sábado, 28 de julho de 2012

Causo 55 A Piada do Italiano


Nicanor de Freitas Filho
            Na nossa excursão, chovia muito na Itália, tanto em Milão, quanto Sirmione, Bérgamo, Bolzano e Verona. Só a partir de Trento que melhorou o tempo. Então não pudemos passear como pensávamos. Às vezes tínhamos que ficar no hotel mesmo. Em Verona ficamos num hotel que tinha um bar/restaurante muito agradável. Ficamos por lá para jantar. Depois do jantar quis ler meus e-mails, mas o wi-fi só funcionava na Recepção do Hotel. Fiquei sozinho ali lendo algumas mensagens e pegando algumas notícias do Brasil, quando o recepcionista, muito solícito, ofereceu-me para usar o computador de mesa, onde ficaria mais fácil de “trabalhar”.
            Tentando treinar um pouco meu inglês, fiquei conversando com ele, pois o hall estava vazio. Somente nós dois estávamos por ali. No meio da conversa, falei para ele que não tínhamos sido bem recepcionados no restaurante em Sirmione e contei o que havia acontecido (veja o caso anterior). Então ele me disse que não é “cagare” que se fala em italiano, mas “cacare”. Aí, me contou uma piadinha, sobre pronúncia em italiano. Como falávamos em inglês e algumas palavras em italiano, não sei bem se posso “traduzir” assim a piadinha, que eu até já conhecia. Mas foi como a entendi, contada por um italiano mesmo:

            Ele não falou nome, disse apenas um “bambino”, mas que eu entendi que seria o nosso Joãozinho – ou seria o “Giovannelino”? -  que adorava colocar os professores em fria. Falava errado por gosto, somente para ver como o professor corrigiria. E às vezes abusava de palavrões para constranger as meninas da sala e os próprios professores. Então, o Giovannelino levantou e já se dirigindo à porta, falou com o professor: “-necessito imminente a pisciarrrre!” Arrastando o erre para provocar o professor. Este, já bravo, mas conhecendo o Giovannelino, não deixou de o corrigir perguntando: “-Como? Pisciarre, con due erre?” O Giovannelino que já esperava a pergunta, respondeu de pronto: “-no, con il cazzo!”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Causo 54 Em Sirmione


Nicanor de Freitas Filho
            Nossas férias de 23 dias, foram 14 dias de excursão. Geralmente você não pode escolher onde vai almoçar, porque é o Guia quem decide onde vai parar. Mas tenho que reconhecer que nossa Guia, nesta excursão, conhecia bem os locais e nos deixava em bons lugares para o almoço.  Ela, uma portuguesa muito experiente, 30 anos de Guia de Turismo, nos explicou que íamos entrar na Itália – vínhamos da Suíça – e que os italianos de lá (Europa) não são com os de cá (Brasil). Os de lá, principalmente com brasileiros, são um pouco mal-educados, pra não dizer “grosseiros”.  Principalmente nos restaurantes e cafés, quando chega um ônibus de excursão, de brasileiros, eles se tornam um tanto “indóceis”. 
            Mas afinal tínhamos que parar para almoçar e ela escolheu Sirmione, antes de chegar em Verona, onde iríamos dormir. Um local lindo à beira do Lago di Garda.  Ou melhor, na península que entra para dentro do lago, o que faz do lugar algo singular.  Muito bonito mesmo!
            Eu e mais duas pessoas vínhamos à frente, com a nossa Guia, porque eu queria saber dela, onde conseguir uma encomenda que eu tinha de um amigo, para comprar sementes de basilicão, que não tinha conseguido ainda. Atrás de nós vinham mais 40 pessoas. Ao chegarmos à porta do Restaurante, estava uma garoa fininha, o dono do restaurante, que depois descobri que se chama Giuseppe, por ser um pouco cedo (era meio dia), desconfiado que fôssemos apenas usar o banheiro para fazer xixi – o que acontece mesmo – abriu a porta de vidro e perguntou:
            “ – Vene a mangiare?” Baixou-me o espírito do Seu Lunga e eu não aguentei e falei baixinho: “ – no... a cagare!” E o tal do Giuseppe escutou e perguntou já com voz agressiva: “ – Che parlasti?” Eu fiz de conta que não era comigo – baixou o espírito de Lula – e perguntei para a Guia, em português: “ - ...será que posso comprar por aqui?” No que ela muito esperta, respondeu para o Giuseppe: “ – Lui solo chiesta come pagare: denaro o carta”.  Ele também fazendo de conta que entendeu tudo, só balbuciou: “ – Ãahhãahhnn!!!”
            Mas comi uma suculenta truta, pescada ali mesmo no lago, fresquinha, que estava uma delícia. A grossura dele, nem minha estúpida brincadeira não estragou nada.


(Simpático aviso colado na entrada) 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Causo 53 Suíça III Neutralidade



