 20 de julho de 1969. Pergunto: teria a NASA condições de desenvolver a Apollo 11 se não houvesse as experiências anteriores, principalmente as de Alberto Santos Dumont? Acredito que não! Algumas invenções dele foram de suma importância para a área Aeronáutica de modo geral, incluindo aí qualquer aparelho que voe. Por exemplo, ele inventou uma “peça” (não sei se pode ser chamada assim) que da a estabilidade para os aviões e é usada até hoje. É aquela peça que fica na ponta das asas e tem um nome curioso: aileron. Segundo li, sem esta peça o avião não teria estabilidade nas curvas.
            Será um mero acaso o homem ter pisado na Lua no dia do aniversário de nascimento de Santos Dumont? Não sei e acho que ninguém saberá, mas é uma curiosidade muito grande! Quatro anos depois, no dia 20 de julho de 1973, uma aviadora brasileira, Dona Anésia Pinheiro Machado – que sempre divulgou o nome de Santos Dumont, como Pai da Aviação, inclusive nos Estados Unidos – sugeriu a um Professor do Comitê de Nomenclatura da União Aeronáutica Internacional, que se desse o nome de Santos Dumont a uma cratera na Lua, o que foi aprovado no dia do centenário de Santos Dumont. Mais curioso ainda é que no site onde peguei algumas informações, de uma brasileira chamada Marília Lemos, ela coloca assim lá no canto da página onde cita o fato: "Vale observar que não existe cratera " Irmãos Wright" . (tirando um “sarrinho” com os americanos). Isto porque ela também afirma, numa entrevista concedida a um jornal americano, que eles só começaram a fazer o marketing dos Irmãos Wright, quando se solicitou à família deles para se expor no Museu Aero-espacial de Washington (DC), o avião deles chamado de Flyer, em meados do século passado, e então exigiram, por contrato, que se divulgasse no mundo, que os inventores do avião teriam sido os Irmãos Wright (segundo ela o contrato ainda vigora). E, diga-se que em Marketing os americanos são imbatíveis!
            Ontem, dia 20 de julho de 2015, fez 142 anos do nascimento de Alberto Santos Dumont e também 46 anos que o homem pisou na Lua, pela primeira vez!




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Presente de boliviano...


Nicanor de Freitas Filho

            Estava eu, no feriado de 9 de Julho – feriado só em São Paulo – assistindo ao noticiário, quando vejo o presidente da Bolívia, Evo Morales (que deveria ser “amorales”) entregando ao Papa Francisco um “presente” que é uma “escultura” de muito mal gosto, onde se colocou uma imagem de Cristo Crucificado, sobre uma foice e um martelo, símbolo do arcaico comunismo russo.  Não acreditei no que estava vendo, mas era mesmo verdade! A expressão de “surpresa” no rosto do Papa, deu para entender que pensou: “...que mal gosto!” Ou talvez: “...esse cara tá me sacaneando!” Custou a estender a mão para pegar aquela heresia e, talvez por educação, ou por diplomacia mesmo, apanhou aquilo. 
            Segundo experts em leitura labial, o Papa teria pronunciado “Isto não está bem!”. É claro que não está bem! Esse símbolo dos regimes comunistas do século passado, que foram responsáveis por perseguições aos católicos e sempre foi um regime antirreligioso, de péssimas lembranças para todos nós, que somos “normais”!  Tudo faz crer que o Sr. Evo – cópia piorada de Hugo Chaves, Rafael Correa e Lula – sabe aproveitar bem as oportunidades, pois o Papa vem criticando muito o Capitalismo, assim sem pensar bem no que está criticando. O Evo aproveitou e cascou-lhe um bom constrangimento em público, para o mundo todo ver. O Papa é muito inteligente e deveria ter acionado seu “Serviço Secreto” e descoberto que ia “ganhar” este presente, para ter resposta pronta, na ponta da língua e dar um troco para esse imbecil boliviano! Ou melhor, deveria ter tido conhecimento antes, e ter mandado o recado que não queria ou não iria receber esse “pepino”, cheio de constrangimento e provocações.
            Tanto se fala de um Serviço Secreto do Vaticano, chamado-o, às vezes de “Entidade” outras vezes de “Santa Aliança”, dizem que é mais preciso que o Mossad de Israel, que tem espiões espalhados pelo mundo todo, e não é capaz de antecipar uma atitude de um político, reconhecidamente oportunista, sem ética e sem moral?
            Papa Francisco, trate de criticar menos o capitalismo (mesmo porque é o regime “menos pior”), cuide da nossa Igreja, que é o que esperamos de S. Santidade e acione essa “Entidade” para os casos de visitas aos países mais complicados. Nós também ficamos constrangidos, como S. Santidade!