Nicanor de Freitas Filho
Na nossa viagem, pudemos relembrar algumas coisas importantes sobre a Suíça. É um país totalmente neutro – e sempre foi – política, militar e financeiramente. Tanto assim que não usa o Euro como moeda. Lá temos que fazer o câmbio, porque só se aceitam Francos Suíços. Ainda assim, são considerados os bancos mais seguros do mundo. Isto faz o país ser muito procurado para receber as sedes e subsedes de muitas organizações, muitas entidades e até multinacionais.
            Nunca entrou nem apoiou nenhum outro país nas guerras, apesar de ter um exército com cerca de 1 milhão de militares, que não ficam nos quartéis, mas ficam com as armas e uniformes em casa e prontos para intervir, se chamados.  Ouvi muitas coisas sobre os militares de lá e até algumas boas piadas. Por exemplo, um soldado teria dito que se forem convocados pela manhã, no período da tarde já estarão todos devidamente equipados e uniformizados nos seus postos. O homem que completa 20 anos tem que ir para o treinamento por cerca de 4 meses, onde aprende quase tudo sobre defesa e uso de armas e recebe o manual do soldado: “Soldatenbusch”. Antes dos 20 anos, tanto rapazes quanto moças podem se alistar para treinamentos com armas e podem ficar com as armas em casa por longo tempo.
É o país mais armado do mundo e com menor número de mortes por arma de fogo. É que lá é tudo controlado. Cada arma tem seu registro e é dado treinamento para seu uso. Eu não entendi bem, mas após servir – ou ser treinado – no exército, volta para casa com armas, munição (esta vai lacrada e é controlada), uniformes e manual. Fica à disposição do Exército até aos 32 anos, acredito, tendo que se apresentar uma ou duas semanas por ano. Depois vão diminuindo as vezes que tem que se apresentar comprovar a destreza, a prática de tiros, até completar 50 anos.  Por isso que um General disse: "Os suíços não têm um exército: eles são o exército".
            Deve ser por isso que o serviço secreto de lá, descobriu que Hitler pensou em invadir a Suíça, não só para ficar com o ouro depositados nos bancos suíços, como para ter mais pontos de entrada para invadir a França, mas foi aconselhado a não fazer isso, pois é um território muito montanhoso, de difícil acesso e um exército que não se tem informações a respeito, além, é claro, de ser declaradamente um país neutro.
A piada que me contaram é mais ou menos assim:    
Um dos príncipes alemães, não sei se é William ou nome bem parecido, pois só ouvi, não vi escrito, em visita à Suíça, foi convidado a visitar um treinamento do exército, acompanhado do Comandante Geral. Teria então perguntado ao Comandante quantos homens tinha no exército. Ele respondeu que cerca de um milhão. No que o príncipe perguntou para ele, o que fariam seus soldados se a Alemanha cruzasse a fronteira com cinco milhões de soldados. Sem pestanejar o Comandante respondeu que cada soldado dele daria cinco tiros e voltaria para casa!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Esporte 6 Libertadores no ano do Centenário...


Nicanor de Freitas Filho
            Quando escrevi sobre a Libertadores 2012, tentei incluir lá no meio um fato, mas não tinha onde coubesse, assim vou tentar escrever agora.
            Tenho um especial amigo, que se aposentou como Desembargador, pessoa realmente admirável e muito especial mesmo, para nós! Para agradar ao filho, diz que é Palmeirense. Na verdade acho que ele nem liga para futebol. Ele gosta mesmo é de “carros”, “automóveis”, “máquinas que andam”, principalmente se for da GM. Mas é uma pessoa extremamente culta e sabe que o futebol está enraizado na cultura brasileira, então também fala de futebol. Acho até que ele gostava mais do futebol, quando era futebol de fato, jogado pelo amor a camisa, digamos, até os idos anos 60.
            Nestas brincadeiras todas, com a vitória do Corinthians na Libertadores, ele acabou me repassando um filme que a Brahma postou no Youtube, que é o Tango Corinthiano. (http://www.youtube.com/watch?v=sM6C0-BD_Vc) Eu agradeci e disse, como bom mineiro que sou, que era “bão demaisssss” ser campeão em cima do Boca Junior, ou melhor vencer um argentino!
            Ele então, como nunca deixa nenhum detalhe escapar, consultou a “jurisprudência futebolística” e me mandou a seguinte mensagem: “...tenho lembrança de que nos idos de 1960 a propaganda do Corinthians era de ser "campeão dos centenários", vale dizer de 1922 e 1954. Portanto, somente quando houvesse centenários é que a condição de campeão ocorria? E hoje, assim continua?”
            Eu, não titubeei nenhum um minuto e mandei a seguinte mensagem para ele: “ ... o senhor matou a charada!!! Como eu não tinha notado tal coisa. Falha enorme da minha parte! Por favor, o senhor clica no endereço abaixo, vai aparecer um filminho,  clica no triângulo para rodar o filme e lá está a devida explicação! Depois que o senhor ver o filme me escreva confirmando se está tudo certo!”  (http://freitasnet.blogspot.com/2012/03/centenario-dona-edith.html)
            Infelizmente, até hoje, ele não me confirmou que entendeu o recado! Achei que não precisaria lembrá-lo que o Corinthians já foi Campeão Paulista 26 vezes, Campeão Brasileiro 5 vezes, Campeão da Copa do Brasil 3 vezes, Campeão Mundial 1 vez e Campeão das Américas 1 vez, isto falando dos Campeonatos Regulares, sem contar Rio-São Paulo, Gomes Pedrosa, Taças de não sei o que, Copinhas e outros troféus pelo mundo afora! Provavelmente, em todos esses anos foram centenários de alguma coisa, não é? Então, este ano é o Centenário no nascimento de minha querida e saudosa Mãe! Mas se ele queria uma justificativa para a “jurisprudência futebolística”, aí está!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Esportes 5 Libertadores 2012



Nicanor de Freitas Filho
            Às vezes arrisco falar de esportes, que junto com a música e literatura são meus hobbies. Na quinta-feira pensei, e até comecei, escrever algo sobre a conquista da Taça Libertadores pelo Corinthians, mas estava tão “invocado” com a resposta dada pelo comentarista político da CBN, Sr. Kennedy Alencar, que disse, naquele dia, no Jornal da Manhã: “... eu nem sabia que o Corinthians tinha jogado ontem...”, que só queria me vingar! Então esperei cair a ficha, e entender que os anticorintianos, não vão perturbar minha alegria pela grande conquista! Simplesmente troco de emissora quando este “bundão” vai falar. Azar da CBN, pois nem sempre volto para lá.
            Isto posto, resolvi hoje externar o que penso sobre a nossa conquista, pois ela é realmente importante, não tanto quanto ao Paulista de 1977, nem o Mundial de 2000, mas tem a importância de levar os “antis” a pensarem em outra coisa, pois a Libertadores agora é nossa! Acabou aquela gozação!
            Durante o jogo lembrei-me de três pessoas, sendo que dois já não estão entre nós, que é o Jornalista Armando Nogueira e o Humorista Chico Anízio. O terceiro é o Samuel Rosa, líder do Skank. Porque lembrar deles? Nenhum é corintiano! Mas gostam e gostavam de futebol. E muito antes destas duas partidas contra o Boca Junior eles escreveram o que aconteceu! Senão vejamos:
            O Chico Anízio disse numa entrevista que o time de futebol resume-se em ter uma defesa organizada, meio campo criativo e um ataque eficiente. O resto é só organizar eficientemente a criatividade! Entendeu? Foi o que o Corinthians, sob a batuta do Tite, fez. Ou não?
            O Samuel Rosa, em sua linda música É Uma Partida de Futebol, diz: “O meu goleiro é um homem de elástico / Os dois zagueiros tem a chave do cadeado / Os laterais fecham a defesa / O meio-campo é lugar dos craques / Que vão levando o time todo pro ataque / O centroavante, o mais importante / Que coisa linda é uma partida de futebol!!” Foi o que o Corinthians, sob a batuta do Tite, fez. Que coisa linda!
            Falaram muito em sorte por isso, sorte por aquilo... Aí lembrei-me do saudoso Armando Nogueira, que sempre contava o caso de um repórter americano, que entrevistando o grande jogador de Golf Chi Chi Rodriguez, após vencer mais um torneio importante, perguntou afirmando: “-... hoje deu tudo certo para você. A sorte estava do seu lado. Deu sorte em tudo! Nada falhou ...”, no que ele respondeu: “- Meu caro, descobri que quanto mais treino mais sorte eu tenho!” Foi o que o Corinthians,  sob a batuta do Tite, fez. Ou não? Ele disse que, junto com a Equipe Técnica, estudou todos os adversários minuciosamente. Na entrevista, após o jogo, Tite respondeu: “-... falar em sorte de campeão é uma forma de depreciar o trabalho ...”, no que ele tem toda razão!
            Até o grande Tostão, que sempre é contra o Corinthians, em seus comentários (acho que ele não é anticorintiano, mas lembrem-se que ele machucou a vista numa partida contra o Corinthians, quando o Ditão, sem nenhuma culpa, puxou uma bola e acertou o rosto dele. Eu estava no Pacaembu nesse dia) escreveu no Caderno de Esportes da Folha: “O Corinthians não tem só cara de Libertadores, como dizem. Tem cara de time organizado, para ganhar qualquer competição. É a equipe mais disciplinada e compacta e a que melhor marca no Brasil. Méritos para o Tite, que já merecia, há muito tempo, estar entre os melhores treinadores brasileiros. Parabéns Corinthians!”
Foi importante para o Corinthians e para o futebol brasileiro, principalmente pelo fato de ter sido contra o poderoso Boca Junior da Argentina e com 14 jogos invictos! Não foram 4 nem 6. Foram 14 jogos invictos!
Não preciso dizer mais nada! Ah! Sim, preciso dizer: Chupa Kennedy Alencar!!!
            Vai Corinthians!!!!!!

sábado, 7 de julho de 2012

Causo 52 Suíça II - Trabalho

Nicanor de Freitas Filho
            Em nossa viagem pela Suíça encontramos alguns brasileiros que residem por lá. Maioria de mulheres. Brasileiro conhece outro brasileiro de longe, é fácil saber.
            Conversando um pouco, ficamos sabendo que lá, geralmente não se tem horário fixo para trabalhar – exceto alguns postos que exigem troca em horários certos – mas praticamente todos os suíços chegam antes do expediente começar, trabalham muito e saem, geralmente bem depois do expediente acabar. Geralmente não recebem horas extras. Quem quiser trabalhar trabalhe. Tem que dar conta dos seus resultados, como julgar mais conveniente. Isto tudo, apesar de a legislação ser de 45 horas semanais. Não tem estabilidade trabalhista. Mas ninguém é dispensado à toa. A menos que não trabalhe corretamente, ou que não seja eficiente. Segundo me explicaram, chefe lá dá bronca sim e muita, às vezes, até são um pouco grosseiros. Ninguém reclama, nem vai à Justiça! Todos sabem que eles têm que dar resultado!
            Os salários são aparentemente bons, mas o custo de vida é muito alto. Então, não é fácil viver por lá, como pode parecer. Tem sim uma qualidade de vida muito boa. Pois não precisam se preocupar com despesas médicas, com aposentadoria, com roubos, com educação, pois isto lá é tudo tão bem organizado e executado que ninguém nem discute o assunto. Para tudo tem seguro, quase obrigatório, ou seja, é tudo pago, mas muito bem fiscalizado pelo governo, que corrige qualquer coisa que saia da linha.
            Uma coisa que me impressionou muito foi a informação que na Suíça paga-se o seguro de aposentadoria, que é um seguro “mais ou menos” estatal – é difícil de explicar com poucas palavras – mas é baseado em 3 “Pilares” e quando a pessoa cumpre os pré-requisitos para a aposentadoria (o principal é a idade de 65 anos) todos recebem o mesmo valor, no 1º Pilar, mas difere no 2º, que é o chamado profissional, mas no total atualmente, fica sempre acima de Chf 3.000,00. Tenha ele pago muito ou pouco, por muito tempo ou por pouco tempo, trabalhando como gari ou como presidente de uma grande multinacional, tendo direito à aposentadoria o valor do 1º Pilar é o mesmo. Ah! Funcionário público também! Parece muito o valor, mas só o aluguel de um apartamento, fora dos centros urbanos, ou seja, subúrbios, de 2 dormitórios (pequenos), paga-se de Chf 1.500,00 a Chf 2.000,00 de aluguel.
            Conversamos com uma angolana que vive em Interlaken há mais de 10 anos, trabalha no hotel que ficamos. Ela nos contou que ganha Chf 4.000,00 por mês, mas ela fica no hotel cerca de 14 horas todos os dias – naquele dia específico, ela ficou 16 horas, por causa do nosso jantar, que prolongou um pouco mais os trabalhos dela. Como ela atende tudo, inclusive o bar do hotel, ela ainda recebe algumas gorjetas. Mas só de aluguel ela paga mais de Chf 2.000,00. Não reclama de nada! Acha que é uma privilegiada de ter um bom emprego, onde gostam muito dela e ela gosta do que faz. Além disso, acha que mora bem e o filho de 6 anos estuda numa boa escola (e vive corrigindo sua  pronúncia no idioma alemão).
                 Um detalhe importante é que só os ricos possuem casa ou apartamento. A maioria absoluta, segundo entendi, mais de 70% da população, paga aluguel, porque quase todos os imóveis pertencem aos bancos ou seguradoras, que têm grande parte de seus rendimentos nessa atividade. Entendi também que somente cerca de 1% dos imóveis ficam em disponibilidade. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Causo 51 Suíça I Educação e Trânsito