sábado, 11 de julho de 2015

Futebol Brasileiro atual


Nicanor de Freitas Filho

            Nasci em 1944 e comecei a “entender” e gostar de futebol aí por volta de 1954/1955, quando meu padrinho Tarcísio, com quem eu trabalhava, vibrou muito com o Tricampeonato Estadual do Flamengo. Lembro-me também da reclamação que ele sempre fazia, da não convocação do Índio, centroavante do Flamengo, para a Copa de 1954. Portanto falar qualquer coisa antes de 1955 seria somente resultado de pesquisas, ou de ouvir falar. Eu quero escrever do que vi e penso, sem pesquisar.
            Acredito que o Brasil teve um futebol “semi-amador” do início do século 20 até depois da Segunda Grande Guerra, pois disputou 3 Copas do Mundo sem “aparecer” em 1930, 1934 e 1938. A partir daí começou a trabalhar mais sério e os Clubes entenderam o gosto dos brasileiros pelo esporte bretão e começaram a levar mais a sério, principalmente da maneira que chamamos “profissional”. Tanto isto é verdade que conseguiu trazer a Copa do Mundo de 1950 para o Brasil, logicamente com toda a Europa em reconstrução e os demais continentes não tinham cacife para isso. Pelo que sempre ouvi, péssima organização, mas foi como o Brasil era naquela época: desorganizado! Resultado foi uma terrível tragédia, que era a maior do futebol brasileiro, até um ano atrás. Mas serviu para mostrar que a seriedade e competência são necessárias para se obter bons resultados e demora um pouco para se perder  o sentimento de “vira-latas”, como estamos agora.
            A partir daí o Brasil iniciou um preparo mais sério da nossa Seleção para o Campeonato Mundial de 1958, preparando os jogadores com 60 dias para treinar, quando, inclusive, ficaram em Araxá, por um bom tempo treinando, com todo respaldo que é necessário. Do Campeonato Mundial de 1958 eu já me lembro muito bem. Foi a glória! Ganhar o “Caneco”, como era chamada a Taça Jules Rimet. Ídolos, Heróis, música e muita festa. Gilmar, Di Sordi, Beline, Nilton Santos, Zito e Orlando, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Na final jogou Djalma Santos no lugar de Di Sordi. Técnico: Feola. Isto sem contar com Castilho, Mauro Ramos, Zózimo, Pepe, Dida, Moacir, Oreco, Dino Sani, Mazola e Joel. O Chefe da Delegação foi o Dr. Paulo Machado de Carvalho, com a ajuda de pelo menos três jornalistas: Paulo Planet Buarque, Flávio Iazzetti e Ary Silva, que juntos, pela primeira vez fizeram um planejamento e seguiram à risca o que se tinha determinado, incluindo um psicólogo na Delegação. Aí começava um período de resultados, pelo sério trabalho planejado e desenvolvido, por pessoas sérias e competentes! Durou cerca de 12 ou 14 anos, tempo suficiente para conquistarmos três Campeonatos Mundiais. E até hoje fico com a dúvida se a melhor Seleção foi a de 1958 ou a de 1970. Mas acredito piamente, que o título mais importante foi o de 1958, pois foi o primeiro e nos tirou o sentimento de “vira-latas” que tinha ficado em 1950.
            Ocorre que para a copa 1962, no Chile, descobriram que com violência, os nossos adversários venceriam nossa “ginga” e conseguiram tirar o Pelé da Copa dessa Copa. Ganhamos a Copa, mas com pequena ajuda de um árbitro e a entrada providencial de Amarildo. Em 1966 na Inglaterra foi muito pior. Abusaram da violência! Novamente o Pelé foi colocado fora do Campeonato literalmente “quebrado”. Lá não teve jeito, perdemos! Foi tamanha a violência que para o Mundial de 1970 foram criados os cartões amarelo e vermelho, para tentar “conter” um pouco a tremenda brutalidade e desonestidade no futebol. Foi bem mais leal a Copa de 1970, embora ainda houvesse alguma violência. Também foi criada a “Regra 3”, que permitia a substituição de jogadores. (Dizem que a International Board criou esta regra, porque achou muito injusta a saída de Pelé, machucado, no jogo contra Portugal, sem poder ser substituído).
            Nesse ano contamos com Felix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gerson; Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivelino.  E ainda tinha o Ado e o Leão, Zé Maria, Baldochi, Fontana, Joel, Marco Antônio, Dadá Maravilha, Paulo Cesar Cajú, Roberto e Edu. Deu para perceber que tinha cinco “Camisas 10” no time tutular? Jairzinho era 10 no Botafogo, Gerson era 10 no São Paulo, Tostão era 10 no Cruzeiro, Pelé era 10 no Santos e Rivelino era 10 no Corinthians! O Técnico era o Zagalo, mas chefiado pelo Major-brigadeiro Jeronymo Bastos. Foi a primeira Copa do Mundo transmitido ao vivo, pela TV, para o Brasil. A maioria dos jogos era por volta de 14 ou 15 horas. O Brasil parava para ver o show de bola! Fomos Tri!