Nicanor de Freitas Filho
            Nestas férias de 2012, conseguimos realizar o sonho de visitar a Suíça. Há muito que queríamos, mas não dava certo. Estivemos em 9 cidades, algumas consideradas grandes, como Zurique, Berna e Genebra, outras menores como Interlaken, Grindelwald e Montreux, mas todas muito bonitas. Aliás, em cada lugar que chegávamos achávamos mais bonito que o anterior. Enfim é tudo maravilhoso!
            Mas não é disso que quero falar, mas sim da diferença cultural. Em tudo, precisamos aprender um pouco com eles. Principalmente civilização, nas atitudes, costumes, comportamento social, educação e especialmente no trabalho.
Lugar com muitas bicicletas, motos e automóveis. Tem congestionamento? Sim senhor! Tem congestionamento. Mas não ouvi buzinadas nem uma vez. Nem discussão entre motoristas. E o melhor, não vi nenhuma moto ultrapassando pelo meio dos carros, para acumularem lá na frente sobre a faixa de pedestre e saírem na frente de todos. Acreditem: as motos vão se enfileirando, uma atrás da outra, ou atrás dos carros e aguardam, civilizadamente, sua vez. Não vi nenhuma fechada de automóvel em moto, nem vice-versa. É verdade que em quase todas as ruas tem faixa para bicicletas, mas quando não têm elas andam normalmente junto ao meio-fio, sem atrapalhar ninguém e sem provocar transtornos. Não vi nenhuma bicicleta atravessar sinal vermelho. Nem andar sobre a calçada (a menos que a faixa do ciclista fique sobre a calçada, o que é muito comum). Têm locais que a calçada foi dividida para ciclistas e pedestres e cada um ocupa seu espaço e respeita o do outro. Não vi nenhuma frescura de obrigação de uso de capacetes e roupas especiais. Vi sim mulheres com aparência de “donas de casa” nas bicicletas, com sacolas de supermercado e de lojas nos bagageiros. Não vi ninguém desrespeitar ninguém no trânsito. Tudo parece muito natural para eles. A educação está acima de quase tudo para eles.
            Ah! Sim, faixa de pedestres? Tem sim e são muito bem usadas e respeitadas. Tem as faixas que ficam nos faróis. Em todas estas tem o semáforo para carros e para pedestres. Todos as respeitam, rigorosamente! Não vi nenhum semáforo apagado ou piscando. Nas faixas que não tem semáforo, tem uma placa azul com o desenho, em preto e branco, de um homem andando sobre uma faixa. Significa que o pedestre tem preferência total sobre os outros veículos. Não precisa levantar o braço nem nada. Basta colocar o pé na faixa que todos os veículos param: automóveis, motos e bicicletas. Não vi nenhum pedestre, ainda que velhinho, “ensebando” para atravessar a faixa. Todos andam rápido sem frescuras. Tudo organizado e respeitado como deve ser. Acho que o nome disto é Educação!!
            Aliás, ouvi uma buzinada sim, em Genebra e quando olhei para trás para ver o que estava acontecendo, vi uma brasileira – da nossa excursão – que atravessava a faixa de pedestres, com o semáforo vermelho para ela. O carro, um Toyota Yaris, freou bruscamente e aí sim, meteu a mão na buzina!  E ela acabou de atravessar sorrindo, como se estivesse “abafando”. Apareceu!!
            Em quase todas as cidades que passei ainda funcionam, e muito bem, os bondes. Ou “trans”, como eles chamam, ou dê o nome que se queira dar aos carros elétricos que andam sobre trilhos, no meio das ruas. Surpreendentemente, um dos melhores meios de transporte, pois são rápidos, limpos, com informações muito claras – até para quem não fala alemão, que é o meu caso – e lhe permite apreciar as belezas das cidades, mas são um pouco caros, para o nosso padrão, principalmente se você comprar bilhete para uma viagem. Os moradores locais compram para o ano todo e fica bem mais barato. Sabe como funcionam? Em cada ponto, devidamente com cobertura acrílica, tem uma “maquininha” de venda de bilhetes com moedas. Ali você escolhe o bilhete que quer comprar – as máquinas têm explicações em alemão, francês e inglês – colocam-se as moedas no local indicado e recebe o bilhete com o troco. Ao entrar no veículo, você vai até uma outra maquininha para validar o bilhete, que fica gravada a hora e o dia que você tomou o bonde. Se o fiscal passar para conferir o bilhete – o que é raro – e não estiver validado, ou não tiver o bilhete, a pessoa não só recebe uma multa elevada, como, geralmente é levado a uma delegacia, para dar explicações. Por isso, todo mundo paga e valida seus bilhetes.

            Ah! Ia me esquecendo. As ruas são limpas, com asfalto liso e regular, com sinalização perfeita e bem conservada. Não vi um pedaço de papel no chão, nem copinhos, nem ponta de cigarro, nem saquinhos, nem papel de bala. Tudo limpinho e bonito. Vi sim, muitas flores, jardins bem cuidados, muitas árvores e lagos – como tem lagos naquele país – sinalização clara para tudo! Acho que o nome disto é Educação!!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Causo 50 Fofinhos do Zé Mané


Nicanor de Freitas Filho
            Fui à casa de um casal de amigos, meus vizinhos, para levar uns ovos moles de Aveiro que trouxe para eles. Ele tem dois filhos, com 6 e 9 anos. Vou me referir ao mais novo como “Zé Mané”, que é como ele chama um dos tios dele.
            Os pais dele me mostraram um “livro” que ele “escreveu”, tudo com aspas, porque ele ainda não é alfabetizado. Aprendeu escrever e ler observando o irmão mais velho estudar. O fato é que ele dobrou uma folha de papel sulfite em quatro partes, na frente, a capa, está escrito “Os fofinhos” e tem um desenho azul, que eu não consegui definir claramente o que representa (é uma obra de arte, não precisa entender, basta apreciar). Nas páginas interiores tem uma estória assim: “ Era uma ves um bebê fofinho que foi viachar e achou uns bebês fofinhos no meio do caminho. E foi achando mais bebês cando eles acharam um ome e um deles teve uma ideia. Ele falo por que a chente não fala com ele para ele se o nosso pai. Eles foram percontar e ele aseitou. E viveram felizes para sempre.” (sic).
Na capa de trás, está escrito: “Autor e Desenhador: Vitor B. Aquino”.
            O irmão mais velho, o corrigiu, dizendo que não era desenhador e sim ilustrador, no que ele respondeu com toda certeza: “Eu escrevi e desenhei, só isso!”
            Eu fiquei impressionado, pois ele ainda não é alfabetizado. Aprendeu escrever porque tem um irmão mais velho, por sinal, muito inteligente – quase um perfeccionista – pois quer tudo o mais certinho possível. Ele pede ao pai para rever as lições e fala que se tiver alguma coisa errada, só fala que tem coisa errada, mas não diz o que, nem onde. Ele acha que ele é que tem que descobrir o erro.
Obviamente que os pais também têm muito a ver com o desenvolvimento do Zé Mané, porque o incentivam a ler e criar coisas dentro da área educacional. Por exemplo, a estante deles é baixinha, para não ter que pedir a ninguém para pegar os livros. Procuram comprar livros impressos em caixa alta, para facilitar a leitura.
            Outro dia o irmão mais velho estava tentando fazer uma redação sobre tartaruga e o Zé Mané, ali por perto, jogando futebol de botão. De repente ele sugeriu ao irmão mais velho que contasse uma estória “que a tartaruga voou até o céu e foi pedir”... O mais velho interrompeu-o dizendo: “Tartaruga não voa, ô rapaz”. Ele imediatamente respondeu: “A tartaruga é sua, é da sua estória, você faz o que quer com ela...”
            A Mãe deles observou: “Essa é a diferença entre inteligência e criatividade!”
            A Mãe, para incentivar e ver se ele tinha entendido o que ela acabava de explicar para o irmão mais velho, com ele presente, escreveu num papel e mandou que ele completasse com adjetivos:
                        A Mamãe é...
                        O Papai é...
                        O meu irmão é ...
                        O Zé Mané é...
            Ele não precisou de muito tempo e completou:
                        A Mamãe é BONITA.
                        O Papai é INTELIGENTE.
                        O meu irmão é LEGAL.
                        O Zé Mané é FANÁTICO POR FUTEBOL...
            Certíssimo! Afinal ele é torcedor do Corinthians!!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Causo 49 Pardal Esperto!


Nicanor de Freitas Filho
Ainda falando da excursão, em Montreux, onde chegamos à tardinha, tínhamos a noite livre para jantar e passear pela linda cidade, banhada pelo Lago Leman. Minha esposa, eu, mais dois casais e uma amiga da excursão, depois de caminharmos bastante, resolvemos parar numa lanchonete, pois tínhamos almoçado muito bem em Gruyères, que bastava uma refeição leve à noite. A Lanchonete era uma espécie de self-service, mas quem servia era o atendente. A gente apontava o que queria e ele ia colocando na bandeja. Algumas comidas ficavam num balcão refrigerado aberto, como os de supermercados que vendem iogurte e frios já fatiados.
            Cada um de nós fez o seu pedido, fomos com nossas bandejas para uma mesa, que fomos emendando e começamos nossa refeição. Como sabem, lá nessa época do ano o sol se esconde só depois das 21:30 h e pela hora que bati a foto, marcava 20:33 h, portanto estava ainda claro. A lanchonete fica ao lado dos jardins, que separam a Grand Rue do Lago Leman.
            De repente vimos um pardalzinho entrar voando pela porta larga e ir direto ao Buffet de comidas refrigeradas, e, sem cerimônia nenhuma, pousou sobre um prato de doces folhados e “jantou” o que quis. Depois ainda fez suas necessidades sobre o prato dos doces.
            Eu tive tempo de puxar a câmera e fotografar a cena, embora um pouco longe dá para perceber o intruso pardal saboreando os doces...

domingo, 24 de junho de 2012

Causo 48 Senhor João Pelado


Nicanor de Freitas Filho
            Vou contar alguns causos que ouvi na minha viagem de férias, pois senão esquecerei mais tarde.
            O senhor João Pelado, com ele era conhecido na Miragaia, Portugal, trabalhava nas propriedades da região para ganhar a vida. Podando videiras, colhendo, carpindo, semeando ou fazendo o que lhe era indicado. Ele era, de fato, muito esperto e fazia o que lhe pedissem. Naquelas bandas o costume é o “patrão” contratante servir uma refeição, que lá é sempre acompanhada de vinho, geralmente feito pelos próprios. E segundo me contaram, tinham aqueles “bons patrões” e aqueles não “tão bons assim”, ou seja, alguns serviam comida à vontade, e boa. Comida boa lá, não é a bem feita, pois estas todas são, comida boa é aquela que tem “substância”, principalmente carne. E o vinho é servido também à vontade. Mas geralmente o vinho era colocado sobre a mesa, num garrafão e apenas um copo, que cada um se servia tomava e passava para o colega da frente.
            Num desses dias, foi servido apenas legumes cozidos com batatas. Mas no prato do “patrão” tinha um grande naco de carne de porco, cheirosa e com cara de muito boa. Todos se olharam, mas nada podiam fazer, pois eram muito educados e a regra era não reclamar. Mas o senhor João Pelado era muito espirituoso, de raciocínio muito rápido e não perdia oportunidade para demonstrar este seu espírito alegre e “gozador”. Veio uma mosca e pousou na beirada do seu prato, no que ele espantando a mosca com uma das mãos, disse:
            “ – Sai do meu prato mosca, aqui não tem nada que lhe agrade, hoje é dia de jejum!”

            Num outro dia, mas em uma outra propriedade, serviram a comida, colocaram o garrafão de vinho sobre a mesa e um “copinho” muito pequeno, para que bebessem pouco. Quando chegou a vez do senhor João Pelado, ele se serviu e, sorrateiramente, colocou o copinho no bolso. Logo alguém perguntou pelo copo, no que ele imediatamente respondeu:
            “ – O copo era tão pequeno, que o engoli, sem perceber...”