            Aí chegou 1974. Pelé, em 1972 informou que não jogaria mais pela Seleção, fez sua despedida e nos deixou! Foi uma pena, mas entendo que ele agiu certo. Já tinha disputado 4 Copas do Mundo – e ganho 3! Era melhor parar na fama. O Zagalo, que continuava sendo o Técnico, disse também que era correta a atitude de Pelé e que tinha o time na mão e muito bem treinado.  O susto veio quando vimos a Holanda jogar. Não era o futebol que estávamos acostumados a jogar nem a ver jogar. O Zagalo foi pego de surpresa e não tinha muito o que fazer. Para se ter uma ideia, nossos dois primeiros jogos foram 0x0 e só fomos ganhar do Zaire. Quando chegamos na Holanda e na Polônia, tomamos um “chocolate”.  Era o tal do “Carrossel” ou “Laranja Mecânica”. Não sabíamos como marcar aqueles “moleques” doidos, que rodavam o campo todo. Não tinha como marcá-los! Foi muito triste!
            Levamos 20 anos para arrumar as coisas, pois continuamos a jogar o jogo “bonito” mas sem resultados. Tínhamos craques, mas perdemos as Copas de 1978, 1982, 1986, 1990 com grandes jogadores, mas nossos técnicos insistiam em jogar bonito. Ganhar era um mero detalhe. Em 1994 finalmente voltamos a ganhar uma Copa, muito mais pelo baixo nível dos adversários que por nossa performance e tivemos a sorte que  apareceram Romário, Bebeto, além da destreza de Taffarel.
            Em 1998, na França, ocorreu algo de muito estranho, que ninguém explicou até hoje, o que de fato aconteceu. Perdemos muito feio para a França, na final, com todo o “imbróglio” do Ronaldo Fenômeno! Mas em 2002 ele mesmo deu a volta por cima. Depois de ficar quase dois anos sem jogar por cirurgias no joelho, era tido como “acabado” para o futebol competitivo. Pois ele, ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, jogou todos os jogos fez 8 gols, sendo os dois da final contra a Alemanha. Nessa Copa, o que ocorreu foi que o Felipão, que era o Técnico, formou um defesa bastante sólida, com 3 zagueiros, que dava liberdade para a criatividade e destreza dos 3 R: Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. O Kleberson e o Gilberto Silva, eram dois volantes marcadores e cinco na defesa, sendo que Cafú e Roberto Carlos tinham também alguma liberdade para descer ao ataque. Ganhamos essa Copa pela genialidade de nossos jogadores, além dos já citados, o goleiro Marcos, Lúcio, Roque Júnior e Edmilson.
            Não podemos esquecer que no primeiro jogo, o árbitro coreano, nos ajudou muito, marcando um pênalti – cuja falta foi fora da área – e expulsando o Ozalan, que chutou, fora do campo, uma bola forte nas pernas do Rivaldo, que levou as mãos ao rosto, caiu, encenou e o generoso árbitro acreditou, sem ver, que tinha acertado no rosto mesmo! O título foi merecido, pois o Brasil jogou muito, principalmente contra a forte Alemanha!
            Aí acabou o futebol da Seleção Brasileira e quiçá, do Brasil, apesar de nos Torneios interclubes da Fifa, termos conseguido 3 títulos, com São Paulo (2005), Internacional (2006)e Corinthians (2012). Todos os três, mais por sorte que por competência. A morte começou em 2006 – derrota para França, lembram do Robinho e Cicinho irem beijar o Zidane, após o jogo? – e foi finalmente decretada no dia 08/07/2014, quando a Seleção Brasileira de Futebol perdeu de 7 a 1 para a Alemanha, numa semifinal, em pleno Mineirão!
            Não quisemos aceitar, por puro orgulho besta, a oferta que Pepe Guardiola nos fez, no sentido de vir dirigir a Seleção Brasileira, com a vontade que ele estava de mostrar que fez um belo trabalho no Barcelona, desde que aprendeu o “antigo carrossel” – agora chamado de “tic-tac” – com o Cruyff, quando este esteve no Barcelona, logo depois de mostrar ao mundo – em especial ao Brasil – como se joga o futebol moderno.
            Não sei quanto tempo vai levar para nos recuperar, mas vai ser difícil, pois pelos acontecimentos que vêm ocorrendo, desde o final da Copa de 2002, nos leva a crer que, dificilmente teremos uma rápida recuperação. Acabamos de ver a prisão do Ex-Presidente da CBF e a Copa América no Chile. Que vergonha!
            Baseado nestes fatos, e ainda, nas pessoas que estão dirigindo o futebol no Brasil,  e refiro-me especialmente a Del Nero, Gilmar Rinaldi, Dunga e Cia. (vou me preservar e não tratar do caso Neymar, que não é dirigente), vou ousar fazer uma previsão aqui: Chile, Argentina, Colômbia e Uruguai, certamente ficarão na frente do Brasil nas eliminatórias sul americanas. Prevejo ainda que Perú ou Paraguai não deixarão o Brasil disputar nem a repescagem. Sim senhor, o que estou prevendo é que o Brasil deixará de participar de uma Copa do Mundo de Futebol, pela primeira vez na história. Isto poderá ocorrer se providências sérias não forem tomadas! (A menos que os Carlos Amarilla da vida resolvam nos “prestigiar”...).