terça-feira, 19 de junho de 2012

Causo 47 Palácio da Opera de Viena



Nicanor de Freitas Filho
            Estive recentemente numa excursão em Viena. Na visita que fizemos ao Palácio da Ópera, um dos templos mundiais da música clássica, onde são executadas todas as composições de Mozart e Strauss – principais atrações locais – mas lá não tem preconceito, toda boa música é executada.
            Trata-se de um prédio inaugurado no dia 25 de maio de 1.869, de rara beleza arquitetônica e muito imponente. Um verdadeiro templo da música clássica e do luxo imperial do Século XIX. Como todos os dias tem apresentações diferentes, o palco que é enorme, pode ter três montagens ao mesmo tempo. É alguma coisa para se ver, muito difícil de descrever. É incrível!!
            Foi projetado pelos arquitetos August Sicard Von Sicardsburg e Edward Van Der Null, que fizeram um trabalho de Mestres, que muitos arquitetos gostariam de ter feito.
            Não sei se é lenda ou verdade, portanto é um causo, conta-se que o Imperador – Francisco José, que foi casado com a famosa Sissi – ao ir para inauguração, não gostou do estilo do prédio e teria dito que “ -... mais parecia uma estação de trem que um Palácio de Ópera.”
            Ao tomar conhecimento disto o arquiteto Van Der Null suicidou-se de desgosto e vergonha, pois pensava ter feito uma das mais bonitas obras de Europa – o que é verdade – mas não agradou o Imperador Francisco José.
            Conhecendo os sentimentos do colega e sem saber que ele tinha suicidado, o arquiteto Sincardsburg, foi visitá-lo para lhe dar apoio. Ao encontrá-lo morto, por suicídio, sofreu um infarto e também faleceu.
            Por causa desta história, na Áustria, quando alguém vai à casa de um amigo, para um jantar, ou no casamento de uma filha, ou qualquer recepção, no dia seguinte para elogiar o evento, costuma-se ligar para o anfitrião e dizer: “ -  não precisa suicidar...” Ou seja, o evento agradou e foi muito bonito! Estava tudo perfeito!
            Na hora que ouvi este causo, contado pela Guia da Excursão, lembrei-me do causo que meu amigo, mineiro que mora no Rio me contou. Uns compadres do pai dele, todos da roça, do interior de Minas, provavelmente Muriaé, foram no casamento da filha de um dos compadres e saíram conversando sobre a linda festa. Um deles teria dito que foi a melhor festa que ele já tinha ido. Que tinha sido tudo perfeito! Que tinha tudo, além de primeira, de boníssimo gosto! Muita fartura! – que isto para eles é de muita importância – elogiou o que pode e os demais iam concordando com tudo. Não só concordavam como faziam mais loas aos pais da noiva e aumentavam um pouco mais o elogio. Ou seja, tinha sido uma festa perfeita!
            Aí, um deles, que tinha só escutado o tempo todo, falou:
            “ – Só faltou o doce de mamão...”
            Os outros olharam para ele como que recriminando. Um deles disse:
            “ – Você já viu servir doce de mamão em festa de casamento?”
            “ – Não, mas é o doce que eu mais gosto...uai”
            Então, quando se vai num casamento que a festa foi muito bonita, quem quiser elogiar os anfitriões, ligam e dizem:
            “ – Na sua festa só faltou o doce de mamão...”

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Causo 46 Galinhada


Nicanor de Freitas Filho
            Crucilândia é uma cidade mineira, pertinho de BH. Deve ter hoje, cerca de quatro ou cinco mil habitantes. O causo que vou contar ocorreu aí por volta de 1975 e deveria ter naquela época uns três mil habitantes, se muito. Fui passear lá porque tinha um primo – casado com minha prima – que era de lá. Pertencia a uma família grande, como quase todas do interior de Minas. Creio que tinha 8 ou 9 irmãos. E nós fomos passar lá um carnaval. Ficamos hospedados na casa de outros amigos, cujo dono já tinha sido Prefeito de Crucilândia duas vezes. Tinha uma casa grandona!
            Esse primo, já falecido, a quem devo muito profissionalmente, pois não só aprendi muito com ele, como me deu a primeira chance real profissional, entregando-me a Seção de Contas a Pagar da Encyclopaedia Britannica do Brasil. Ele era trabalhador e esforçado, inteligente e criativo, possuía uma liderança natural! Foi um excelente Administrador, chegando à Vice-Presidência da Encyclopaedia Britannica do Brasil (naquela época não tinha Presidência no Brasil). Ele tinha uma característica: era um “gozador nato”. E como ele gostava de uma “molecagem”, daquelas pesadas mesmo! Vou contar vários causos dele aqui.
            No segundo dia de nossa estada em Crucilândia, o meu primo passou, à noitinha, na casa em que estávamos e disse para prepararmos para ir roubar galinha.
“ - Como assim, eu perguntei, roubar galinha? Onde? Porque? Não dá para comprar?” 
Ele explicou que ia roubar galinha de um dos irmãos dele!
“ - Mas por que? Não podemos pedir para ele?”
“ - Claro que não, ele foi logo explicando, galinha roubada é muito mais gostosa do comprada ou ganha. Não tem comparação!”
Então fomos nós roubar galinha na chácara do irmão dele, já que são mais gostosas.
            Quando chegamos à Chácara, as galinhas já estavam empoleiradas nas árvores e ele instruía: é só encostar o bambu no pé dela, que ela sobe e a gente pega. Aí é só pear e levar para outra cunhada fazer a galinhada.  E assim roubamos 4 galinhas de um irmão e levamos para a casa de outro irmão, para a mulher dele fazer a galinhada. E a cunhada, excelente cozinheira, fez uma deliciosa galinhada, que comemos bebendo cachaça e cerveja.
            Lá pelas tantas, um dos irmãos, começou a “jogar indiretas” para o dono das galinhas. Mais ou menos assim:
“ – Que galinha gostosa! Tão gostosa quanto a que comemos, outro dia, na casa do Zé...” Ou:
“– Nem o Zé, que entende do assunto, é capaz de criar galinhas tão gostosas assim!” E por aí foi... Mas todos nós continuamos comendo e bebendo numa boa. Até que uma hora, o Zé, com uma grande coxa da galinha, segura pelo osso e levando à boca, com um copo de cachaça na outra mão, se tocou com as deixas, parou com a coxa entre os dentes, boca aberta, e sussurrou:
“ – seus f.d.p. vocês roubaram minhas galinhas...e tiveram a cara de pau de me convidar...?”
            E foi uma risada só, sendo a dele a mais gostosa...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Causo 45 Muitos Confetes...