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MEU ANIVERSÁRIO DE 8 ANOS!


Claudia Fonseca de Freitas Saraiva

Eis que eu acordo e me dou conta que hoje faço aniversário! Meu aniversário de 8 anos como mãe. Como virginiana nata, diria que são exatos 8 anos, 39 semanas e 6 dias (inclui o tempo da gestação, é claro!)!
Nossa, e se com 15 anos eu achava que era gente, e aos 18 então, eu tinha certeza, descobri agora aos 42 de idade e 8 como mãe, que ainda estou no caminho para um dia então virar “gente grande”!!
Nada melhor no mundo que ser mãe, nada!
De outro lado, nada como se concluir que da vida eu ainda não sabia nada!
Se hoje eu tenho a capacidade de amar infinitamente, acima de qualquer coisa, também tenho a capacidade de sofrer na mesma intensidade ao perceber uma febre sem qualquer sintoma imediato, ou até  mesmo por ver uma carinha triste causada pelo mais bobinho dos acontecimentos.
Se o sentimento de alegria e felicidades desmedidas diante a nota dez na prova de matemática me fazem sentir o maior orgulho do meu filho, e a mãe mais realizada, o exercício da paciência me mostra que ainda tenho um longo caminho a percorrer.
Hoje mesmo fui pela 4ª vez levar a “caixinha do aparelho” do meu filho no colégio, na tentativa de evitar que o mesmo se quebre, ao ser “jogado na lancheira”. Sabe quantas vezes eu falo para ele verificar se a caixinha está na mochila? E quantas vezes chamo para escovar os dentes, e para tomar banho, e para sentar direito à mesa, e para prestar atenção na roupa molhada na mochila da natação, e o estojo de lápis que fica de fora da mochila do colégio, e o capricho na letra....
Lógico que tem coisas que até damos muitas risadas, por duas vezes já foi para o colégio com o pijama por baixo do uniforme!
E agora então que “descobriu” os palavrões????? Como lidar com isso? Radical: não, não pode falar em momento algum........quer dizer, “meu filho, palavrão é algo que dói no ouvido da gente, não fale nunca em casa, perto da família, e menos ainda diante da professora! ...mas assim,,,, se estiver no meio dos seus amigOOOS, “tipo” jogando futebol, e escapar um palavrão ok, mas do lado da sua irmã, que só tem três anos, NUUUUNNNCCCA! ENTENDEU?”
Hahaha descobri que não sei lidar com isso ainda, porque se não quero um filho mal educado, também não quero um filho bobinho. Mundo cruel! Na verdade, ainda não sei lidar com várias situações que se apresentam no dia a dia, e essa é apenas uma delas.
Em todo caso, tenho ciência que hoje é meu aniversário de 8 anos, portanto ainda sou uma “mãe-criança” e tenho longos anos pela frente para aprender mais e mais.
E não me resta dúvidas de que há oito anos, 39 semanas e seis dias, me sinto muito melhor como pessoa, como ser que ama incondicionalmente, como alguém que tem a missão de criar dois seres tão lindos, alegres, cheios de saúde e energia. Hoje sei muito mais sobre o significado da palavra “responsabilidade”. (hoje também sei tudo o que meus pais passaram quando eu me achava gente com 15 anos, rsrsrs)
Amar, chorar, sorrir, exercitar a paciência, são verbos que fazem parte do meu cotidiano, da forma mais intensa, como eu nunca podia imaginar.
Agradeço à Deus, que me confiou duas das suas mais preciosas criaturas, e rogo paciência com a minha pessoa, uma vez que ainda só tenho oito anos como mãe, estou na fase de aprendizado e talvez conclua parte dessa missão apenas quando eles tiverem seus próprios filhos. (sem esquecer que “filho criado, trabalho dobrado”, e que filhos são eternas crianças para as mães.)










sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Feliz Natal e Feliz 2015!

Caros amigos,
Não tive tempo de fazer uma mensagem própria para este Natal. Assim, vou aproveitar esta, recebida de um grande amigo, mas que diz muito. Vamos pensar se estamos mesmo comemorando corretamente o Santo Natal! 
Desejo a todos um Feliz Natal e um 2015 com menos corrupção, e mais cadeia para os corruptos e corruptores!
Boas Festas!

Nicanor e Família




P.S. Tem o crédito no final do filme

domingo, 27 de abril de 2014

Esportes 10 Homenagem póstuma a Luciano do Valle


(O melhor grito de gol da TV Brasileira)
Alcino de Freitas
            Recentemente escrevi aqui no Jornal Interação um artigo intitulado “Nossa melhor Seleção está quase toda no céu”. Justamente após o falecimento do nosso capitão de 1958, Hideraldo Luiz Bellini, o primeiro a levantar a taça do Brasil campeão mundial de futebol na Suécia. E realmente nossa seleção campeã quase toda já partiu. 
            Sábado, 19, quem partiu foi o melhor locutor esportivo da televisão brasileira, Luciano do Valle Queiroz. Natural de Campinas, nascido no dia 4 de julho de 1947, onde iniciou sua carreira como locutor esportivo na Rádio Central. Acredito que lá no céu, onde os nossos craques estão jogando o melhor futebol do mundo, estava faltando um narrador. Vieram buscar justamente o nosso melhor, o Luciano do Valle. Um locutor de voz marcante, lúcido, genial, narrava com uma emoção peculiar. Era o grito de gol mais bonito da televisão, sem dúvida alguma. Faleceu justamente no sábado em Uberlândia, quando, no domingo, transmitiria a partida entre o Clube Atlético Mineiro x Esporte Clube Corinthians, abrindo a primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2014. Aos domingos, não teremos mais o Milton Neves anunciando pela TV Bandeirantes:- “Luciano do Valle, o gol mais bonito da televisão”.  
            Luciano faleceu aos 66 anos, no Hospital Santa Genoveva, em Uberlândia de infarto, após passar mal no avião em que viajou de São Paulo para a Cidade Sorriso no Triângulo Mineiro. Além de narrador, Luciano, era um homem inteligente, criador de valores, foi o criador do “Show de Esportes” da TV Bandeirantes.  Lançou Adilson Maguila Rodrigues no Box. Foi o ícone da geração de vôlei masculino e feminino na década de 80. Lançou Rui Chapéu como o melhor jogador de sinuca do Brasil. Criou a seleção de Máster e foi técnico da mesma. Narrador das corridas de Fórmula 1, pela Rede Globo, passou pela Record e, já tinha completado 50 anos de carreira em 2013. Deixou-nos nas vésperas de uma Copa do Mundo em nosso país. Foi sepultado no domingo, 20, no Cemitério Parque Flamboyant no Jardim das Palmeiras  em Campinas.
            Os torcedores brasileiros realmente lamentam esta perda irreparável.
            Luciano, que sua alma descanse em paz!

(Publicado no Jornal Interação, de Araxá-MG, no dia 24/04/2014)

sábado, 19 de abril de 2014

Crônica 23 Monólogo ao Espelho

                                                                
José Carlos Neves
 Quero pensar em mim, fora de mim;
                                                           E achar-me, onde jamais me procurei.  (JCN)

---- Porque me olhas assim? Pareço-te estranho; talvez um ET; um fantasma; ou terei a braguilha aberta?

---- Sinceridade!? Eu também quero saber quem sou. Não sei se sou real, ou uma ficção. Sinto-me enredado em muitas histórias que realmente vivi, mas que eu não escolhi viver; e nem sei porque fui parar nelas.

---- Ei, tu! Sim, tu! Acho que te conheço de algum lugar, mas não sei de onde. Esta merda de memória me prega cada peça! E o que me falta é peça! Um parafuso, talvez? Anda! Ajuda-me a abrir este arquivo.

---- Já sei; eu não tenho mais memória; só uma vaga lembrança. Mas tenho a sensação de que nos conhecemos a vida toda. Sinto que em algum momento me sequestraste, e que passei a depender de ti; estranho é que  eu gosto de ti, e  dessa dependência. Estarei com a síndrome de Estocolmo?

---- Sei lá! Tenho certeza de que já andamos por lá; e também por muitas outras cidades e países, próximos e longínquos; de cá, de lá, daí, de acolá, de todos os continentes.

---- Então!? Diz-me quem és! Liberta-me ou mata-me. Não quero deixar-te, mas não quero ser teu prisioneiro. Quero ter minhas próprias aventuras, viver minhas experiências, buscar meu próprio saber. Podes até seguir ao meu lado, mas não me tuteles mais.

---- Olha! Ainda não sei quem és, mas vou lembrar-me logo, logo. Portanto, é melhor que te apresentes por ti mesmo. Não estendas mais esta estúpida angústia de te pertencer, e não saber quem eu sou; ou quem tu és.

---- Ahh, lembrei de uma coisa: tu me tratas por meu amigo Trasmontano. Será um nome próprio, ou será um adjetivo gentílico? Acho que o termo me recorda algo mais; assim como trás...trás-os...Trás-os-Montes!!!

---- Então é isso!? Ei, não saias à francesa, não. Volta aqui! Senta aí, e ouve-me! Não é porque me descobri, que acabou a tua missão. Isso! Assim é melhor. 

---- Agora estou a perceber, pá! Eu não passo de um personagem das  tuas crônicas; de crônicas que eu não escrevi; e que só vivo nelas porque tu me inventaste, e me prendeste nos teus enredos e vivências. 

---- Mas, explica-me lá! Que eu me lembre, já viajamos juntos por cerca de 50 crônicas, e nunca assumiste nenhum protagonismo pessoal nelas. E olha que eu conheço muitos outros textos teus, nos quais, sim, tu és tu. Então, porque raios eu tenho que carregar as tuas histórias?

---- Já sei! Nas crônicas, tu não precisas dar-me voz. És um narrador das minhas vivências reais, então sou o que quiseres que eu seja. E como sou um simples trasmontano, como tu, achas que posso agir, e representar todas as tuas virtudes e defeitos (mais destes que daquelas), sem reclamar.

---- Agora entendo porque nós, personagens, somos tão explorados por vós,  autores. Se não tiverdes sucesso, a culpa é nossa porque não saímos do  nosso anonimato, e não soubemos crescer em vossas obras. Entretanto, se ganhardes um Nobel, o mérito é todo vosso porque nos criásteis já estrelas.

---- Não, não te sintas mal, pois sei muito bem que não ganhaste um tostão furado comigo. E como ganhares, se me tens escondido? Excepto a alguns amigos próximos, nunca me apresentaste; não sei se por vergonha de mim, ou de ti mesmo. E amigos não se arriscam a ser arautos da mediocridade.

---- Nunca terás teu milhão de euros por seres um Nobel. Há vários que conheceste pessoalmente, antes de criar-me, como a Eco, Llosa, Saramago, Marques, Paz. Então, eu seguirei apenas com milhões de quirelas e outras tantas mazelas, tuas e minhas, que terei para carregar.

---- Bons tempos aqueles em que fizeste tantas viagens com e pela literatura. Quase 30 anos, lembras-te? Vivias dela, mas nunca te atreveste a escrevê-la. Talvez por timidez; por insegurança; ou falta de valor mesmo!

---- E agora, que estás tão longe do mundo literário, tu me inventaste para seguires perto dele. Sou o teu elo com a literatura; e por isso te vejo mais perto de mim. Tu também me necessitas. Não sou apenas mais uma bengala para apoiares as tuas dúvidas e inseguranças.

---- As coisas agora estão claras p'ra mim. Como meu criador, sou a tua alma; sou o que tu foste, ou querias ter sido; sou como és, um ser vivido, experiente, envelhecido e cansado. Se depender de mim, serei o que ainda fores, na tua vida ou na tua literatura.

---- Fomos, somos e sempre seremos uma fusão de mentes e de caráteres, a confundir o que seja real ou ficção. Não sabemos mais quando és tu; quando sou eu. O mais provável é que tenhamos um só corpo e uma só alma.

JCN – ABR – 2014 – jcneves45@yahoo.com.br

domingo, 30 de março de 2014

Esportes 9 Nossa Seleção está quase toda no céu.