Nicanor de Freitas Filho
Como Economista, trabalhei por 7 anos, num Grupo Financeiro, tendo sido Assessor do Diretor Superintendente por 5 anos. Nesta função, executei muitos trabalhos, alguns corriqueiros, que sempre procurei “fazer diferente” para melhorar, alguns difíceis que davam muito trabalho de pesquisas, e, principalmente alguns complexos, que me obrigava a estudar muito, antes de executá-los... O certo é que sempre procurei fazer “o melhor” e até acho que era reconhecido o meu esforço.
Numa altura desses 7 anos, indiquei um amigo para trabalhar no Grupo, que ficou conhecendo e se engraçou com à minha “secretária” – é, naquele tempo tinha-se Secretária, porque os trabalhos eram grandes, exigiam pesquisas e principalmente datilografar tudo, sem erro, e organizar toda aquela papelada e a agenda de trabalho – e acabaram se casando e estão casadinhos até hoje.
Ela era muito esperta, criativa e espirituosa, me ajudava muito. Eu tinha uma mania de conferir tudo, duas ou três vezes. E quando achava que o trabalho tinha ficado bom, de verdade, eu às vezes, perdia a modéstia, dava aquele tapinha com as costas das mãos no papel e falava comigo mesmo:
- Êta menino bom! Que maravilha de trabalho! Pode pedir aumento pro Chefe!
Acho que aquilo foi “saturando” a paciência da Secretária – que era e é muito minha amiga – pois como fazia sempre trabalhos que ficavam bons, sempre eu me autoelogiava.
Um dia, ao terminar um serviço, ela me entregou, e ficou esperando pois era urgente. Acabei de ler, dei aquele tapinha no papel, com as costas da mão e soltei minha frase predileta:
- Êta menino bom! Que maravilha de trabalho! Pode pedir aumento pro Chefe!
No que ela, sem pensar muito, respondeu:
- Chefe, você tem razão, ficou muito bom. Aliás, você trabalha muito bem,ainda que somente use uma das mãos, porque enquanto trabalha com a mão direita, usa a mão esquerda para jogar confete na própria  cabeça...

Falta de respeito! né?

domingo, 29 de abril de 2012

Causo 44 Lier Poker


Nicanor de Freitas Filho
            Quando foi formado o Consórcio de Exportação de Cadernos, denominado Protime, ao qual já me referi várias vezes, aqui no Blog, participamos 3 anos seguidos da Feira Internacional “Back-to-school” em Nova Yorque. Esta feira anual era realizada sempre no Colliseum, ao lado do Central Park e a partir de 1986 passou para o Jacob Javits Convention Center, lá na 11ª Avenue, perto da Rua 34. Com isso tivemos que procurar novos hotéis mais na redondeza, pois sempre ficávamos perto do Central Park e da Rua 58, pertinho do Colliseum.
            Em 1986, a primeira vez que participamos, íamos apenas em dois para a Feira. E fizemos a reserva de 1 quarto no Pensilvania Hotel, que fica quase em frente a Penn Station, na 7ª Avenue com rua 33. Mas como era importante para a concretização do Consórcio, acabamos indo em 4 colegas, sendo 1 da Propasa, 1 da Tilibra e 2 da Melhoramentos.  Como não previmos que ia lotar os hotéis, fomos, assim, meio sem compromisso, com mais dois colegas. Lá chegando, pedimos mais um quarto para os outros dois colegas, mas o hotel estava lotado. Assim, depois de muita conversa, conseguimos ficar os 4 no mesmo quarto, sendo que tinha um bom sofá-cama no quarto e eles se comprometeram colocar uma cama de armar, daquelas dobráveis. Como o quarto era grande e bom e todos amigos, ficamos sem problemas, apesar do ronco infernal de um deles (aquele colega do causo 18 Meu cachimbo inglês).
            Durante a arrumação do estande na feira, enquanto aguardávamos a montagem, que tinha que ser feita, necessariamente, pelos operários sindicalizados, nosso representante em Nova Yorque, nos ensinou uma brincadeira, na verdade um “jogo”, que ele chamava de “lier-poker” e consistia do seguinte: cada jogador pegava uma nota de 1 dólar, que contém 8 números de série, e, no par ou impar, um começava dizendo que entre todas as notas de todos os jogadores, devia conter “tantos” números “tal”. Por exemplo, 5 números zero. O jogador seguinte, à direita, tinha que aumentar a quantidade de números, ou passar para um número maior, o que geralmente, chegava até ao número 9 até um dos jogadores aumentar ou dizer “I don´t  believe”. Então contava-se quantos números tinham. Se tivesse menos que o afirmado, ele deveria pagar 1 dólar a cada participante. Porém se tivesse a quantidade dita ou mais, ele pegava a nota de 1 dólar de cada participante. Passávamos horas jogando o “lier-poker”.
            Quando chegamos à noite ao Pensilvania Hotel, encontramos o sofá-cama bem arrumado, bem como uma cama dobrável, também bem arruada. Mas é o conforto? Claro que as duas camas fixas eram muito melhores. Assim resolvemos disputar as camas no “lier-poker”. Só que fizemos uma tabelinha e quem primeiro perdesse 10 rodadas ficava com a cama dobrável, o seguinte ficava com o sofá e os dois “cobras” na mentira, ficavam com as camas fixas e confortáveis.
            Acho que não dormi nenhuma vez nas tais camas confortáveis. Só me sobrava a cama dobrável e acredito que uma vez fiquei no sofá. Ah! Se o jogo fosse “tênis-de-mesa...”

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Causo 43 Faculdade de Economia São Luis

Nicanor de Freitas Filho
Recebi estes dias um depoimento, sobre nossos tempos de estudantes, de um colega e bom amigo da Faculdade de Economia São Luis e então lembrei-me da primeira vez que li o nome “Faculdade de Economia São Luis”.
Como sabem, vim para São Paulo, em 1964, para trabalhar na Cooperativa Agrícola de Cotia e fazer cursinho para prestar vestibular para Agronomia. Meu sonho era me formar agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz.
Numa determinada época, ainda em 1964, fui morar na casa de um primo, na esquina da Rua Frei Caneca com Rua Paim, na Bela Vista. Para trabalhar, eu ia a pé até à Rua da Consolação, tomava o bonde que subia a Consolação, pegava um pedaço da Av. Dr. Arnaldo e descia a Rua Teodoro Sampaio, paralela à Rua Cardeal Arcoverde, onde ficava a Cooperativa, quase no Largo da Batata. A volta era feita pelas mesmas ruas. O problema era que, se algum dos bondes tivesse qualquer problema, parava tudo! E isto era meio frequente de acontecer. Quando acontecia na volta para casa, geralmente era ali perto do Cine Belas Artes, na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação. Neste caso, era mais fácil atravessar os três quarteirões da Av. Paulista e chegar até à Rua Augusta, por onde desciam os Tróleibus. Muitas vezes, quando ainda era cedo, eu descia a pé mesmo, pois era muito divertido descer a Rua Augusta naquele tempo, com os “play-boys” nos seus carrões importados e aquela quantidade de mulher bonita!
Eu tinha sido aconselhado, por um professor do cursinho, para mudar de ideia de fazer Agronomia, pois estava muito fraco em Biologia, Física e Química, que eram matérias eliminatórias no vestibular de Agronomia. Pelos meus conhecimentos apresentados nas provas do cursinho, e pela falta de dinheiro da minha família, para me sustentar numa Faculdade de tempo integral, ele me aconselhou a fazer Economia. Economia?! O que é isto?! Ele me explicou que era uma profissão nova, que tinha sido regulamentada há poucos anos, mas muito promissora. Era a profissão do futuro! Eu fiquei numa dúvida cruel, pois meu sonho era Agronomia e não Economia.
Num dia desses, enquanto estava naquele estado de “não sei o que fazer”, na volta da Cooperativa para casa, houve uma pane nos bondes e eu desci ali na esquina da Av. Paulista com Rua da Consolação e vinha pensando em descer a Rua Augusta para ver as meninas. Ainda estava claro, eu vim caminhando pela Av. Paulista e quando atravessei a Rua Bela Cintra, vi aquela bonita igreja e na continuação um jardim na frente de um prédio portentoso, com um portão enorme, no meio do quarteirão entre a Rua Bela Cintra e Rua Haddock Lobo. No lado esquerdo do portão, de quem está na avenida, uma placa de bronze, bem lustrada, com a inscrição: “Faculdade de Economia São Luis”. Eu olhei aquele bonito prédio e pensei, se a Faculdade de Economia é assim tão bonita, acho que posso mesmo tentar o vestibular, conforme conselho do meu amigo-professor. Mas como vou passar, se não estou estudando as matérias principais do vestibular de Economia: Geografia e História? Seria muito difícil! Mas o prédio, o portão e a placa de bronze me chamaram a atenção!
Meu amigo-professor – a quem devo muito – me “arranjou” um emprego de meio período, no Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, para eu poder estudar as tais matérias e três meses depois eu fazia vestibular na USP, na PUC e na São Luis. Bombei na USP, fiquei na lista de espera na PUC e passei na São Luis, onde fiz o curso de Economia, que muito me ajudou na vida profissional. Sempre que entrava na Faculdade, pela Av. Paulista (tinha entrada também pela Rua Haddock Lobo), via aquela placa bonita no portão e me lembrava do que me ajudou a tomar a decisão de ser Economista em vez de Agrônomo.



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Causo 42 Banho inesperado...

Nicanor de Freitas Filho

Quando vim para São Paulo, em 1964, fui morar numa pensão na Rua Butantã, depois mudei para a casa de meus primos, voltei a morar noutra pensão e finalmente, até me casar, aluguei um apartamento no “treme-treme” – como era chamado -  o Edifício Monções, que fica em frente à Câmara Municipal. Já me referi ao apartamento no causo nº 33, do “Cobra do Violão”. Minha intenção era morar sozinho, mas meu chefe pediu para ficarem comigo o irmão dele e outro amigo, pois ambos tinham deixado de ser padres e estavam vindo para São Paulo. Tinha um quarto só, então compramos um beliche onde eles dormiam. Para mim foi ótimo, porque repartíamos as despesas e pudemos até contratar uma empregada, que cozinhava, lavava, passava e arrumava tudo para nós.
Em seguida, um deles casou e veio para seu lugar um namorado de uma prima, mas que também é mineiro e dava tudo certo. Aliás, houve depois várias mudanças de hóspedes, pelo menos até eu me casar, tendo comprado um outro beliche, porque meu irmão veio morar em São Paulo também. Éramos em quatro.  Três de nós, fazíamos Faculdade e portanto chegávamos tarde em casa. Cada um que chegava, trazia uma coisa. Ora leite, ora pãezinhos quentes, ora doces ou frutas, sucos etc.. Tinha dia que a “ceia” era variada, mas tinha dia que todos tinham a mesma ideia e só tinha uma coisa.  Por exemplo, teve um dia que todos compramos bananas. Não tinha outra coisa.
No meio da sala tínhamos uma mesa de fórmica com 4 cadeiras, ao redor da qual sentávamos para contar o que nos tinha acontecido, naquele dia.
Esse amigo do meu chefe tinha se empregado numa empresa que administrava Clubes Sociais, sendo o principal deles, o Tortuga do Guarujá. Nesta altura ele já era Assessor do Presidente da empresa. No dia seguinte teria uma grande festa no clube e ele precisava ir muito bem vestido, mas não era necessária a gravata, pois afinal era um Clube na praia.  Como era mês de junho e já estava frio, sugerimos e ele foi comprar uma calça cinza, uma blusa vermelha, de gola “rolê” e um blazer azul-marinho. Na época era tudo que tinha de chique-esportivo.
Quando eu cheguei em casa, trazendo um litro de leite, por volta das 23:30 h ele estava mostrando as roupas para meu irmão. Começaram a rir de mim, porque ele tinha subido com um litro de leite e meu irmão também. Rimos muito e então insistimos com ele, para vestir a roupa, para ver se aprovávamos o “rico” traje, que ele usaria na manhã seguinte. Ele vestiu a roupa nova e sentamos em volta da mesa para conversar e tomar nosso leite. Ainda faltava um colega, o namorado da minha prima.
Quando ele entrou, começamos a rir, porque ele também havia trazido um litro de leite, que vinha naquelas embalagens “novas”, em caixinhas, em forma de pirâmide. Quando ele viu os outros 3 litros de leite, ele jogou o dele sobre a mesa, como que lamentando. Acontece que a embalagem abriu e todo o litro de leite foi parar na roupa nova do nosso colega, que também usava óculos e me lembro perfeitamente o leite escorrendo nas lentes dos óculos dele e a roupa nova – que deveria usar no dia seguinte –  branquinha de leite. Ah! Ah! Ah! Ah! Foi muito engraçado, como todo mal feito!
Ficamos até às três da manhã lavando e enxugando, a ferro, a roupa dele...