Alcino de Freitas.
            Costumam dizer que Deus é brasileiro, e eu acredito. O título de penta campeão mundial de futebol só o nosso país obteve. E olhe que, nos primeiros mundiais disputados o negócio era bem bagunçado. Em 1950, quando perdemos o título para o Uruguai dentro do Maracanã, aqui no Brasil, a decepção foi geral. Era preciso mudar alguma coisa para melhorar. Disputamos mais outra Copa em 1954, e outra vez, provamos que tínhamos um bom time, porém faltava organização. Foi então que, em 1958, convidaram o Dr. Paulo Machado de Carvalho, homem da imprensa brasileira, para comandar a nossa Seleção. E ele tornou-se o “Marechal da Vitória”. O Brasil conquistou pela primeira vez, na Suécia, o cobiçado título de campeão mundial .
            Todo este preâmbulo, para chegarmos aos nossos craques que, estão sendo chamados, lá no céu, pelo Senhor. Foram tantos os chamados que perdi a conta. Na semana passada foi à vez de Hideraldo Luis Bellini. Um zagueiro de estilo vigoroso, um líder nato. Bellini entrou para a história do futebol mundial ao erguer a Taça Julies Rimet, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, depois da goleada de 5x2 do Brasil, sobre a Suécia, no jogo decisivo do mundial. Nasceu em Itapira-SP; no dia 21 de junho de 1930. Bellini foi o capitão da primeira Copa do Mundo que o Brasil conquistou em 1958 na Suécia. Na época era zagueiro do Vasco da Gama, foi ele que eternizou o gesto de levantar a taça, que os capitães de todas as seleções campeãs do mundo, passaram a repetir. Chegou à Seleção do Brasil jogando pelo Vasco, passou pelo São Paulo e encerrou sua carreira, atuando pelo Atlético Paranaense, em um dia que jamais se esqueceu. Dia 20 de julho de 1969, o dia em que o homem pisou na lua pela primeira vez. Naquele ano, juntamente com Djalma Santos, também bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira, Bellini foi campeão paranaense.  
            Conta Bellini: “Não pensei em erguer a taça, na verdade não sabia o que fazer com ela quando a recebi do Rei Gustavo, da Suécia. Na cerimônia de entrega a confusão era grande, havia muitos fotógrafos procurando uma melhor posição. Foi então que alguns deles, os mais baixinhos, começaram a gritar. Bellini, levanta a taça, levanta Bellini. Foi quando eu a ergui”.
            Casado com dona Gisele por 42 anos, e tiveram dois filhos: Carla e Junior, filhos dos quais Bellini e Gisele se orgulham muito.
            Bellini disputou 57 jogos pela Seleção Brasileira. Conquistou: 42 vitórias, 11 empates e 4 derrotas.
            Clubes pelos quais jogou: Atlético Sanjoanense, Vasco da Gama, São Paulo e Atlético Paranaense.
            Títulos pela Seleção Brasileira: Copa Roca (1957 e 1960).
            Taça Oswaldo Cruz: (1958, 1961 e 1962).
            Copa do Mundo: (1958 e 1962).
            Taça Bernardo O’Higginis: (1959) e Taça Atlântico (1960).


(Artigo publicado no Jornal Interação, de Araxá-MG, no dia 27/03/2014)           

terça-feira, 25 de março de 2014

Crônica 22 Estou Indignada!


Claudia Fonseca de Freitas Saraiva
            A notícia não é de hoje, mas ainda não saiu da minha memória.
           Para mim inexplicável o ocorrido: Pai que bate em seu filho de apenas 8 anos, por cerca de duas horas, culminando com a perfuração do fígado e a consequente morte do pequeno, inclusive com afirmação em seu depoimento de que batia frequentemente no filho.
            Motivo: a criança gostava de lavar louças, e o “corretivo” tinha como finalidade fazer com que o pequeno tivesse atitudes de “Homem”. (Veja notícia:
            Que h-o-m-e-m é esse?
            Refleti muito e ainda continuo indignada com a atitude desta pessoa... (pessoa???)
            Pensei: “ – tenho um filho de seis anos e uma filha de dois. O que é necessário ensiná-los para que sejam verdadeiros ‘Homem’ e ‘Mulher’?”
            Começo avaliando meu mundinho... A sala da minha casa está sempre uma “bagunça”, carrinhos de “meninos” e bonecas de “meninas”, bolas de “meninos” e panelinhas de “meninas”, e por aí vai... Mas seria essa a maneira de descrever os brinquedos, considerando serem apenas duas crianças, que por razões obvias, ainda não tem discernimento para saber o que é brinquedo de “menino” e de “menina”, menos ainda o que  é “Homem” e o que é “Mulher” e suas diferenças? Detalhe, ambos brincam com TODOS os brinquedos e JUNTOS, e eu como mãe AMO MUITO TUDO ISSO!
            Diante da notícia, me lembrei destas férias de janeiro: minha filha tem uma pia que sai água para lavar os pratinhos e talheres. Nossa, agora no verão esse brinquedo foi sucesso garantido, tanto para minha filha como para meu filho. Aliás, posso dizer que meu filho, “Homem”, de seis anos, curtiu mais que a irmã, a “dona” do brinquedo.
            Ele estava adorando lavar louças.
            Evidente! Que criança não gosta de mexer com água? Fora a bagunça com a espuma que vai se formando. Delícia! Divertimento garantido. Acredito que a curtição estava em brincar com a água, para lavar qualquer coisa, não só as pequenas loucinhas que talvez não estejam catalogadas nos brinquedos destinados aos meninos “Homens”.  E posso afirmar que em nenhum momento passou pela cabeça do meu filho tratar-se de brincadeira “proibida” para meninos e eventuais consequências na sua vida adulta. (a deturpação está sempre na cabeça do adulto!)
            Aliás, eu como mãe, estava vibrando ao vê-los brincando, folia completa. Ademais, penso que das brincadeiras vão surgindo os ensinamentos para a vida, bons ou ruins.
            Mas que mal há em lavar louças?
            Oportuno mencionar a capa da Veja São Paulo, de 12/02/2014, apareceu a foto do Sr. Sílvio Santos lavando louça, com a chamada: As distrações na casa em Orlando: lavar louça e assistir a 54 capítulos de Breaking Bad”.
            Como mãe, pretendo criar meus filhos, tanto o “Homem” como a “Mulher”, da mesma forma, mesmos ensinamentos, mesmos valores, a mesma educação, a mesma visão sobre a vida. Afinal são dois seres humanos antes de serem “Homem” e “Mulher”. Criaturas de Deus. E desejo que sejam bons igualmente.
            Desejo que meu filho seja um “Homem” e tanto, daqueles que abre a porta do carro para a namorada ou esposa, que a deixe passar na frente ao entrar em um restaurante, que na calçada a deixe andar pelo lado de dentro, gentilezas que decerto, muitos “homens” não as possuem; que seja uma boa pessoa, honesto, íntegro, educado, de bem com a vida e quem sabe um grande pai, capaz de ensinar seu filho a lavar louças também!
            Assim, posso ficar despreocupada e aliviada por saber que será uma PESSOA do bem e capaz de qualquer feito, inclusive os domésticos, indevidamente intitulados como de “Mulher”, de forma que se PRECISAR lavar a louça não terá dificuldade alguma em lidar com e essa situação, e que fique bem claro, poderá agir naturalmente sem medo de deixar de ser “Homem” por isso.
            Aliás, quantos aos feitos domésticos, meu filho já tem desenvolvido algumas delas como arrumar a própria cama, bem como arrumar a mesa para o café da manhã nos finais de semana.
            Logo, lavar louça também será um dos tópicos dos futuros ensinamentos. Lavar a louça sim, porque NÃO é isso que vai torná-lo mais ou menos “Homem”. Vai apenas fazer dele um “Homem” melhor!
            Se hoje, as mulheres são responsáveis pelo lar, em todos os sentidos, porque além dos afazeres domésticos, também contribuem financeiramente em prol da família, também levam o carro para abastecer, para reparo em oficina, fazem consertos em casa, usam furadeiras, carregam sacolas pesadíssimas de compras do supermercado, sozinhas, entre tantas coisas, o que não lhes retira a feminilidade, a sensualidade, o charme e a graça de ser “Mulher”, porque o “Homem” não pode lavar louça?
          Atesto ainda que conheço alguns homens que tratam naturalmente sobre o assunto “lavar louças” e afirmam sem o menor preconceito o auxílio às esposas, quando se trata do assunto “divisão de deveres em casa”.
         Imagino assim que, lavar louças não fará do meu filho “menos Homem”!
         Acredito sim que fará dele um Grande “Homem”, um “Homem” melhor, alguém que saiba se virar nesse mundo, lhe trará espírito de solidariedade, de generosidade, de compartilhamento de “deveres”, e provavelmente minha futura nora vai me agradecer (rsrs – para descontrair do pesado tema...)
            E meu querido filho, se um dia você tiver acesso à esse desabafo, saiba que o amo infinitamente, e serei eternamente grata pelas vezes que lavar a louça para a mamãe, após as refeições e profundamente orgulhosa, se assim fizer com a família que constituir!
            E a você minha filha querida, desejo um “Homem” de verdade na sua vida, daqueles que saibam até mesmo lavar louças! 

sábado, 22 de março de 2014

Crônica 21 O que é a Música?


José Carlos Neves
                           Vibrante como a badalada dos sinos da minha aldeia;
                                Harmônica como sons celestiais de anjos em cadeia. (JCN)

        Num breve intermezzo do ensaio do coral do meu amigo Trasmontano, a pergunta repentina do maestro Élcio, soou como um desafio: “O que é a Música?”. E como se um mistério tivesse que ser desvendado, concedeu como pista para facilitar a resposta: “A Música é a arte de...”. Pergunta, pista e resposta ficaram no ar e ninguém mais se lembrou delas até ao final do ensaio. Mas a pergunta ficou na cabeça do meu amigo, e para ela buscou respostas que não fossem meramente técnicas, mesmo porque ele jamais aprendeu a reconhecer uma única nota musical. Ele poderia simplesmente completar a pista do maestro e dizer que a música é a arte de juntar, combinar e harmonizar sons que soem agradáveis aos ouvidos. Ele entende que ninguém poderia contestar essa resposta, mas seria simplificá-la demais. Então ele a procurou dentro da sua alma.

        Desde a sua mais remota lembrança de infância, na sua aldeia trasmontana, o meu amigo carrega os sons primeiros das badaladas do sino da pequena igreja, a não mais que 20 m distante da casa onde morava com seu avô paterno e tios. Também os chocalhos dos vários “inos”: bovinos, caprinos, ovinos, e até suínos e equinos. Nenhum desses sons tinha os requisitos técnicos do que se convenciona como som musical. E mesmo sem  que alguém os combinasse intencionalmente, eles continuam a soar como orquestra na alma do meu amigo. Na sua aldeia não havia ainda qualquer tipo de comunicação como rádio, telefone, e muito menos televisão que pudesse transmitir uma atividade musical vinda de fora. Mas lá estavam seu padrinho de batismo e outro amigo, com sua guitarra portuguesa e o violão universal, a tirar plangentes sons de suas cordas, aprendidos de ouvido, em solos instrumentais, ou acompanhados de suas deseducadas mas sensíveis vozes. E a gaita escocesa do seu tio Júlio, um bumbo e uma caixa, formavam o que mais se aproximava do que o meu amigo, conheceu como uma banda. Assim, as guitarras, a banda, os chocalhos, os sinos e as músicas sacras cantadas na missa, formaram todo o universo musical da infância do Trasmontano. Mas não foi pouco. Todos aqueles sons produzidos pela sensibilidade de mãos rústicas de camponeses continuam a soar na alma do meu amigo até hoje, a competir com a mais erudita das músicas.

        Da sua aldeia trasmontana, passando por ligeiro intermezzo em Lisboa, até ao seu Brasil de hoje, o meu amigo passou e passeou por muitos estilos musicais e, sua alma, por muitos estados de espírito trazidos pela alegria da música popular portuguesa, no som e bailado simples e brejeiro de um Vira ou um Fandango; na melancolia saudosa de um fado; na veneranda voz da maior das divas portuguesas, Amália Rodrigues; no êxtase do som de cristal de guitarras; na  agradável surpresa do novo no chorinho e nas marchinhas bem brasileiras; nas serestas e nas retumbantes escolas de samba; na bossa nova e nos irreverentes e transgressores  rocks da jovem guarda e tropicália; no bucolismo dos sertanejos; na moderna irreverência do hip hop e rap. Daqui mesmo, ou em viagens pelo mundo, o Trasmontano conheceu muitos outros estilos, ritmos e danças populares deste planeta; seria  injusto  descrever  uns e não mencionar outros neste pouco espaço. É certo que não aprecia alguns estilos, mas respeita a todos, como àqueles que, sim, os apreciam. Isso faz parte da diversidade e liberdade sensitiva de cada um.

        Foi um longo caminho até que pela primeira vez, lá por 1965, ele ouviu  Barcarolle – ária mágica e inesquecível dos Contos de Hoffmann. Ficou extasiado com sua beleza, e a partir dela descobriu  o universo da música erudita, e sua vida menos solitária, ao iniciar uma viagem de muitas escalas, como no compasso simples e crescente do Bolero, de Ravel; a libertar seu pensamento no coro do Va Pensiero, do Nabuco, de Verdi; a juntar-se à rebeldia da Habanera, da Carmem, de Bizet; a voar num coro de anjos na Aleluia, do Messias, de Haendel; a entregar-se ao gênio de Beethoven no fluxo e refluxo de inquieto sofrimento da sua Quinta Sinfonia; a sentir a paz no bucolismo pastoral da Sexta Sinfonia; ou enebriar-se no inigualável e esfuziante prazer  da Ode à Alegria, da Nona Sinfonia; a cruzar e sentir os climas imaginários das Quatro Estações, de Vivaldi; a sorver toda a religiosidade de Bach em Jesus Alegria dos Homens, em seus Concertos Brandeburgueses; cavalgar ao lado das Valquírias, de Wagner; surpreender-se na precoce genialidade de Mozart, em suas muitas sinfonias, ou entregar seu corpo à força etérea de seu Requiem; ou no passo triste e dolente da Marcha Fúnebre, de Chopin; a levitar na lentitude dos adágios de Albinoni; um suave flutuar no Lago dos Cisnes, de Tchaikovski; a orar num  canto gregoriano; a arrepiar-se ao ouvir as vozes de tantos tenores, baixos, barítonos, mezzo sopranos,  sopranos, contraltos, em solo ou em coro, em tantas obras operísticas e peças curtas, cantadas à capela, ou como num duelo fraterno com  suas almas gêmeas: uma infinita diversidade musical de instrumentos e seus instrumentistas, virtuosos, ou apenas guiados pela alma.

        Então, amigo Élcio, na visão e sentir do amigo Trasmontano, que agora mal encadeia do, ré, mi, fá..., em resposta à sua pergunta, a Música – com extensão na irmã, Dança - é isso. São todas as sensações sonoras que nos trazem antídotos ou estímulos aos diversos estados de alma, que bem podem ser de alegria, tristeza, melancolia, amor, saudade, medo, coragem, exaltação, amor, ódio, depressão,  entrega, prazer, dor, fé e esperança. Se qualquer som não lograr tocar nalgum desses sentimentos, não será música; será apenas um ruído. É hora da Ave Maria, e o dobrar dos sinos da sua aldeia teimam em penetrar-lhe pele e corpo, e a tocar fundo na sua alma.

JCN – MAR – 2014 – jcneves45@yahoo.com.br  

terça-feira, 11 de março de 2014

Crônica 20 Eis que hoje é o dia dela!

Pai... pode censurar caso entenda não ser pertinente. Simplesmente acordei, tomei café e sentei para escrever. Não sou escritora, apenas uma pessoa emotiva! Então às vezes pode não fazer sentido alguma coisa....Beijos Claudia.

Eis que hoje é o dia dela!

Claudia Fonseca de Freitas Saraiva
            Não a conheci nesta vida, mas sei perfeitamente como ela era, por dentro e por fora!
            Por fora, linda – as fotos me mostram – um sorriso encantador e de paz, a esconder tristezas que a vida pode ter lhe proporcionado, mas que não a impediram de ser uma grande mulher.
            Por dentro, um coração enorme. Coração de Mãe! Coração de Vovozinha! Embora, infelizmente, para ela e para nós, não tenha conhecido nenhum de seus netos.
            Seis filhos bem criados. Seis orgulhos. Seis bondosos corações.  São seus frutos. Essa, a melhor e maior herança deixada para os netos.
            Esse enorme coração soube criar, educar e passar valores. Sempre escutei boas estórias a respeito dela. Jamais escutei uma só queixa. Sempre senti carinho e admiração sem sequer tê-la conhecido.
            E, se de um lado o coração fica apertado de  saudades de quem não conheci, de outro, sinto-me confortada por saber o quanto ela foi tão amada.
            Se sinto saudades dos momentos que não vivi ao seu lado, tenho certeza que o amor dela chegou até mim de muitas outras maneiras.
            E, se eu não pude conhecer essa incrível mulher nesta vida, é porque algo muito mais valioso está reservado para o nosso encontro em um outro dia.
            Saudades da minha avó!

Nota: Recebi esta mensagem da minha filha, agora. Se minha Mãe fosse viva, faria hoje 102 anos...